Imobiliário Investimento em imobiliário comercial atingiu “um patamar nunca atingido” em 2017

Investimento em imobiliário comercial atingiu “um patamar nunca atingido” em 2017

Os dados da JLL indicam que o investimento em imobiliário comercial, em Portugal, em 2017, atingiu os 1.900 milhões de euros. Este valor “projecta o ano de 2017 para um patamar nunca atingido em Portugal”.
Investimento em imobiliário comercial atingiu “um patamar nunca atingido” em 2017
Miguel Baltazar/Negócios
Ana Laranjeiro 03 de janeiro de 2018 às 14:30

O ano de 2017 foi positivo para o investimento em imobiliário comercial em Portugal. Os dados preliminares da JLL indicam que o investimento em imobiliário comercial atingiu um volume de cerca de 1.900 milhões de euros. Este valor representa um crescimento de mais de 640 milhões de euros face aos 1.254 milhões de euros registados em 2016. Além disso, e de acordo com o comunicado da empresa, "projecta o ano de 2017 para um patamar nunca atingido em Portugal".

A consultora que opera na área imobiliária explica que o investimento em imobiliário comercial no ano passado foi destinado "sobretudo aos mercados de retalho (37%) e de escritórios (33%), embora o industrial/logístico tenha este ano mais do que quadruplicado o seu peso (para 17%), ao protagonizar o maior negócio do ano (a compra do portfólio Logicor por um valor situado entre os 250-270 milhões de euros)".

A aquisição do Forum Coimbra, do Forum Viseu e do Vila do Conde Outlet foram negócios que, na área do retalho, se destacaram durante 2017.

"Com a actividade dominada pelos fundos de investimento (68% do total), os investidores internacionais aumentaram a sua quota no volume investido (de 85% para 91% em 2017)", nota ainda a consultora em comunicado.

No segmento dos escritórios "a absorção anual deverá atingir um volume de 165.000 a 170.000 metro quadrado, ou seja, entre 15% a 20% mais do que os 141.000 m2 tomados em 2016 e atingindo ao ponto mais elevado dos últimos 9 anos". As rendas neste segmento, depois de se terem mantido inalteradas nos últimos anos, terão crescido na casa dos 5% "com o valor prime a ficar agora nos 20 euros/m2/mês". Para 2018 e 2019, de acordo com a JLL, estão previstos 105 mil metros quadrados de novos escritórios na capital portuguesa "onde tende a crescer a procura por grandes áreas e por espaços de coworking".

Na área do retalho, o ano passado foi marcado pela abertura de mais de 80 novas lojas de rua em Lisboa e dois novos centros comerciais, um localizado em Évora e outro no Algarve. "A elevada procura de espaços de rua, especialmente na área da restauração, impulsionou as rendas, que cresceram em praticamente todos os destinos".

Para se ter uma ideia, no Chiado, em Lisboa, considerada como uma zona prime da capital, "a renda cresceu 8% para os €130/m2/mês; na Baixa, aumentou 17% para €105/m2/mês; e na Avenida da Liberdade, o valor ajustou em baixa cerca de 5% para os €85/m2/mês, devido essencialmente à elevada disponibilidade de espaços de retalho de qualidade que existem actualmente". No Porto, na rua de Santa Catarina, verificou-se uma estabilização nos 60 euros/m2/mês.

No mercado residencial, segundo a JLL, houve um crescimento médio dos preços na ordem dos 11%.

No segmento hoteleiro registou a abertura de 11 novas unidades em Lisboa, sendo que, o volume de investimento em activos hoteleiros em Portugal ficou acima dos 100 milhões de euros em 2017. O crescimento do turismo em Portugal ajuda a explicar esta evolução.

Pedro Lancastre, director-geral da JLL Portugal, em comunicado refere que o ano passado foi "espectacular para o mercado imobiliário em Portugal". "Já não estamos a falar de um percurso de recuperação, mas sim de expansão. No investimento e na actividade de ocupação e venda de escritórios, habitação e hotelaria, atingiram-se volumes de negócios e crescimento de valores que superam máximos atingidos no mercado. É um crescimento sustentado e sustentável, porque as fontes de procura são hoje muito mais diversificadas e o posicionamento de Portugal na captação de capital internacional não é conjuntural", acrescentou.

Para este ano, o responsável, em comunicado, aponta que, 2018 "será um ano de grande actividade, que, no mínimo, se manterá em linha com 2017". "O interesse internacional por Portugal, enquanto destino para investir, morar, trabalhar ou visitar, vai manter-se muito forte, ao mesmo tempo que os portugueses também estão mais activos. É uma tendência que afecta positivamente a procura por todos os tipos de imóveis e que terá uma abrangência geográfica cada vez maior, alargando a mercados secundários além de Lisboa, Porto, Algarve", sinaliza.

2017 melhor ano da JLL em Portugal

Há duas décadas em território nacional, a JLL atingiu em 2017 o seu melhor ano de sempre. O volume de negócios ficou 60% acima do ano anterior, segundo o comunicado da firma. Este comportamento ficou a dever-se tanto às áreas transaccionais, como às não transaccionais.

"Foi um ano [2017] de crescimento a dois dígitos - e até a três em algumas áreas de negócio - além de consolidarmos a nossa quota de mercado. Só na actividade transaccional de investimento, de ocupação de escritórios e venda de habitação premium, atingimos quotas de 30% a 45% do total negociado pelo sector, o que mostra o nosso contributo para o dinamismo do mercado", diz Pedro Lancastre, em comunicado.

"Este ano excepcional para a empresa e para o mercado imobiliário espelha também o contexto económico favorável e que surpreendeu pela positiva, numa altura em que as agências de notação reviram em alta o rating da dívida portuguesa. A conjugação destes factores impulsionou o crescimento económico, a confiança internacional, o financiamento e o investimento",acrescentou.




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comentários mais recentes
Anónimo 03.01.2018

O Diabo é o salário mínimo elevado e as prestações sociais generosas serem sustentáveis na Holanda, na Dinamarca, na Finlândia, na Suíça, até em Espanha, e em Portugal não o serem. E tudo com taxas de juro da dívida negativas ou bem próximas de zero, sem dívida pública excessiva fora de controlo, sem mortes perfeitamente evitáveis por conta do Estado que pressionado pela despesa reduz o investimento público ao mínimo e com inúmeras empresas sediadas localmente a criar valor no mercado global, agora e no futuro.

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