Empresas Trabalhadores da Autoeuropa rejeitaram pré-acordo negociado com a administração

Trabalhadores da Autoeuropa rejeitaram pré-acordo negociado com a administração

Uma maioria esmagadora dos trabalhadores da Autoeuropa rejeitou esta sexta-feira o pré-acordo alcançado pela Comissão de Trabalhadores para a implementação de novos horários por turnos mediante uma compensação financeira de 175 euros acima do valor previsto na legislação.
Trabalhadores da Autoeuropa rejeitaram pré-acordo negociado com a administração
Três quartos (74,8%) dos trabalhadores da Autoeuropa rejeitaram o pré-acordo alcançado com a administração da empresa.
Bruno Simão
Lusa 29 de julho de 2017 às 11:56

Três quartos (74,8%) dos trabalhadores da Autoeuropa rejeitaram o pré-acordo alcançado com a administração da empresa para a implementação dos novos horários por turnos, que obteve apenas 23,4% de votos favoráveis num universo de 3.472 votantes, disse à agência Lusa fonte da Comissão de Trabalhadores (CT) da construtora automóvel.

 

"Conseguimos negociar uma compensação financeira para os horários que a empresa pretende implementar para assegurar a produção do novo veículo T-Roc, sendo que esses horários são legais e deverão ser aplicados pela empresa, apesar desta votação", disse à agência Lusa o coordenador da Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa, Fernando Sequeira.

 

"Receio que nos trabalhadores que votaram pelo `não´ ao pré-acordo não tenham percebido que pode estar em causa, pelo menos, uma parte da produção do novo veículo T-Roc na Autoeuropa", acrescentou o coordenador da CT, que se escusou a explicar até que ponto a recusa do pré-acordo poderá comprometer o futuro da fábrica de Palmela.

 

Em comunicação enviada sexta-feira aos funcionários da Autoeuropa, o responsável pelos Recursos Humanos e Produção da Volkswagen, Jürgen Haase, lembrava que a Volkswagen tinha investido muito dinheiro para produzir o novo veículo T-Roc na fábrica de Palmela, advertindo também que os níveis de produção previstos exigiam novos horários, de três turnos, e trabalho aos sábados.

 

Não é a primeira vez que os trabalhadores da Autoeuropa rejeitam um pré-acordo negociado pela Comissão de Trabalhadores, situação que já tinha ocorrido em Julho de 2009.

 

Resta saber se, tal como aconteceu no passado, administração e trabalhadores serão capazes de encontrar forma de ultrapassar as divergências.

 

Os trabalhadores da Autoeuropa anunciaram a realização de uma greve de 24 horas para o próximo dia 30 de agosto.

Fiequimetal saúda rejeição de acordo por trabalhadores da Autoeuropa e quer nova solução

 

A federação intersindical Fiequimetal saudou hoje os trabalhadores da Autoeuropa que rejeitaram o pré-acordo alcançado pela Comissão de Trabalhadores para novos horários por turnos e mostrou-se disponível para encontrar uma nova solução com a empresa.

 

"A Fiequimetal e o SITE Sul saúdam os trabalhadores da Volkswagen Autoeuropa, que ontem [sexta-feira] rejeitaram uma nova versão do agravamento dos horários de trabalho, objectivo que está a ser perseguido pela administração da empresa, a pretexto do previsto aumento do volume de produção", lê-se na informação divulgada no portal na Internet da federação sindical ligada à CGTP.

Segundo a Fiequimetal e o SITE, a rejeição do pré-acordo por 74,8% dos trabalhadores mostra que "os trabalhadores da Autoeuropa sabem claramente o que querem", que "têm direito a descanso aos fins-de-semana, têm direito a melhor qualidade de vida, têm a preocupação de preservar a saúde".

 

"A Fiequimetal e o SITE Sul reafirmam que continuam disponíveis para encontrar uma solução que sirva os interesses dos trabalhadores, que são o verdadeiro motor da Autoeuropa", lê-se na informação hoje divulgada.

 

A federação sindical apela, por fim, a que os trabalhadores "não cedam a chantagens, venham elas de onde vierem, e se mantenham unidos e firmes nesta luta".

 

 

O pré-acordo entre a Comissão de Trabalhadores e a administração da Autoeuropa sobre os novos horários por turnos foi conseguido na quinta-feira.

 

O pré-acordo, segundo disse à Lusa fonte da empresa, foi aprovado por maioria na Comissão de Trabalhadores, mas com votos contra dos sindicatos afetos à CGTP, designadamente dos representantes do SITESUL, Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Sul, e da Fequimetal, Federação Intersindical das Indústrias Metalúrgicas, Químicas, Elétricas, Farmacêutica, Celulose, Papel, Gráfica, Imprensa, Energia e Minas.

 

 

 




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comentários mais recentes
Anónimo Há 3 semanas

Fiem-se nos sindicaleiros e depois queixem-se. Mas não ao Totta. Vão fazer companhia à lisnave, cuf, siderurgia, alfredo alves, oliva, fundição de oeiras e mais outras que, entregues ao povo que mais ordena, há muito que descansam em paz nas suas tumbas. Mas acabaram com os capitalistas. Ou não?

Anónimo Há 3 semanas

Algum de vós, comentadores de teclado, sabe o que é trabalhar numa linha de montagem da industria automóvel? Sabem o que são tendinites e todas a patologias associadas ao trabalho repetitivo? Conhecem a realidade da VW Autoeuropa pela voz de quem trabalha lá a 20 anos? Não devem saber.

Esquerda =Lixo Há 3 semanas

Esta empresa sempre cumpriu com tudo. E caso não saibas, a possibilidade de sairem de Portugal existe.
Aconteceu algo do género na Venezuela com a General Motors. 3000 sem emprego e uma região na miséria. Cuidado com esses pensamentos socialistas desmedidos. Podem sair caro

JMBorralho Há 3 semanas

"Abençoados"! A elite da indústria de montagem exige NÃO o cumprimento da lei, NÃO acima do que a lei obriga, mas ainda mais, sem ligar nenhuma ás consequências! "Ganda" país!

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