Economia Portugal tem um grande défice de habitação, em particular entre os ciganos, diz comissário europeu

Portugal tem um grande défice de habitação, em particular entre os ciganos, diz comissário europeu

O comissário europeu para os Direitos Humanos, Nils Muiznieks, denunciou o "grande problema" de Portugal em matéria de habitação, particularmente em relação aos ciganos, defendendo que se trata de um desafio a longo prazo que tem de ser resolvido.
Portugal tem um grande défice de habitação, em particular entre os ciganos, diz comissário europeu
Bloomberg
Lusa 11 de março de 2017 às 12:39

De visita a Portugal durante três dias, e cinco anos depois de ter estado no país pela primeira vez, Nils Muiznieks deslocou-se a Torres Vedras para perceber o ponto da situação das políticas de integração dos ciganos em Portugal, já que a sua vinda insere-se no âmbito do seu trabalho de monitorização.

 

Em entrevista à agência Lusa, o comissário europeu apontou que Portugal tem um "grande problema" para resolver, que é o "grande défice de habitações em geral, mas em particular entre os ciganos". "Este é um problema mais amplo que tem de ser resolvido e é reconhecido pelo Governo. Estão à procura de fundos para o fazer, mas tem de haver uma política de habitação de longo-prazo, habitação social, adaptada não só aos ciganos, mas a todos os grupos vulneráveis que precisam de habitação", disse Nils Muiznieks.

 

Para o comissário europeu, trata-se de um "desafio a longo prazo que ainda tem de ser resolvido", mas que não é o único que Portugal tem de enfrentar no que diz respeito às comunidades ciganas. "Resolver as condições sociais, da habitação, saúde, educação, sendo que os dados para a educação são bastante dramáticos, de acordo com o que li sobre Portugal, em que 15% de todos os ciganos são iletrados e 25% de todas as raparigas também", apontou.

 

No entanto, no que diz respeito aos direitos das mulheres, o comissário europeu referiu que o que se passa em Portugal não é diferente do que se passa noutros países europeus, "em que em muitas comunidades há papéis de género muito tradicionais". "Há o reconhecimento da necessidade de dar mais poder às mulheres e de mudar a atitude dos homens no que diz respeito às mulheres activas", apontou o comissário, acrescentando ter ficado com a percepção de que tanto os mediadores ciganos como as autoridades nacionais "estão conscientes desse desafio".

 

Nils Muiznieks concorda que estes não são problemas que possam ser mudados "do dia para a noite", mas defendeu que seja criada uma estratégia de longo prazo, com fundos, objectivos, monitorização e com "muito envolvimento por parte da comunidade cigana".

 

Uma das recomendações deixadas pelo comissário europeu ao Governo português foi a de envolver a polícia "tanto quanto possível" num diálogo com as comunidades locais, já que frequentemente as relações entre estas duas partes "são tensas". "É claro que a polícia também precisa de formação e precisam de recrutar junto das comunidades minoritárias para o serviço policial para que reflictam a sociedade no seu todo", sustentou.

 

Defendeu igualmente que são necessários organismos anti-discriminação mais activos e que os serviços do provedor de Justiça se devem dar mais a conhecer para que a comunidade saiba da sua existência e de como é que a podem ajudar.

 

Nils Muiznieks referiu, por outro lado, que abordou com a secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade, Catarina Marcelino, o facto de Portugal ter muitos planos sectoriais para os mais diversos temas e que "se calhar seria mais útil ter um plano de acção pelos direitos humanos". "Ajudaria a identificar falhas e a avançar de uma forma mais estratégica", justificou.

 

Em matéria de discriminação e preconceitos, o comissário europeu defendeu que muitas vezes são resultados de não se falar com a comunidade maioritária quando os governos tentam implementar programas de integração.

 

Entendeu, por isso, que é preciso interacção entre a comunidade maioritária e as várias minorias, apontando que "são precisos incentivos para que as pessoas interajam porque a interacção é que impede a segregação": "Quando as pessoas vivem separadas, quando vão para escolas diferentes, é quando há discriminação".

 

Nils Muiznieks elogiou, por outro lado, o facto de, no intervalo de cinco anos entre as duas visitas, Portugal ter procurado construir uma base de informação "muito melhor", o que permitiu conhecer melhor as necessidades das comunidades ciganas.

 

Destacou também o programa de mediadores, mas também o programa ‘Opré Chavalé’, através do qual o Governo atribui bolsas de estudo a jovens ciganos que queiram estudar no ensino superior.

Disse ainda ter ficado muito satisfeito por saber que o Governo aumentou de 50 mil euros para 150 mil euros o orçamento destinado a vários programas de organizações não-governamentais (ONG).




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Anónimo 12.03.2017

Mas já alguém viu ciganos a trabalhar? então porque hão de ter casa? Este palerma de comissário (burrocrata) sabe quanto custa aos portugueses terem casa? uma vida inteira de trabalho e às vezes ainda ficam sem ela quando já a têm quase paga... Se ele acha que os ciganos devem ter casa (subsídios com fartura já têm) então que nos mande para cá o dinheiro para que sejam feitas, agora com os nossos impostos, não... já chega o RSI para os rebanhos de filhos que fazem de propósito para esse fim.

pertinaz 12.03.2017

PORTUGAL TEM É DÉFICE DE ATENÇÃO, JÁ PARA NÃO FALAR DO OUTRO QUE É MARTELADO TODOS OS DIAS PELA ESCUMALHA QUE NOS DESGOVERNA !!!

Anónimo 12.03.2017

Este comissário deve ter raízes nazis e está a querer branquear a situação. Já todos sabemos que somos o penico da Europa onde todos tentam despejar os seus dejectos. Os ciganos a par com os banqueiros, serão talvez as classes mais privilegiadas deste país onde, praticamente, todo o ilícito lhes é permitido enquanto o restante povo, cumpridor da lei, é escandalosamente espoliado. Não tenho nada contra os ciganos e até acho que fazem muito bem em explorar a situação, já dos banqueiros não tenho a mesma opinião, bem pelo contrário.

Anónimo 11.03.2017


Portugal tem de repovoar com o seu próprio povo, há milhões de imigrantes e decêndent portugueses que regressariam a Portugal se o país criaria condições para o retorno dos portugueses. O maior benefício que Portugal receberia é o facto de os imigrantes portugueses terem agora fortes competências.

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