União Europeia Brexit: May e Juncker falham acordo, nova reunião ainda esta semana

Brexit: May e Juncker falham acordo, nova reunião ainda esta semana

Há dois assuntos em que britânicos e Comissão Europeia ainda não chegaram a acordo, o que impediu que houvesse uma passagem, já hoje, à segunda fase das negociações. Fronteira entre as Irlandas continua a ser ponto sensível.
Brexit: May e Juncker falham acordo, nova reunião ainda esta semana
Reuters
A primeira-ministra britânica e o presidente da Comissão Europeia não chegaram a acordo sobre algumas das principais matérias envolvendo a saída do Reino Unido da UE, travando para já a passagem a uma segunda fase do diálogo. 

Theresa May e Jean-Claude Juncker confirmaram a ausência de um entendimento no final de um almoço em Bruxelas esta segunda-feira, 4 de Dezembro, mas prometeram nova reunião até ao final desta semana.

"Tivemos um encontro francamente construtivo... Ela [May] é uma negociadora dura, não é fácil. Tem defendido o ponto de vista do Reino Unido com toda a energia que sabemos que ela tem," afirmou Juncker, citado pela Reuters, que afirmou ainda que não foi possível "alcançar um acordo completo".

"Ambos os lados têm trabalhado arduamente de boa fé. (...) Mas num par de assuntos persistem diferenças que necessitam de mais negociação e consultas, que irão continuar. (...) Voltaremos a reunir-nos antes do final da semana e estou confiante de que teremos uma conclusão positiva," acrescentou Theresa May, na conferência de imprensa conjunta, numa referência ao alcance de um acordo a tempo da cimeira europeia da próxima semana, que se realiza a 14 e 15 de Dezembro.

Esta segunda-feira terminava o prazo dado a Londres por Bruxelas para clarificar a posição sobre três questões que impedem o avanço para a segunda fase de negociações: a relação na fronteira entre as duas Irlandas, o valor da factura do divórcio e os direitos pós-Brexit dos cidadãos europeus a residir no Reino Unido e vice-versa.

Segundo o The Guardian, um dos temas em que poderá ter havido uma cedência por parte de Londres foi em relação à exigência da Irlanda em manter um alinhamento da Irlanda do Norte com aquele território da União Europeia, em termos de leis e regulação, garantindo assim um estatuto de excepção à região.

Contudo, o esboço da proposta não agradou aos unionistas irlandeses, que suportam o governo minoritário de May. A BBC refere que terá sido uma chamada desse partido, o DUP, a travar as possibilidades de um acordo já hoje. "Eles estão comprometidos, mas os termos [da proposta de acordo] eram muito fortes para eles," disse uma fonte do governo à Sky.

Segundo o esboço a que o The Guardian teve acesso, a proposta estabelece que "na ausência de soluções acordades o Reino Unido assegurará que continuará a haver um alinhamento regulatório", numa alusão aos princípios de mercado interno e união alfandegária.

Os unionistas mantêm uma posição aparentemente inflexível acerca da futura relação com a República da Irlanda, rejeitando manter uma relação com Dublin diferente da que ficar consagrada para os restantes países que compõem o Reino Unido. As dúvidas fazem com que se tema o regresso à violência que marcou a relação antes do acordo de paz de 1998.

"Não aceitaremos qualquer forma de divergência regulatória entre a Irlanda do Norte e o resto do Reino Unido," avisou no entanto a líder do unionista DUP, alertando que a integridade económica e constitucional britânica "não pode ser comprometida."

Na semana passada foi noticiado que Theresa May está disponível para pagar entre 45 e 55 mil milhões de euros para concretizar a saída do bloco europeu, um montante próximo dos 60 mil milhões exigidos por Bruxelas. Por acordar estará ainda a questão dos direitos, a reunião familiar – familiares directos dos imigrantes – e a possibilidade de o Tribunal Europeu de Justiça continuar a ter jurisdição sobre o Reino Unido.

Após seis rondas negociais que não permitiram avanços nas conversações, Bruxelas definiu o dia 4 de Dezembro como limite máximo para que Londres clarifique até onde está disposta a ir. 

A pressão cresce de intensidade sobre Theresa May, que assumiu o compromisso de, em Março de 2019, levar o Reino Unido a abandonar a UE. Segundo escreve hoje a agência Reuters, antes de almoçar com May, Juncker vai reunir-se com Michel Barnier, o negociador europeu encarregado de chefiar as conversações com Londres.



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