Agricultura e Pescas Capoulas Santos: Reforma estrutural da floresta é "tarefa gigantesca" e tem pacote de 700 milhões

Capoulas Santos: Reforma estrutural da floresta é "tarefa gigantesca" e tem pacote de 700 milhões

O ministro da Agricultura, Capoulas Santos, disse esta quinta-feira em Mação que a reforma da floresta é uma "tarefa gigantesca, tormentosa", realçando os apoios de todos os quadrantes a um "pacote florestal" de 700 milhões de euros até 2020. 
Capoulas Santos: Reforma estrutural da floresta é "tarefa gigantesca" e tem pacote de 700 milhões
Miguel Baltazar
Lusa 03 de março de 2017 às 00:08

"Se conseguirmos, numa matéria que é de interesse nacional, estabelecer um consenso mínimo, político e social, acho que temos condições para pôr em marcha uma reforma de longo prazo que visa essencialmente aproveitar património que está desaproveitado e com ele criar riqueza e criar emprego e, ao gerir de forma profissional e ordenada a floresta, reduzir drasticamente o risco de incêndios que decorre do abandono e má gestão" da mesma, disse o ministro da Agricultura.

 

"Atacar estes dois problemas é estar ao mesmo tempo a contribuir para reduzir o risco e, ao reduzir o risco, criar melhores condições de atractividade de investimento para um sector tão importante", que o Conselho Económico e Social (CES) disse representar 2% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional e contribuir com 2,6 mil milhões de euros para o saldo da balança comercial, numa fileira que agrega sete mil empresas, responsáveis por 115 mil postos de trabalho directos.

 

Em declarações aos jornalistas, no âmbito de um seminário sobre a da economia da floresta e do ordenamento do território organizado pelo CES, Capoulas Santos disse que esta sessão em Mação, Santarém, foi "a primeira vitória desta reforma", tendo destacado "a presença das confederações patronais e sindicais, sob a égide do CES, é demonstrativa que este assunto interessa ao país e no qual o país quer participar", tendo lembrado que o Conselho de Ministros que se realizará no dia 21 de Março vai aprovar o "pacote florestal", conjunto de diplomas que constituirá as bases de uma reforma estrutural na floresta portuguesa.

 

O ministro destacou a criação em dois anos de "uma base de regime cadastral florestal simplificado", com um "método mais expedito e menos oneroso".

 

Segundo Capoulas Santos, a partir desse cadastro vai ser possível "ter a identificação do património, que for possível ser identificado, e dar destino aquele que o não for através do chamado banco de terras e através da assunção da gestão, por parte do Estado, que por sua vez atribuirá a outras entidades gestoras, como cooperativas de produtores florestais e outras organizações de produtores, o terreno disponível e um generoso regime de incentivos fiscais".

 

Capoulas Santos referiu os 700 milhões de euros 2020 especificando que entre as principais fontes financiadoras, "estão o Plano de Desenvolvimento Regional (PDR), com 450 milhões de euros, o Fundo Florestal Permanente (FFP), que tem 25 milhões de euros por ano, o que totaliza 100 milhões de euros, a que se juntam verbas mais reduzidas de outros fundos".

 

O presidente do CES, Correia de Campos, disse à Lusa que a iniciativa sobre floresta e ordenamento do território, "a primeira de um conjunto de seminários sobre temas tão diferentes como a política fiscal, as migrações e a demografia, a segurança social", entre outras, decorreu no município de Mação "por estar situado no coração do maciço florestal do centro do país, que tem sido fustigado pelos incêndios, e pela estratégia moderna que o município adoptou para o sector".




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comentários mais recentes
Anónimo 23.06.2017

A indústria do eucalipto vale "115 mil postos de trabalho"? Deve ser muito mais, então e os bombeiros, os polícias que têm de cortar as estradas, os construtores que têm de refazer as casas ardidas, os médicos que têm que tratar as queimaduras, os cangalheiros que enterram os que não escapam...

Anónimo 03.03.2017

A floresta é o nosso petróleo, desprezada, queimada e abandonada ao longo dos anos. Precisa-se de fábricas para produção de energia com aquilo que as florestas nos dão de borla.

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