Mundo Obama junta-se a Renzi na luta contra a austeridade

Obama junta-se a Renzi na luta contra a austeridade

De visita aos Estados Unidos, o primeiro-ministro italiano recebeu palavras de apoio do presidente norte-americano. Obama considera que "Renzi representa um líder para o futuro da Europa". Já Renzi agradeceu a Obama "o apoio na batalha contra a austeridade".
Obama junta-se a Renzi na luta contra a austeridade
Reuters
David Santiago 19 de Outubro de 2016 às 14:16

Barack Obama e Matteo Renzi, Estados Unidos e Itália. Dois líderes, dois países, a mesma família política e uma agenda: o crescimento. No âmbito da visita do primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, aos Estados Unidos, o presidente norte-americano, Barack Obama, fez questão de demonstrar o seu apoio ao líder transalpino, não só relativamente às reformas promovidas por este ao nível doméstico, mas também na medição de forças entre Roma e Bruxelas. Os dois governantes realizaram na passada terça-feira uma conferência de imprensa conjunta.


"Os Estados Unidos apoiam com vigor as reformas de Matteo Renzi e esperam que este processo não seja interrompido com o referendo sobre a Constituição", disse Obama citado pelo Corriera della Sera. Ainda sobre o referendo constitucional transalpino agendado para 4 de Dezembro – em que Renzi propõe alterar a lei eleitoral de forma a promover a governabilidade do país através do favorecimento de maiorias parlamentares – Obama disse estar "a torcer por Renzi" e esperar que este "permaneça na política mesmo que vença o ‘não’".

 

"O ‘sim’ ajudará Itália. As reformas são as necessárias", afiança Obama. Mas se Renzi chegou a anunciar que se demitiria se o eleitorado italiano não desse a vitória ao "sim", agora limita-se a dizer que o que irá acontecer no dia seguinte ao referendo só se saberá depois.

 

Durante o dia de ontem ficou clara a proximidade entre os dois governantes. "A agenda da Itália é a mesma da dos Estados Unidos", sustentou Renzi secundado por Obama que considera tratar-se de "dois países que defendem os mesmos valores". Proximidade que se verifica também ao nível daquilo que os dois países consideram dever ser a relação de Roma face à União Europeia.

 

"Estamos de acordo sobre o facto de que é necessário apostar no crescimento e na prosperidade das pessoas: Matteo [Renzi] está a promover reformas em Itália, embora encontre resistências e inércia, mas a economia mostrou sinais de crescimento", disse o presidente norte-americano.

 

Obama acrescentou depois que "Itália fez o que tinha de fazer, reformas, mas a Europa deve encontrar um forma de crescer mais rapidamente" e, não se ficando por aqui nos elogios ao chefe do Governo transalpino, rematou considerando que "Renzi representa um líder para o futuro da Europa".

 

"Agradeço a Obama o apoio na batalha que Itália está a travar pelo crescimento e contra a austeridade", respondeu Renzi que olha para o exemplo norte-americano como "ponto de referência da batalha que a Europa" tem de travar. Como tal, já depois de pedir "desculpa por utilizar uma expressão copiada", Renzi recordou o "Jobs Act" – reforma laboral por si promovida em Itália – uma aposta que "criou 588 mil novos postos de trabalho". Depois de um Orçamento do Estado de 2016 em que o Executivo do PD chefiado por Renzi apostou no corte generalizado de impostos e na subida dos rendimentos, no passado sábado o Governo transalpino aprovou um Orçamento para o próximo ano que tem como linhas mestras a redução do IRC e o aumento das pensões mínimas.

"É o momento de apostar no crescimento e no investimento"

"Sem colocar ênfase na procura, no crescimento e nos investimentos que criam emprego", prosseguiu Renzi enquanto recebia - segundo refere o La Stampa - sinais de concordância de Obama, "a fragilidade económica na União Europeia regressará o que causará impacto em todo o mundo, inclusive nos Estados Unidos".

 

Obama concordou com a visão apresentada por Renzi, explicando, em contraposição à posição predominante em Bruxelas, que não basta prestar atenção exclusiva à redução dos défices orçamentais: "É o momento de apostar no crescimento e no investimento. Nós diminuímos o défice não só porque cortámos a despesa mas também porque o fizemos de forma a arrecadar maiores receitas orçamentais", atirou Obama.

 

Perante o aproximar do fim do seu segundo mandato como presidente e a pouco mais de dois meses de abandonar a Casa Branca, Barack Obama aproveitou a presença de Renzi em Washington para instar a UE a não se limitar a políticas de contenção orçamental, até por formar a apoiar a "geração de jovens europeus" sem emprego, penalizada em termos de "rendimentos e dinamismo económico". Depois de falar com Renzi sobre "os desafios com que a UE se depara", Obama afiançou que "estamos de acordo que [a UE] tem de concentrar-se no crescimento".

No mesmo dia, em entrevista concedida ao La Repubblica, Obama tinha ido ainda mais longe ao dizer que "as medidas de austeridade contribuíram para abrandar o crescimento na Europa". Na mesma entrevista, o político norte-americano sinalizava a sintonia com Renzi, um político que "compreendeu" a necessidade de implementar reformar que aumentem a produtividade estimulem investimentos. 

Dever-se-á agora seguir uma visita de Obama à Grécia, outro país do Sul europeu cujo Governo de Alexis Tsipras também se afirmou como opositor da estratégia política escolhida pela UE como resposta à crise financeira e subsequente crise das dívidas soberanas. Segundo escrevia na terça-feira o jornal grego Khatimerini, Obama deverá viajar até à Grécia nos dias 14 e 15 de Novembro. 

(Correcção: O título tinha "contra" a mais)




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