Economia Portugal terá em 2051 menos população do que em 1950

Portugal terá em 2051 menos população do que em 1950

Portugal é o sexto país mais envelhecido do mundo, e em 2051 terá menos população do que em 1950, envelhecida, mas mais instruída e saudável, conclui um estudo da Plataforma para o Crescimento Sustentável divulgado esta sexta-feira.
Portugal terá em 2051 menos população do que em 1950
Reuters
Lusa 14 de julho de 2017 às 22:09

O estudo, da autoria das investigadoras Teresa Ferreira Rodrigues e Filipa Castro Henriques, faz o diagnóstico das características demográficas nacionais, estima a situação futura com base em projecções e recomenda medidas para corrigir ou atenuar os problemas identificados, ao nível das políticas migratórias e de acolhimento de imigrantes, de natalidade e família e de emprego e educação.

 

Segundo o sumário executivo de "(re)birth: desafios demográficos colocados à sociedade portuguesa", estima-se que, em 2051, a população portuguesa seja de 8,4 milhões, menos do que a de 1950, em resultado do envelhecimento.

 

"Até nos cenários mais otimistas de recuperação da taxa de fecundidade e/ou de saldo migratório positivo será difícil evitar o declínio da população", defende o estudo, assinalando que, em 2051, "existirão três vezes mais idosos do que jovens", com os adultos a terem "uma média de idade mais avançada" e o grupo dos muito idosos, com 85 ou mais anos, a ser três vezes maior que o atual.

 

O trabalho destaca, como consequência do envelhecimento da população, a redução da população activa e disponível para trabalhar, estimando uma queda de 2,4 milhões de trabalhadores em 2051, ano em que o número de portugueses activos será idêntico ao recenseado em 1940, "caso não se registem alterações na estrutura do mercado de trabalho, na idade da reforma e no acolhimento de imigrantes". 

 

As autoras alertam, neste contexto, para os efeitos negativos na Segurança Social: a redução da população activa leva à diminuição das contribuições e o aumento da esperança média de vida conduz ao aumento da despesa com pensões de velhice e sobrevivência.

 

As investigadoras Teresa Ferreira Rodrigues (Departamento de Estudos Políticos da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa) e Filipa Castro Henriques (Observatório de Estudos Políticos) salientam ainda que o mercado de trabalho "sofrerá transformações significativas, com impactos profundos para a organização das sociedades", com a crescente robotização e digitalização.

 

O estudo adverte, por isso, que "a combinação e o cruzamento destas tendências demográficas e tecnológicas (...) colocam em risco o futuro e a sustentabilidade do Estado Social e de um modelo de sociedade (...) fortemente dependente das estruturas populacionais activas".

 

Entre as medidas propostas, as autoras do trabalho referem a flexibilização da idade da reforma, a conciliação entre a vida profissional e familiar, a remoção de obstáculos para quem deseja constituir uma família numerosa, políticas de migração que garantam a total integração dos estrangeiros residentes e incentivos à empregabilidade jovem e à retenção dos trabalhadores mais velhos.

 

Como positivo, o "(re)birth: desafios demográficos colocados à sociedade portuguesa" enumera o "bom acolhimento dos imigrantes", os "elevados progressos na saúde pública", com Portugal a ser um dos países com melhores indicadores de mortalidade infantil e juvenil e esperança média de vida, e a "evolução notável de escolarização", com o aumento de estudantes universitários, a redução do abandono escolar e a quase extinção do analfabetismo.

 

Constituída em 2011, a Plataforma para o Crescimento Sustentável apresenta-se como uma associação independente que visa "dar um contributo para a afirmação de um novo modelo de desenvolvimento sustentável". A entidade é presidida pelo ex-ministro do Ambiente Jorge Moreira da Silva.  




