Economia G7 pede menos proteccionismo mas divide-se no clima

G7 pede menos proteccionismo mas divide-se no clima

Apesar das promessas de Washington de proximidade a Moscovo e de políticas proteccionistas, as referências ao comércio livre e à manutenção de sanções à Rússia passaram ao comunicado final do G7. O compromisso com o Acordo de Paris é que não.
G7 pede menos proteccionismo mas divide-se no clima
Reuters
Paulo Zacarias Gomes 27 de maio de 2017 às 16:59
Os líderes das sete economias mais desenvolvidas do mundo concordaram este sábado na manutenção de sanções à Rússia devido à questão da anexação da Crimeia e concordaram em combater o proteccionismo e em manter a Organização Mundial do Comércio como "polícia" das trocas comerciais mundiais.

Estas são duas das conclusões a que a reunião dos líderes do G7 chegaram no encontro que este sábado, 27 de Maio, termina em Taormina, na Sicília, Itália.

Assim, até que estejam implementadas as condições sobre a relação entre a Rússia e a Ucrânica acordadas no processo de paz de Minsk, as sanções económicas vão manter-se, tal como se mantém a disponibilidade para aprofundar essas sanções caso o comportamento de Moscovo o justifique. A Rússia foi afastada deste grupo em 2014 exactamente por causa da anexação.

"Comprometemo-nos a trabalhar juntos para melhorar o funcionamento da OMT, para garantir a implementação total e transparente e o cumprimento efectivo e atempado de todas as regras da organização pelos seus membros," lê-se na declaração assinada pelos chefes de Estado.

Além destes dois pontos colidirem com promessas do presidente norte-americano de incrementar a relação com o Kremlin e apostar em políticas proteccionistas, a dividir seis das economias mais ricas do mundo e os Estados Unidos ficou sobretudo a questão das alterações climáticas, com Washington a pedir mais tempo para clarificar a sua posição.

Os EUA recusaram assim subscrever a defesa do Acordo de Paris de 2015 - assinado por Barack Obama mas de que o actual presidente Donald Trump já sugeriu desvincular o país, -, tendo a chanceler alemã considerado que "toda a discussão sobre o clima foi muito difícil, para não dizer insatisfatória".

Angela Merkel lamentou não haver "indicações sobre se os EUA vão ficar ou não dentro do Acordo de Paris. No Twitter, o presidente Donald Trump prometeu dar a conhecer a sua posição sobre o acordo para a redução das emissões de dióxido de carbono na semana que vem.

Os países pediram ainda a atenção para a defesa dos direitos humanos de imigrantes e refugiados numa altura em que às portas da Europa persiste a maior crise humanitária das últimas décadas. Mas deixaram a mensagem de que os Estados têm o direito de controlarem as suas fronteiras. 

À Coreia do Norte o grupo deixou um apelo ao abandono de todos os programas de mísseis balísticos e armamento nuclear.

O G7 é composto pelos Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, França, Canadá, Itália e Japão.



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mais votado Anónimo 27.05.2017

O JdN que fique atento ao governo de Macron. Políticas muito boas, que se distinguirão pela sua justeza, do ponto de vista estritamente social, e pela sua visão, do ponto de vista estritamente económico, muito esclarecedoras e definitivas, estão para acontecer, primeiro em França e depois no resto da Eurozona. "We will gradually enter a time where having a lifetime employment based on tasks that are not justified will be less and less sustainable - we're actually already there." - Emmanuel Macron www.msn.com/en-gb/video/other/french-civil-servants-no-more-jobs-for-life/vi-AAeGlDD

comentários mais recentes
Anónimo 27.05.2017

O Jornal de Negócios devia elaborar sobre as transformações que economias mais desenvolvidas estão a viver há muito, criando assim as condições para se distanciarem ainda mais de economias capturadas pelos oligopólios, o sindicalismo e o neoludismo como a portuguesa e grega. Economias suicidas anti-mercado e anti-capital.

Anónimo 27.05.2017

O maior processo de substituição de factor produtivo trabalho por factor produtivo capital da história da humanidade está-se a dar no mundo desenvolvido. Certos países podem, artificialmente, de modo fantasioso e inconsequente, atrasá-lo temporariamente a nível interno decretando aumentos salariais muito acima do preço de mercado e instituindo arranjos laborais intocáveis para toda a vida. A consequência disso será o aumento insuportável do endividamento excessivo e da carga tributária, que incidirão negativamente sobre o nível e qualidade de vida de toda ou uma grande parte da população adulta actual e futura, elevando o atraso e os níveis de iniquidade e insustentabilidade nesses países para patamares indecorosos dignos dos Estados falhados do chamado Terceiro Mundo.

Anónimo 27.05.2017

O JdN que fique atento ao governo de Macron. Políticas muito boas, que se distinguirão pela sua justeza, do ponto de vista estritamente social, e pela sua visão, do ponto de vista estritamente económico, muito esclarecedoras e definitivas, estão para acontecer, primeiro em França e depois no resto da Eurozona. "We will gradually enter a time where having a lifetime employment based on tasks that are not justified will be less and less sustainable - we're actually already there." - Emmanuel Macron www.msn.com/en-gb/video/other/french-civil-servants-no-more-jobs-for-life/vi-AAeGlDD

Conselheiro de Trump 27.05.2017

Como o dia hoje era destinado ao fumo os chineses disseram q nao podiam estar presentes.Ou nao sao eles a maior potencia economica do mundo.Q faz la a Italia se estao ligados a maquina desde q o anfitriao fina flor mario draghi abriu a torneira da desgraca.Visita de cortesia apenas:lembrar passados.

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