Alemanha reduz previsão de crescimento para 0,5% em 2026 após o choque energético
A inflação deverá, por sua vez, atingir 2,7% este ano, contra os 2,1% previstos em janeiro, e 2,8% no próximo ano, impulsionada pelos preços da energia.
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O Governo alemão reduziu para metade a previsão de crescimento para 2026, de 1,0% para 0,5%, prejudicada pelo choque energético provocado pela guerra no Irão, apresentando um desempenho inferior ao dos seus vizinhos europeus.
"A recuperação económica esperada para este ano é, mais uma vez, travada por choques geopolíticos externos", segundo a ministra da Economia, Katherina Reiche, que sublinhou simultaneamente a "necessidade de reformas estruturais profundas para recuperar uma economia em crescimento e competitiva", um dos objetivos do Governo do chanceler Friedrich Merz, no poder há quase um ano.
A inflação deverá, por sua vez, atingir 2,7% este ano, contra os 2,1% previstos em janeiro, e 2,8% no próximo ano, impulsionada pelos preços da energia.
Já particularmente afetada pelo choque energético devido à guerra na Ucrânia, consequência da forte dependência do gás russo, a Alemanha "encontra-se novamente no fim da tabela em termos de crescimento na União Europeia (UE), apesar de importantes impulsos orçamentais", resumiu a ministra perante a imprensa.
Entre os vizinhos, a Itália reviu ligeiramente em baixa a previsão de crescimento do PIB, para 0,6% em 2026, enquanto a França estima em 0,9%.
"Isto demonstra que a fraqueza do crescimento [alemão] é, acima de tudo, de natureza estrutural", acrescentou a responsável, enquanto outros países "cumpriram as suas obrigações em matéria de reformas", tirando lições da crise financeira e económica da década de 2010.
As projeções do Governo estão dependentes da evolução do conflito no Médio Oriente, que permanece muito incerta, razão pela qual o executivo alemão prevê cenários alternativos em função dos preços da energia.
No cenário mais desfavorável, o crescimento poderá sofrer uma redução adicional de cerca de 0,5 pontos este ano, enquanto a inflação aumentaria 1,6 pontos percentuais.
Berlim alinhou as previsões com as dos principais institutos de conjuntura económica do país, que já tinham revisto em baixa as projeções no início de abril, para um aumento de 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 e de 0,9% em 2027, devido ao forte aumento dos custos energéticos associado à guerra.