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Governo admite equacionar um “travão ao aumento anual da idade da reforma”

Em entrevista ao Público, a secretária de Estado da Segurança Social diz que pode ser necessário repensar o actual modelo, que prevê que a idade da reforma acompanhe a subida da esperança média de vida.

Vieira da Silva Cláudia Joaquim
Vieira da Silva Cláudia Joaquim Miguel Baltazar/Negócios
Negócios 09 de Dezembro de 2016 às 09:19

Questionada sobre a possibilidade de se pensar em voltar a colocar a idade legal da reforma nos 65 anos, Cláudia Joaquim nota que a evolução da esperança média de vida tem ditado que a idade da aposentação aumente um mês por ano, estando actualmente nos 66 anos e três meses. Para o futuro, "se calhar temos de equacionar um travão ou uma idade a partir da qual é preciso reequacionar o modelo", refere ao Público.

Contudo, reconhece que voltar aos 65 anos será difícil. "Um retrocesso da idade legal aos 65 anos e voltar ao modelo como estava [em que as pessoas podiam escolher ser penalizadas ou trabalhar mais meses] também tem consequências no sistema e não é um caminho fácil", acrescenta. Então uma idade fixa é para esquecer? "Estamos a equacionar todos os cenários."

A mesma edição do Público noticia que, dos 19 mil pedidos que deram entrada na Segurança Social em 2016 e que já foram analisados, 2.852 não fora concretizados porque os trabalhadores preferiram continuar a trabalhar depois de saberem o valor com que iriam ficar de reforma. Ou seja, 15% acabam por desistir.

Ao longo dos últimos anos parece ter-se adensado a desconfiança dos trabalhadores em relação à possibilidade de terem direito a uma pensão de velhice. O Público pergunta à secretária de Estado se esse receio é legítimo e Cláudia Joaquim sublinha que "não podemos, em nenhum momento, assegurar que um modelo de pensões é sustentável eternamente", uma vez que os pressupostos dessa análise podem mudar. O défice da Segurança Social nos últimos anos foi utilizado como argumento para dizer que ele está falido e começar a debater soluções através de privados, argumenta. "O fundamental é acreditarmos que o caminho é um sistema público, que deve ser avaliado permanentemente e se tiver de ser ajustado deve sê-lo de forma preventiva."

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