Educação Alegada fuga de informação no exame de Português do 12.º ano vai ser averiguada

Alegada fuga de informação no exame de Português do 12.º ano vai ser averiguada

O Instituto de Avaliação Educativa (IAVE) vai remeter hoje para a Inspecção-Geral de Educação e Ciência e para o Ministério Público informações sobre uma alegada fuga de informação no exame de Português do 12.º ano.
Alegada fuga de informação no exame de Português do 12.º ano vai ser averiguada
Correio da Manhã
Lusa 21 de junho de 2017 às 14:27

A decisão surge na sequência da divulgação de um ficheiro áudio que revela informações sobre a prova de Português da primeira fase, realizada na segunda-feira, "e que alegadamente foi difundido antes da aplicação da prova", adianta o IAVE numa nota enviada à imprensa. 

 

"Como habitualmente", o IAVE "vai hoje remeter para a IGEC [Inspecção-Geral de Educação e Ciência] e para o Ministério Público todas as informações de que dispõe sobre o caso para efeitos de averiguação disciplinar e criminal", sublinha o instituto responsável pela realização dos exames. 

 

O jornal Expresso teve acesso ao áudio que circulou nas redes sociais alguns dias antes do exame nacional e que revelava o que ia sair na prova e que se confirmou.

 

Segundo o áudio, a fuga partiu da "presidente de um sindicato de professores".

 

Na gravação, feita por uma aluna que não se identifica, pode ouvir-se a estudante a dizer: "Ó malta, falei com uma amiga minha cuja explicadora é presidente do sindicato de professores, uma comuna, e diz que ela precisa mesmo, mesmo, mesmo só de estudar Alberto Caeiro e contos e poesia do século XX. Ela sabe todos os anos o que sai e este ano inclusive".

 

"Pediu para ela treinar também uma composição sobre a importância da memória e outra sobre a importância dos vizinhos no combate à solidão", acrescenta a aluna na gravação.

 

Segundo o Expresso, a situação foi denunciada ao Ministério da Educação por Miguel Bagorro, professor na Escola Secundária Luísa de Gusmão, em Lisboa, que teve conhecimento da gravação no sábado, através de um aluno a quem dava explicações de Português.

 

"Na altura não liguei, até porque todos os anos há boatos a circular sobre o que vai sair nos exames. Mas na segunda-feira, quando vi o que saiu na prova, fiquei estupefacto. O que foi dito na gravação foi exactamente o que saiu. Logo nesse dia, escrevi uma denúncia ao Ministério da Educação", contou Miguel Bagorro ao Expresso.

 

Na denúncia que enviou ao Ministério da Educação e ao Júri Nacional de Exames, o professor refere que esta alegada fuga de informação "compromete seriamente a justiça do exame de Português" e defende que este "deveria pura e simplesmente ser repetido".

 

"Independentemente de vir ou não a ser anulada, o que me parece óbvio é que tem de haver um controlo muito maior sobre as provas porque o que aconteceu descredibiliza totalmente os exames nacionais", disse o professor ao jornal.

 




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comentários mais recentes
Anónimo 21.06.2017

Se foi uma professora comuna e dirigente sindical, perguntem ao Nogueira, que é o homem que sabe tudo de professores .Já agora foi vergonhosa a greve dos professores, assim como a dos técnicos de diagnóstico .Num momento tão trágico do País esta tralha faz greve .Não estão contentes? Saiam.

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