Indústria Lucros da Navigator aumentam 8,6% com corte de custos e aumento das vendas  

Lucros da Navigator aumentam 8,6% com corte de custos e aumento das vendas  

Os resultados líquidos aumentaram para 145,8 milhões de euros, ligeiramente acima do estimado pelos analistas do CaixaBI. Os incêndios provocaram um prejuízo de 2,2 milhões à companhia.  
Lucros da Navigator aumentam 8,6% com corte de custos e aumento das vendas  
Miguel Baltazar
Nuno Carregueiro 26 de outubro de 2017 às 07:15

A Navigator terminou os primeiros nove meses do ano com um resultado líquido de 145,8 milhões de euros, um valor que representa um crescimento de 8,6% face ao mesmo período do ano passado e fica ligeiramente acima do estimado pelos analistas do CaixaBI (144,3 milhões de euros).

 

Olhando apenas para o terceiro trimestre os lucros aumentaram 1,9% para 49,8 milhões de euros, com as vendas a subirem 5,4%.

 

A subida dos lucros nos nove meses é justificada pelo aumento das vendas, recuperação recente dos preços da pasta e redução de custos operacionais e financeiros.

 

As vendas aumentaram 4,7% para 1.209,8 milhões de euros até Setembro. Todas as áreas de negócios aumentaram as vendas, sendo que no papel foi atingido um novo recorde (1.158 toneladas). Na pasta as vendas cresceram 32% (reflectindo o maior volume e preços mais elevados), as vendas de energia eléctrica subiram 16% e no tissue o aumento foi de 11%.

 

No que diz respeito aos preços do papel (área de negócio com maior peso no grupo) a empresa diz que se mantém a "tendência positiva na evolução do preço", sendo que este ano foram implementados quatro aumentos de preços, que permitiram "atenuar o decréscimo de preço que se verificou no quarto trimestre de 2016".

 

EBITDA estável e redução de custos

 

Abaixo da linha das vendas, a Navigator apurou um EBITDA de 300,1 milhões de euros, uma queda ligeira de 0,5% face ao período homólogo, que resultou numa descida de um ponto na margem EBITDA para 25%.

 

Quando aos custos operacionais, aumentaram 4,2% para 185,5 milhões de euros, com a empresa liderada por Diogo da Silveira a destacar o impacto positivo de 18 milhões de euros do programa de redução de custos.

 

Ainda nos custos, mas agora financeiros, a Navigator também registou uma evolução positiva, já que os resultados financeiros negativos encolheram para menos de metade (de -16,6 milhões de euros para -6,5 milhões de euros), na "sequência da redução do custo com as operações de financiamento e do resultado positivo das coberturas cambiais".

 

A Navigator chegou a Setembro com uma dívida líquida de 742 milhões de euros, o que representa um aumento face ao período homólogo (723 milhões de euros), devido ao pagamento de dividendos (250 milhões de euros) e investimento (75,7 milhões de euros).

 

Incêndios custam 2,2 milhões

 

No comunicado com os resultados trimestrais, a Navigator refere que as estimativas apontam para que tenham ardido 2.700 hectares de eucalipto da empresa, a que corresponde um impacto negativo acumulado de 2,2 milhões de euros em activos biológicos.

 

No que diz respeito apenas ao terceiro trimestre, o impacto negativo no EBITDA foi de 1,4 milhões de euros, o que representa pouco mais de 1% do total obtido no período.

 

Estas perdas não contemplam ainda os incêndios de Outubro, nomeadamente de dia 15, que foi o "pior do ano", pois o "impacto financeiro ainda se encontra em fase de apuramento".

 

"Sendo difícil estimar as consequências destes incêndios no abastecimento de madeira em anos futuros, não se antecipam, neste momento, riscos no fornecimento de madeira às unidades fabris do Grupo", refere a empresa.

 




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mais votado Anónimo Há 3 semanas

É uma empresa que tem sido levada ao colo pelo Estado desde que foi fundada. Está repleta de ineficiências e excedentarismo. A gestão é medíocre ou apática e os colaboradores capturaram a organização. Podia dar 3 vezes mais lucro com metade dos colaboradores actuais. Podia inovar e expandir-se na criação de valor em inúmeras outras áreas de negócio tornado-se ainda maior e transformando-se num verdadeiro potentado que puxasse pela economia portuguesa no seu todo. Não é nada disso. Faz lembrar o monstro de corrupção, obscuridade, promiscuidade estatal e desperdício em que se tornaram algumas das maiores empresas brasileiras. E todos sabem em que é que isso deu no Brasil...

comentários mais recentes
Anónimo Há 3 semanas

O processo de criação de valor em economias avançadas com sistemas político-legais sérios: "Siemens Plans Thousands of Job Cuts Over Two Divisions" https://www.bloomberg.com/news/articles/2017-10-19/siemens-is-said-to-plan-thousands-of-job-cuts-over-two-divisions

Anónimo Há 3 semanas

Convém não esquecer que o resgate externo ao excedentarismo e sobrepagamento na banca e no sector público (contribuinte)-dependente em sentido estrito, foi facultado sob condição de se fazerem urgentes e necessárias reformas em termos de mercado de bens e serviços e de factores, incluindo o de capital e o laboral, de modo a que uma correcta e adequada política de gestão de recursos humanos nas organizações portuguesas passasse a ser a norma e não a excepção. Mas para que tal aconteça, toda a corrupção e tráfico de influências que sustentam e alimentam o status quo íniquo e insustentável terão de ser combatidas eficazmente.

Anónimo Há 3 semanas

A Navigator é boa empresa desde que isenções fiscais e fundos públicos de apoio discricionários deixem de ser a regra e passem a ser menos do que uma excepção. Quando isso acontecer a empresa terá de optar por uma gestão lean assente na boa gestão de recursos humanos e no investimento em capital com elevada incorporação de tecnologia automática que eleve a produtividade da empresa para outros patamares. Em França e Itália, países com vastas áreas com óptimas condições para a plantação de eucalipto, em vez de importarem a esperteza saloia da plantação de eucalipto australiano mantiveram as florestas de pinheiro, castanheiro, aveleira e nogueira, criando uma mancha verde florestal de espécies autóctones rica em frutos secos e madeiras nobres de elevado valor comercial que vários sectores da indústria transformadora de alto valor acrescentado aproveitam, que apresenta muito maior diversidade e é económica, paisagística e ambientalmente muito mais interessante e auto-sustentável.

Anónimo Há 3 semanas

É uma empresa que tem sido levada ao colo pelo Estado desde que foi fundada. Está repleta de ineficiências e excedentarismo. A gestão é medíocre ou apática e os colaboradores capturaram a organização. Podia dar 3 vezes mais lucro com metade dos colaboradores actuais. Podia inovar e expandir-se na criação de valor em inúmeras outras áreas de negócio tornado-se ainda maior e transformando-se num verdadeiro potentado que puxasse pela economia portuguesa no seu todo. Não é nada disso. Faz lembrar o monstro de corrupção, obscuridade, promiscuidade estatal e desperdício em que se tornaram algumas das maiores empresas brasileiras. E todos sabem em que é que isso deu no Brasil...

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