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Um olhar global

A pouco e pouco, foi ficando evidente que EUA e China iam começar a ser os pólos de um novo mapa mundial. É sobre esta evolução e sobre o eventual futuro das relações entre estes países que se debruça José Manuel Félix Ribeiro.

Fernando Sobral fsobral@negocios.pt 31 de Outubro de 2015 às 09:00
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Quando o Muro de Berlim caiu, um mundo dividido ao meio desintegrou-se. Por momentos, os EUA, tendo na mão a supremacia do seu poder político, económico, cultural e militar, tornou-se a única superpotência do mundo. Mas, claro, esses foram tempos em que se acreditava que tinha chegado "o fim da história" e que a democracia de mercado reinaria em todo o planeta. Especialmente numa altura em que a globalização financeira tornava obsoletas velhas fronteiras terrestres e alterava substancialmente a ordem da distribuição do trabalho, do investimento e dos bens produzidos.

Mas, no meio desta nova redistribuição de poderes e deveres, novas potências foram surgindo, muitas delas impulsionadas pelo seu poder energético, outras pela própria dimensão geográfica. Enquanto a Rússia se reformulava dentro das suas novas fronteiras, a China e a Índia começaram a mostrar as suas próprias forças. A pouco e pouco, foi ficando evidente que EUA e China iam começar a ser os pólos de um novo mapa mundial de influências e poderes. É sobre toda esta evolução e sobre o eventual futuro das relações entre estes dois pesos-pesados que se debruça José Manuel Félix Ribeiro, há muito um sólido analista das estratégias globais.

Paralelamente às suas análises do passado, presente e futuro dos EUA e da China, o autor debruça-se sobre a situação na Europa, esse poder mais aparente do que real. A sua visão é clara e reflecte um pouco o lugar de Portugal no meio deste conjunto de interesses que o ultrapassam: "A precipitação na constituição da UEM (União Económica e Monetária) resultou de um erro histórico da França: ter escolhido, como condição para aceitar a reunificação alemã, um avanço na integração europeia exactamente numa área em que era mais fraca do que a Alemanha - a moeda. (…) Portugal, Espanha, Grécia e Irlanda desempenharam uma função imprescindível na UEM - absorver os primeiros 'ataques dos mercados' quando estes se aperceberam das fragilidades intrínsecas do 'euro light' - sem deixar que o contágio atingisse o núcleo central da UEM, deixando a este núcleo, com destaque para a Alemanha, o tempo para reduzir a exposição dos seus bancos à dívida soberana da periferia e para os seus dirigentes políticos reformatarem a UEM. A contrapartida do desempenho dessa função foi uma acumulação de dívida que vai travar o crescimento destas economias periféricas durante décadas".

Mas, claro, o estudo de Félix Ribeiro assenta sobretudo nas estratégias dos EUA e da China para o futuro e também nos diferentes cenários de alianças e desenvolvimentos políticos internos e externos que podem pôr em causa, ou acelerar, certas suposições. Ele escreve: "O novo milénio marca uma mudança qualitativa no sistema internacional e, a prazo, na posição nele ocupada pelos EUA. Essa mudança está estreitamente associada à emergência da China. Ao contrário do Japão e da Alemanha, que no pós-Segunda Guerra Mundial competiam economicamente com os EUA, mas estavam dependentes da protecção norte-americana contra a URSS, a China apresenta hoje um padrão de complementaridade económica fortíssimo com os EUA, mas está envolvida num processo de obtenção de uma muito maior autonomia estratégica, assente no desenvolvimento de um complexo militar-industrial de grande dimensão a nível mundial (…)". Isto também tendo em consideração a emergência de um rival para a China: a Índia. Ou seja, este livro abre janelas para se preocupar entender melhor o futuro global.



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