A sua opinião5
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
mais votado JCG Há 1 semana

Os discursos sobre a questão da evolução demográfica portuguesa normalmente são alarmistas e sofrem de evidentes deficiências de conceito e de reflexão.
Haver 10 ou 15 ou 5 milhões de residentes em Portugal é uma questão secundária: a questão essencial é a de garantir aos portugueses que viverem em Portugal em cada momento sejam eles quantos forem um um satisfatório padrão de vida.
Para isso é preciso garantir uma economia produtiva, que garanta um nível de produção que cubra os gastos e consumos dos residentes e sustentável, seja a mesma operada por 5 milhões de trabalhadores ou só por 2 milhões e meio e mais 2,5 milhões de robôs. É claro que garantido um certo nível de produção, será também necessário garantir um novo modelo de distribuição do rendimento. Já se fala em pôr os robôs a pagar impostos.
Imigrantes africanos e outros? porque raio não vão para a Rússia que tem muito espaço e pouca gente e quer ser uma superpotência para a o que precisa de peso demográfico?

comentários mais recentes
JCG Há 1 semana

É, de facto, uma questão que me assola amiúde: porque raio nas discussões sobre a recepção e acolhimento de imigrantes e especialmente de refugiados, envolvendo todos os figurões do mundo, incluindo a ONU, parece que é apenas a Europa ocidental que tem de levar com toda essa gente, nunca se perguntando à Rússia se não quer colaborar nesse esforço humanitário.
É claro que grande parte do território da Rússia é um bocado frio (tal como, por exemplo, no Canadá), mas se o clima está a aquecer, é de esperar que regiões até agora demasiado frias comecem a ficar mais atractivas para a fixação de humanos.
Casos de densidade populacional (número de residentes por Km2): Portugal: 115,3 (66º); Rússia: 8,3 (209º); Canadá: 3,92; Mongólia: 1,92 (238º); EUA: 33; China: 139,6; Índia: 329; Brasil: 23,8; Japão: 337; Espanha: 92,2; França: 98,8; Alemanha: 230; Reino Unido: 255,6; Itália: 201,3; Suécia: 20; Noruega: 12; Holanda: 405,6 (23º); Suiça: 186; Áustria: 100; Hungria: 109; Bélgica: 342.

JCG Há 1 semana

Os discursos sobre a questão da evolução demográfica portuguesa normalmente são alarmistas e sofrem de evidentes deficiências de conceito e de reflexão.
Haver 10 ou 15 ou 5 milhões de residentes em Portugal é uma questão secundária: a questão essencial é a de garantir aos portugueses que viverem em Portugal em cada momento sejam eles quantos forem um um satisfatório padrão de vida.
Para isso é preciso garantir uma economia produtiva, que garanta um nível de produção que cubra os gastos e consumos dos residentes e sustentável, seja a mesma operada por 5 milhões de trabalhadores ou só por 2 milhões e meio e mais 2,5 milhões de robôs. É claro que garantido um certo nível de produção, será também necessário garantir um novo modelo de distribuição do rendimento. Já se fala em pôr os robôs a pagar impostos.
Imigrantes africanos e outros? porque raio não vão para a Rússia que tem muito espaço e pouca gente e quer ser uma superpotência para a o que precisa de peso demográfico?

Anónimo Há 4 dias

em comparação em 1900 Portugal tinha 2 milhões de habitantes!...no futuro o problema maior vai ser o do emprego; com inteligência artificial e a robotização das empresas ... a entrada massiça de imigrantes originarios da Africa e da Asia so vai aumentar ainda mais a pobresa e a miséria

Dono dos Burros Há 5 dias

Já não vou gozar do benefício. Mas é excelente. Há gente a mais e em todo o lado. Não se consegue andar sem ter alguém a estorvar, no passeio, nas bichas dos supermercados, nos transportes, nas estradas, .... É bom que assim seja. Devíamos ainda pagar a alguns para emigrarem e não voltarem.

ver mais comentários
pub
pub
pub
pub