Comércio Havaianas a preço de saldo? A corrupção no Brasil explica

Havaianas a preço de saldo? A corrupção no Brasil explica

As Havaianas, famosos chinelos de dedo coloridos usados por celebridades como Kim Kardashian e Gwyneth Paltrow, nem sempre são baratas. Mas para os investidores que começam a entusiasmar-se novamente com o mercado de fusões e aquisições do Brasil, a companhia pode ser vendida a preço de saldo.
Havaianas a preço de saldo? A corrupção no Brasil explica
Luís Manuel Neves/Cofina
Bloomberg 31 de maio de 2017 às 18:30

Por não ser um dos activos core do grupo J&F Investimentos, a Alpargatas, fabricante dos versáteis chinelos de borracha, deverá ser uma das primeiras a ser colocada à venda se a sua holding precisar de dinheiro rapidamente, agora que os accionistas que controlam a empresa admitiram ter pago subornos. Não seria a primeira vez. A última dona da companhia - a construtora Camargo Corrêa – colocou-a à venda há menos de dois anos exactamente pelo mesmo motivo.

 

Apesar da maré de azar, a Alpargatas é bem gerida e um novo dono pode ser exactamente o que a empresa precisa para finalmente virar a página, afirmou Gustavo Gato, gestor da Explorador Capital Management, que tem acções da Alpargatas entre os seus activos. Apesar de as Havaianas estarem no topo das fabricantes de chinelos de dedos, com um par encrustado de cristais Swarovski vendido por 70 dólares na Saks Fifth Avenue, por exemplo, as acções da companhia são negociadas a apenas 12 vezes o seu lucro estimado para 12 meses, contra uma mediana de quase 19 vezes registada por 100 pares mundiais. A companhia é presidida por Márcio Utsch.

 

Para os investidores, o escândalo na J&F gerou um grande ruído que tem prejudicado as acções, salientou Gustavo Gato. "A Alpargatas tem um dos melhores gestores da indústria, do sector. Uma empresa incrível com uma marca incrível e é por isso que numa altura de crise se consegue encontrar um comprador."

 

A Alpargatas recusou comentar rumores de mercado, num e-mail enviado pela a sua assessoria de imprensa. A J&F não respondeu aos pedidos de comentário da Bloomberg.

 

Menos de um ano após a destituição da presidente Dilma Rousseff no âmbito do escândalo Lava Jato, o seu sucessor, Michel Temer, corre o risco de ter um destino semelhante. Os ânimos aqueceram outra vez depois de Joesley e Wesley Batista, cuja família controla a J&F, terem admitido crimes de corrupção e entregue ao Ministério Público Federal (MPF) uma gravação de áudio na qual Temer parece endossar o pagamento de suborno para manter em silêncio um político preso. As revelações provocaram quedas acentuadas nos mercados e levaram a S&P Global Ratings e a Moody’s Rating Service a alertarem para possíveis cortes na classificação de risco do país pelo temor de fracasso da agenda de reformas de Temer.

 

Os irmãos Batista compraram a participação da Camargo Corrêa na Alpargatas no fim de 2015 com um empréstimo de 2,67 mil milhões de reais (734 milhões de euros) da Caixa Econômica Federal, uma transacção que está a ser investigada pelo Tribunal de Contas da União (TCU). O momento e as condições do financiamento deram à J&F, que detém 21% da Alpargatas, vantagem sobre as ofertas rivais porque permitiram que a companhia pagasse o montante totalmente à vista e em dinheiro.

 

Agora, a J&F está a chegar a um acordo de leniência (acordo judicial em troca de entrega de provas) e pode ter de se desfazer de activos porque o Ministério Público Federal está a pedir11 mil milhões de reais em multas. O acordo ainda está a ser negociado e há um processo separado em andamento no Departamento de Justiça dos EUA.

 

Uma nova venda poderia ser um bom negócio para a Alpargatas e para as Havaianas, considera Daniela Bretthauer, especialista da Eleven Financial em São Paulo. Um par de chinelos da companhia normalmente custa entre 15 a 25 dólares.

 

"A marca em si é um sucesso", realça a responsável, que diz que "poderia valer muito mais."


Título em inglês: Maker of $70 Flip-Flops Suddenly a Steal as Brazil Crisis Grows




A sua opinião1
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
comentários mais recentes
Anónimo 01.06.2017

"As Havaianas, famosos chinelos de dedo coloridos usados por celebridades como Kim Kardashian e Gwyneth Paltrow" - mas o que é isto ?! estou a ler o correio da manha ou a flash ?! so falta no titulo a palavra 'Arrasa' ... sinceramente... assim se vê a qualidade deste jornal...cada vez pior

pub
pub
pub
pub