Weekend Zaim Kamal, o criativo da Montblanc

Zaim Kamal, o criativo da Montblanc

O director criativo da Montblanc esteve em Portugal para apresentar a nova colecção limitada que a marca fez para a Unicef, continuando a parceria que busca permitir a educação de milhões de jovens.
Zaim Kamal, o criativo da Montblanc
Fernando Sobral 27 de maio de 2017 às 09:00
Zaim Kamal não tem dúvidas: a inspiração e a criatividade estão à nossa volta, só à espera de serem colhidas. Nos últimos anos tem contribuído, como director criativo, para refinar a herança de uma das marcas mais conhecidas do mundo dos acessórios de luxo, a Montblanc. Considerando que o seu estilo pessoal é uma espécie de encontro de Keith Richards com Dorian Gray, Zaim Kamal veio a Lisboa apresentar a nova colecção limitada, a Montblanc for Unicef, de instrumentos de escrita, relógios, acessórios e artigos de couro feitos com um objectivo muito concreto: continuar esta parceria especial que tem ajudado milhares de crianças a encontrar o seu caminho para uma educação de qualidade e um futuro justo. A diversidade de línguas do mundo serviu de inspiração ao "design" que domina esta colecção: nela, a influência é a primeira letra de seis dos alfabetos mais utilizados no mundo que as crianças aprendem a escrever primeiro, incluindo romano, hindi, árabe e três caracteres asiáticos. Esta nova colecção estará à venda até 31de Março de 2018 e a Montblanc angaria a quantia que será doada à Unicef.

Este foi um momento muito especial para Zaim Kamal, como ele próprio faz questão de frisar: "A 'maison' Montblanc sempre teve uma cultura de escrita. Escrever é sobre aprender, comunicar, o que nos permite compreender o que se passa à nossa volta. A Montblanc está neste mundo através dos seus produtos de escrita à mão. E a Unicef tem como lema que todos os rapazes e raparigas deste mundo tenham direito à educação. E é aqui que a cultura da escrita chega. Quando uma criança aprende a primeira letra começa a nascer a comunicação. E começa a viagem para o conhecimento. É uma viagem que nunca acaba." Nestes anos Zaim Kamal tem deixado a sua impressão digital na marca. Conforme diz: "Todos temos de evoluir por nós próprios. Na 'maison' temos valores muito fortes e seguimo-los e tentamos transmiti-los. Estou há quatro anos aqui e tive a oportunidade de contribuir para uma 'maison' com sucesso. Tens de tomar a liderança. Não a fazes para ti mas para o louvor da 'maison', para, com a tua contribuição, transmitires os seus valores. Liderar e administrar é tudo o que fazemos. É sobre não ficar não ficar numa redoma, porque está sempre tudo a mudar."

A importância da curiosidade

Valores e identidade são temas fortes para Zaim Kamal. Ele próprio o refere: "Identidade não é algo que dás. É algo que se desenvolve. Porque as pessoas reconhecem certos factos que são recorrentes. Identidade é basicamente a personalidade que se desenvolve durante um período. A identidade nunca se desenvolve se te sentares numa sala, à espera. Para teres identidade tens de interagir, de comunicar. A identidade modifica-se. A base mantém-se, é claro. É importante sabemos de onde vimos, e sabemos para onde queremos ir. Mas não é uma cadeia, apesar de ser fundamental saber de onde viemos." Confronto-o com uma frase de Oscar Wilde: "Só as pessoas superficiais não julgam pela aparência. O verdadeiro mistério do mundo é o visível, não o invisível". Zaim Kamal responde: "Oscar Wilde é talvez o meu autor favorito. Desde que era pequeno. Nem sempre estou de acordo com ele. O que eu digo sobre isso é uma visão pessoal: a primeira impressão que tens do mundo é como quando tu vez alguém numa sala. Vês-me a mim, por exemplo. Mas quanto mais te vais aproximando mais vou ficando com uma opinião de ti. Não se pode dizer que é superficial ou não. E eu sempre achei que é ser aberto a todas as pessoas que te torna mais forte. E tudo isto tem a ver com ser aberto. Nada lhe pode acontecer."

Fã de música, Zaim Kamal centra a sua vida à volta da curiosidade: "No meu ipod há de tudo. Rolling Stones, punk, gótico. Mas eu fui influenciado por muita da estética dos anos 70, pelas guitarras, mas também oiço música electrónica. Isto tem a ver com a abertura. A pior coisa que pode acontecer é perderes a curiosidade. E o meu maior desafio, todos os dias é nunca deixar de ser curioso. Quando vou a algum lado e vejo algo que gosto de tocar. É a curiosidade táctil, que é algo que temos de manter. No momento em que deixas de aprender e te tornas complacente, tudo deixa de fazer sentido." Zaim Kamal recorda que uma das suas primeiras patroas lhe disse algo de que nunca se esquecerá: "independentemente do que quer que faças nunca te esqueças que estás aqui para tocar a beleza". E é isso que ele faz. E que o faz ter orgulho no que faz.



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