Agricultura e Pescas Conserveiras acham "absolutamente impensável" parar a pesca da sardinha

Conserveiras acham "absolutamente impensável" parar a pesca da sardinha

Os industriais das conservas criticam parecer "fundamentalista" que, se for seguido, vai parar as fábricas. E alertam para o impacto imediato nos consumidores europeus, "muito sensíveis às questões da sustentabilidade".
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António Larguesa 20 de julho de 2017 às 12:57

As empresas conserveiras consideram que é "absolutamente impensável de acontecer" uma paralisação completa da pesca de sardinha e durante um período mínimo de 15 anos, como recomendado pelo Conselho Internacional para a Exploração do Mar (ICES, na sigla em inglês), um organismo científico que aconselha a Comissão Europeia sobre as quotas de captura de peixe.

 

Em declarações ao Negócios, o secretário-geral da Associação Nacional dos Industriais de Conservas de Peixe (ANICP) insiste que "ninguém acredita numa coisa dessas", pois seria "muito mau" e "parava a frota toda, não sei quantas fábricas e empregos" em Portugal. Em 2016, o volume de negócios desta indústria ascendeu a quase 300 milhões de euros, sendo 75% obtidos nos mercados de exportação. Na sardinha, entre 30% e 40% da matéria-prima é portuguesa.

 

Crítico do teor "fundamentalista" do parecer que traça perspectivas negras sobre a evolução da população de sardinhas e faz esta recomendação inédita, Castro e Melo lamenta o dano imediato causado pela "inacreditável" divulgação deste documento, que nem é vinculativo. Sobretudo junto dos consumidores europeus, que "são muito sensíveis a estas questões de sustentabilidade", já que a imagem que passa é de que "parece que nós aqui estamos a dar cabo dos recursos" e "isso é mentira, com todas as letras".

 

O líder da ANICP, que faz parte da comissão de acompanhamento desta matéria, detalha que o Governo "está a acompanhar isto de perto" e espera "pelo menos uma nota oficiosa [do Executivo socialista] a repudiar" este parecer. Reforça que "ninguém está mais preocupado com a sustentabilidade do que a frota e a indústria" e contrapõe outros argumentos nesta discussão.

 

"Portugal e Espanha têm seguido à risca todas as recomendações. Mais: está provado que os problemas que existem com a sardinha não têm a ver com excesso de captura, mas com as condições climatéricas. Ou seja, mesmo que a captura pudesse parar estes anos todos, provavelmente ficaríamos na mesma situação. Parar 15 a 20 anos ou não parar, o resultado será o mesmo", conclui Castro e Melo.

Também o presidente da Associação Nacional das Organizações de Produtores da Pesca do Cerco (ANOP-Cerco), Humberto Jorge, já disse esta manhã estar "perplexo" com a recomendação do organismo científico sobre a suspensão da pesca da sardinha por 15 anos, considerando à agência Lusa que esse é um "cenário apocalíptico" e injustificado.




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