Banca & Finanças O problema do malparado na banca vai ficar resolvido?

O problema do malparado na banca vai ficar resolvido?

O último ano foi de diminuição do peso dos activos não rentáveis, como crédito malparado. Não chega. Não houve veículo, mas há uma plataforma. Só que cada banco tem de seguir o seu plano individual. O que leva tempo.
O problema do malparado na banca vai ficar resolvido?
Miguel Baltazar
Diogo Cavaleiro 29 de dezembro de 2017 às 18:00
Os bancos portugueses têm vindo a reduzir o peso do crédito malparado e de outros activos não rentáveis, mas não o suficiente. O Banco de Portugal e o Governo reconhecem-no como um problema ainda por resolver. E nem a plataforma de gestão constituída pelas três principais instituições do sistema tirará o tema de cima da mesa.

Em Junho do ano passado, contavam-se, no balanço dos bancos, 42,3 mil milhões de euros em activos não produtivos, sobretudo crédito malparado, os chamados NPE. O número representa uma quebra de 16% no espaço de um ano, segundo dados divulgados pelo Banco de Portugal.

"Não obstante esta evolução positiva, o esforço ainda necessário para reduzir os activos não produtivos para níveis mais sustentáveis é considerável. É neste contexto que assumem especial relevância os trabalhos que têm vindo a ser desenvolvidos para acelerar a redução destes activos no balanço dos bancos em Portugal", assinalou a vice-governadora, Elisa Ferreira, no Fórum Banca, que se realizou no final de Novembro.

Foi precisamente aí que o Governo também admitiu que este era um problema por resolver. "Com o sistema financeiro estabilizado e um sector bancário mais capitalizado, subsiste o desafio do crédito malparado", considerou o secretário de Estado Adjunto e das Finanças, Ricardo Mourinho Félix.

Um problema que permanece e que, em 2017, não pôde ser resolvido com a criação de um veículo para o malparado. Não houve acordo entre o Governo português, o Banco de Portugal e a Comissão Europeia sobre a forma como sairiam os créditos dos balanços nem sobre os remédios a que os bancos teriam de responder se houvesse uma ajuda do Estado, como uma garantia.

Os principais bancos, Caixa Geral de Depósitos, BCP e Novo Banco, que são também os que têm um maior peso do malparado nos balanços, acordaram a constituição de uma plataforma para gerir estes empréstimos que têm em comum. A entidade abriu as portas a outras instituições que queiram participar, desde que tendo devedores em comum. Neste caso, os créditos não saem dos balanços dos bancos, mas passam a ser geridos em conjunto, o que tem como objectivo acelerar o processo de resolução de cada caso.

Contudo, como admite o próprio Governo, a plataforma tem de ser "conjugada com um enquadramento legal e institucional", nomeadamente no que diz respeito ao processo de recuperação de empresas. O que leva tempo a criar.
Mesmo assim, nem todo o problema do malparado ficará resolvido porque não é extensível a todas as instituições nem a todos os devedores. Assim, pelo meio, os bancos têm de continuar a seguir o trajecto que têm feito: diminuir os créditos malparados, com amortizações e com a venda de carteira.

Só com a diminuição destes activos haverá condições para a rentabilidade na banca.



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mais votado Ativos rentáveis ou Ativos rendíveis ? Há 2 semanas

Rentáveis ou Rentabilidade, derivam de Renta, da Língua de Miguel Cervantes;
Rendíveis ou Rendibilidade, derivam de Renda, da Língua de Luís de Camões.
Respeito qualquer uma das opções.
Mas com o devido respeito não se olvide que:
Talvez o maior motivo de orgulho para qualquer Português (mormente para um Português longe de Portugal ), seja a extraordinária relevância que a Língua de Camões tem no mundo, recordação perene dos anos de ouro da nossa História, e menos dos anos de "apagada e vil tristeza " de domínio Espanhol que se lhes seguiram.

comentários mais recentes
O Problema e esses Politicos de Trampa. Há 2 semanas

O mal parado? Cham-lhes nomes bonitos, eu chamo-lhes Crime politico dos Ladroes que arruinaram Portugal. Primeiro BPN Banif BES. Alguem esta preso destes roubos ? leis feitas a sucapa para legalizar o Roubo a luz do dia, e sem ser punidos como Crime. Falta de moral neste antro de falsos cristaos.

Observador Há 2 semanas

Vai continuar ! Se nada se muda os vicios continuam . Despedir trabalhadores ? Mas isso já fazem ! No Banco de Portugal mudou-se ? Nas administrações bancárias alguêm está preso? Crei que não, por isso está tudo na mesma ... só temos que aguentar até quando ?Um Presidente e 1º ministro c/ tomates !

Anónimo Há 2 semanas

Malparado são os administradores de bancos que os levaram quase a ruína , e nalguns casos a ruína? Que tiveram de ser ajudados com dinheiro publico? Que continuam na banca? Ou é o Banco de Portugal?

Ativos rentáveis ou Ativos rendíveis ? Há 2 semanas

Rentáveis ou Rentabilidade, derivam de Renta, da Língua de Miguel Cervantes;
Rendíveis ou Rendibilidade, derivam de Renda, da Língua de Luís de Camões.
Respeito qualquer uma das opções.
Mas com o devido respeito não se olvide que:
Talvez o maior motivo de orgulho para qualquer Português (mormente para um Português longe de Portugal ), seja a extraordinária relevância que a Língua de Camões tem no mundo, recordação perene dos anos de ouro da nossa História, e menos dos anos de "apagada e vil tristeza " de domínio Espanhol que se lhes seguiram.

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