Política PCP diz que subida de preços “absorve parte significativa” da reposição de rendimentos

PCP diz que subida de preços “absorve parte significativa” da reposição de rendimentos

As subidas de preços nos transportes ou energia, com que os portugueses estão a ser brindados no início deste ano, estão a deixar o PCP preocupado. Isto porque, defende, vão “absorver uma parte significativa da reposição do rendimento” iniciada no ano passado.
PCP diz que subida de preços “absorve parte significativa” da reposição de rendimentos
Miguel Baltazar/Negócios
Bruno Simões 03 de janeiro de 2017 às 19:06

O PCP enviou esta tarde um comunicado à imprensa em que se insurge contra os aumentos já anunciados nos preços da energia, transportes e comunicações. Os comunistas dizem-se preocupados porque os aumentos vão "absorver uma parte significativa da reposição do rendimento dos trabalhadores e dos reformados e pensionistas iniciada em 2016". Isto porque estas despesas assumem já um peso significativo nos orçamentos familiares.

Por outro lado, ainda que se tenha iniciado "a recuperação dos rendimentos perdidos", ela está ainda a acontecer "de forma insuficiente", de que é exemplo a subida do salário mínimo nacional para 557 euros, ainda "aquém do necessário".

A electricidade, os passes dos transportes ou as portagens são alguns dos serviços onde se registam subidas com a chegada do novo ano.

 

Por isso, é necessária "uma política patriótica e de esquerda que rompa com a matriz que há décadas é responsável pela estagnação do rendimento dos trabalhadores e dos pensionistas e reformados" e que "que melhore o poder de compra dos salários, das pensões e das reformas, que eleve o bem-estar das famílias portuguesas".

 

O PCP contesta os aumentos anunciados "nos últimos dias", no que se refere aos preços da "electricidade, aos combustíveis, às portagens, às comunicações e aos transportes públicos". Esses aumentos "serão projectados em cadeia nos preços de outros bens essenciais, nomeadamente na alimentação", o que constituiu "motivo de preocupação e discordância" para o partido.

 

De acordo com o inquérito do INE às despesas das famílias, "permitem concluir que as despesas em ‘Habitação, água, electricidade, gás e outros combustíveis’ representam 31,8% das despesas familiares. Os transportes "representam 14,7% e os ‘produtos alimentares e bebidas não alcoólicas’ representam 14,4%". O que significa que "estes três grupos de despesas representam, hoje, em média 60,9% do total das despesas familiares".

 

No ano 2000, estes três grupos pesavam menos: "representavam 53,5%" do orçamento familiar. O que significa que "quase dois terços das despesas familiares são hoje preenchidas com estes três grupos de despesas: habitação, transportes e alimentação".

Tal como escreveu o Negócios, com base nos referidos dados do INE, nunca os portugueses gastaram tanto do seu orçamento com as despesas relacionadas com habitação, energia e combustíveis.

 

Privatizações e cortes prejudicaram famílias

 

Ao aumento do peso destas despesas nos orçamentos não é alheia a "política de privatizações", que "entregou aos grandes grupos económicos nacionais e internacionais os sectores mais rentáveis da nossa economia", defende o PCP. Além disso, e em "resultado dos cortes que sucessivos governos efectuaram nos apoios à saúde e à educação", as despesas com habitação, água, electricidade, gás e outros combustíveis "aumentaram 2,6 vezes na estrutura das despesas familiares, passando de 12,4% para 31,8%".

 

Já as "as despesas em comunicações aumentaram três vezes, as despesas em saúde aumentaram quase três vezes e as despesas com educação quase quadruplicaram".

 

"Não é possível ignorar as consequências destes aumentos", diz o partido, que responsabiliza a "política de saque de rendimentos" atribuída ao anterior Governo liderado por Passos Coelho. Estes aumentos vão ainda levar "à acumulação dos lucros de algumas grandes empresas como acontece nos sectores da energia, dos combustíveis e das telecomunicações".




A sua opinião7
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
mais votado Anónimo 04.01.2017


Os FP/CGA devem mais de 30 mil milhões de € ao estado (aos restantes contribuintes).


400 milhões de Euros para aumentar as pensões baixas, são migalhas em comparação com...


os mais de 4600 milhões de euros que o Estado vai injetar, em 2017 (e injeta todos anos) através de transferências diretas do Orçamento do Estado (ou seja, com dinheiro pago em impostos pelos restantes portugueses) para assegurar o pagamento do buraco anual das pensões dos FP-CGA.


comentários mais recentes
Anónimo 04.01.2017


Os FP/CGA devem mais de 30 mil milhões de € ao estado (aos restantes contribuintes).


400 milhões de Euros para aumentar as pensões baixas, são migalhas em comparação com...


os mais de 4600 milhões de euros que o Estado vai injetar, em 2017 (e injeta todos anos) através de transferências diretas do Orçamento do Estado (ou seja, com dinheiro pago em impostos pelos restantes portugueses) para assegurar o pagamento do buraco anual das pensões dos FP-CGA.


Anónimo 04.01.2017

Estes comunas querem regular tudo, por eles até regulavam as vezes que eu vou à casa de banho ca*ar. Está mais que provado que as regulações deles só dão porcaria como se viu em todos os casos até hoje e se vê na Venezuela.

eduardo.santos 04.01.2017

Ó TÓ´TÓ esquerdista e de visão baixa, já todos nós o tínhamos dito, só tu dizias que estavas numa festa contra a direita --que te dá o salario mensal-- gentalha miserabel .

nuno 03.01.2017

Estes génios do PCP só vêem com um olho.
Então as reposições de que se fala foram só para alguns, mas os aumentos de preços foram para todos.
E o PCP está preocupado com esses "alguns".

ver mais comentários
pub