Conjuntura Forte aumento das importações atira Portugal para défice externo

Forte aumento das importações atira Portugal para défice externo

A melhoria no saldo da balança de serviços não foi suficiente para compensar o agravamento do desequilíbrio na balança de bens.
Forte aumento das importações atira Portugal para défice externo
Bruno Simão
Nuno Carregueiro 19 de julho de 2017 às 13:16

O saldo conjunto das balanças corrente e de capital foi negativo em 447 milhões de euros nos primeiros cinco meses deste ano, o que traduz um agravamento das contas externas de Portugal.

 

Nos primeiros cinco meses do ano passado o saldo também era negativo, mas de menor dimensão: 337 milhões de euros. Já nos primeiros quatro meses deste ano o saldo era positivo (823 milhões de euros), quase duplicando o registado no período homólogo.

 

Maio foi assim um mês negativo para as contas externas portuguesas, que passaram a ser deficitárias, piorando face aos meses anteriores deste ano e contra o mesmo período do ano passado.

 

A culpa é das importações, já que o agravamento do défice da balança de bens foi determinante para o comportamento conjunto do saldo conjunto das balanças corrente e de capital.

 

As importações aumentaram 16,3% nos primeiros cinco meses do ano, uma taxa de crescimento bem superior ao registado nas exportações, que cresceram 13,3%. O resultado traduz-se num agravamento do saldo da balança de bens para um valor negativo de 4.437 milhões de euros, que compara com -3.329 milhões de euros no mesmo período do ano passado.

 

Na balança de serviços o saldo continua a ser positivo e até aumentou, para 4,803 milhões de euros, mas insuficiente para compensar a quebra nos bens.  

  

"O aumento do excedente da balança de serviços observado em maio foi insuficiente para compensar o aumento do défice da balança de bens. Até Maio, a balança de bens e serviços registou um excedente de 366 milhões de euros, menos 531 milhões de euros do que no período homólogo", refere o Banco de Portugal numa nota publicada esta quarta-feira, 19 de Julho.

 

Somando bens e serviços, as exportações cresceram 13,4%, também abaixo do incremento registado nas importações (15,7%).

 

Tal como se tem verificado nos últimos meses, a contribuir para a evolução positiva da balança de serviços continua a estar a rubrica "Viagens e turismo", que aumentou para 3.070 milhões de euros, o que representa um aumento de 607 milhões de euros.

 

Também a penalizar o saldo conjunto esteve a balança de rendimento primário, que atingiu um défice de 2.299 milhões de euros, mais 186 milhões de euros do que no período homólogo "influenciado pelos dividendos pagos ao exterior em Maio".

 

A compensar, o excedente da balança de rendimento secundário aumentou 409 milhões de euros, "em resultado da variação das transferências correntes recebidas e da diminuição da contribuição financeira paga à União Europeia".

Balança de pagamentos

A balança de pagamentos regista as transacções que ocorrem num determinado período de tempo entre residentes e não residentes numa determinada economia. Essas transacções são de natureza muito diversa encontrando-se classificadas em três categorias principais:

- balança corrente, que regista a exportação e importação de bens e serviços e os pagamentos e recebimentos associados a rendimento primário (ex: juros e dividendos) e a rendimento secundário (ex: transferências correntes);

- balança de capital, que regista as transferências de capital (ex: perdão de dívida e fundos comunitários) e as transacções sobre activos não financeiros não produzidos (ex. licenças de CO2 e passes de jogadores);

- balança financeira, que engloba as transacções relacionadas com o investimento, nomeadamente investimento directo, investimento de carteira, derivados financeiros, outro investimento e activos de reserva.




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mais votado Anónimo 20.07.2017

As reformas pararam e o despesismo com salários injustificáveis e futuras pensões disparou, iniciando a contagem decrescente para o próximo resgate à República Portuguesa. O engano ou ilusão que se viveu entre 2005 e 2010 está a ser minuciosamente replicado pelo novo governo socialista. Não tenhamos dúvidas disto. Portugal julga-se imune à quarta revolução industrial e mais uma vez opta por não participar nela ou não se adaptar a ela julgando ser possível viver como economia de elevado rendimento usando o paradigma do funcionalismo público excedentário alavancado pelo crédito bancário subsidiado e tendo uma fé inabalável no turismo.

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Anónimo 20.07.2017

A dívida pública anda a bater recordes. Mas o pior é que a banca de retalho subsidiada pelo Estado está mesmo à espera disso para aumentar a carteira de clientes e elevar o "produto bancário". A banca de retalho tradicional é a maior amiga do excedentarismo, da falta de transparência e demais fontes de despesismo. Não brinquem mais com o fogo que esta pandilha é perigosa e totalmente irresponsável.

Anónimo 20.07.2017

É preciso alertar a sociedade e educar os políticos portugueses mais distraídos para os perigos e falácias subjacentes ao pensamento único eleitoralista que não se apercebe que distribuir salários e benefícios a privados que não passem pelo crivo regulador e orientador das forças de mercado é tão mau para a sustentabilidade do Estado, incluindo o Estado de Bem-Estar Social, a competitividade da economia e o nível de equidade na sociedade, como distribuir subsídios e adjudicações a privados obedecendo à mesma lógica discricionária, e vice-versa. Sindicalismo selvagem de compadrio e capitalismo selvagem de compadrio são uma e a mesma coisa e encerram em si as sementes do mesmo mal cujos frutos são pobreza, subdesenvolvimento, injustiças e insustentabilidade que transformam aquilo que poderia ser um luxuriante e frondoso pomar numa tenebrosa mata de dependência e crise.

Anónimo 20.07.2017

Em países que se deixaram capturar por uma cultura desonesta, onde o mais desonesto vence, e provinciana, pouco atenta à realidade global e à modernidade tal como ela lhes chega do mundo mais desenvolvido, com leis atrasadas, estupidamente redigidas e permissivas a todos os abusos e abusadores, o sindicalismo e o capitalismo de compadrio são capazes de pôr o ofertante de factor trabalho, bens ou serviços com zero procura de mercado na economia, chamemos-lhe o vendedor de areia no deserto, a viver tão ou mais confortavelmente do que o ofertante de factor trabalho, bens ou serviços com muita procura de mercado nessa mesma economia, chamemos-lhe o vendedor de água no deserto. E é claro, uma economia assim cheia de distorções, frontalmente anti-mercado, atrasa-se e empobrece.

Anónimo 20.07.2017

As reformas pararam e o despesismo com salários injustificáveis e futuras pensões disparou, iniciando a contagem decrescente para o próximo resgate à República Portuguesa. O engano ou ilusão que se viveu entre 2005 e 2010 está a ser minuciosamente replicado pelo novo governo socialista. Não tenhamos dúvidas disto. Portugal julga-se imune à quarta revolução industrial e mais uma vez opta por não participar nela ou não se adaptar a ela julgando ser possível viver como economia de elevado rendimento usando o paradigma do funcionalismo público excedentário alavancado pelo crédito bancário subsidiado e tendo uma fé inabalável no turismo.

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