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O mundo e Coura mudam, um acorde de cada vez

Paredes de Coura vai começar. Que momentos vamos lembrar? Pedro Rios faz uma viagem ao cartaz deste ano. Para ler e ouvir.

Pedro Rios 15 de Agosto de 2015 às 10:02
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Que momento vamos lembrar da 23.ª edição do Paredes de Coura?

A foto em cima, 
TV on the Radio Seeds.
Com 22 edições para trás, está provado que o Paredes de Coura é dado àqueles instantes em que o nosso mundo muda à boleia de um acorde justaposto a outro acorde, de um grito em cima de vórtice eléctrico, de um violino que carrega e acomoda os pequenos e grandes dramas que temos cá dentro.

Boas notícias: o cartaz, um dos melhores dos últimos anos do festival minhoto, promete vários momentos do género. Eles podem acontecer já na quarta-feira, dia de arranque, quando os TV on the Radio recuperarem a sua particular espécie de gospel introvertido (jogamos com os oximoros, reconhecemos) e o rock tão experimental quanto prazeroso de discos como "Desperate Youth, Blood Thirsty Babes" e "Return to Cookie Mountain" (no passado está o ouro da banda). Ou quando Kevin Parker fizer "Let It Happen" parar no tempo, tornando-se loop, e fornecer às margens do Taboão o escapismo psicadélico e dançável que merece (os Tame Impala tocam quinta-feira, com "Currents", álbum de sintetizadores e menos guitarras, fresquíssimo). Outra hipótese: quando Father John Misty e as almas à frente dele entoarem, também na quinta, em uníssono "Oh, honeybear" durante o passo trôpego das guitarras ("I Love You, Honeybear" é um dos discos bonitos de 2015).

Ainda não pusemos as cartas todas na mesa. É importante estar atento, no dia 21, aos The War on Drugs, que em 2014 elevaram a sua arte eléctrica (com fantasmas de Dylan e de Springsteen) a novos píncaros de excelência, tal como é importante pôr os olhos no palco quando Charles Bradley, estrela tardia da soul, escrever, nessa mesma noite, do alto dos seus 66 anos, uma carta de amor ao género.

Urge ouvir a música dos ingleses Slowdive (históricos do shoegaze dos anos 90 regressados à vida, tratado de distorção, sonho e beleza servidos lenta e intensamente); a voz com asfalto de Mark Lanegan; a psicadelia restaurada com precisão pelos Temples, que fazem tudo como se o calendário tivesse parado em 1969; Lykke Li, que em "I Never Learn" (2014), saída de uma separação dolorosa, fez canções recolhidas, com instrumentação escassa e uma voz que se impõe; e o duo Ratatat, de volta às fantasias em torno da história da música pop com o novo disco "Magnifique".

Neste Paredes de Coura, haverá rock com economia e tareia punk (Blood Red Shoes, Ceremony, Iceage), fantasias roqueiras de garagem (White Fence; Fuzz, o altar ao rock mais pesado e sujo montado por Ty Segall e amigos; e os Pond, que já tiveram Kevin Parker, dos Tame Impala, nas suas fileiras) e a música profundamente americana de Steve Gunn, que tem guitarra prodigiosa, na esteira de John Fahey, metida em corpo folk-rock.



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