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BBC chega à Coreia do Norte

A BBC World Service vai alargar a sua actividade para 11 novas línguas e para territórios como a Coreia do Norte, naquela que é considerada a sua maior expansão em 70 anos.

Coreia Norte Kim Jong-un
Coreia Norte Kim Jong-un Reuters
Negócios 16 de Novembro de 2016 às 12:33

"Este é um dia histórico para a BBC, anunciando a maior expansão do World Service desde os anos 40", afirma Tony Hall, director geral da operadora pública de comunicação britânica. A partir de agora, o serviço global da BBC terá transmissões numa série de línguas africanas faladas em países como Etiópia, Eritreia e Nigéria. Os novos idiomas da BBC também incluem línguas faladas no Paquistão, em certas regiões da Índia e o coreano.

A BBC oferecerá novos boletins da Rússia, um novo canal digital na Tailândia e um programa de rádio diário na Coreia do Norte. A emissora afirma em comunicado que a estratégia tem como objectivo trazer "jornalismo independente a milhões de pessoas por todo o mundo, incluindo em locais onde a liberdade de imprensa está sob ameaça", cita o Financial Times.

Fran Unsworth, directora da BBC World Service, afirma que a expansão de serviços para a Coreia do Norte trará uma oportunidade à população do país de acesso a informação livre, independente e imparcial.

O serviço radiofónico da BBC será lançado na Coreia do Norte na próxima primavera, e será transmitido em baixa frequência, de forma a contornar os censores do governo de Kim Jong Woon. Segundo o BBC Monitoring, um serviço que se mantém a par sobre as histórias que são publicadas e transmitidas por outros media em todo o mundo, a Coreia do Norte ainda não sabia da vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais dos Estados Unidos.

O alargamento de serviços para a Rússia poderá ser visto com alguma desconfiança por Moscovo, sublinha também o Financial Times, após a NatWest ter encerrado as contas da emissora russa RT.

A nova oferta de serviços da BBC insere-se num financiamento do governo britânico de 289 milhões de libras (334,82 milhões de euros) até 2020 anunciado no ano passado, avança a Reuters.

Unsworth garante que o apoio monetário do Estado não comprometerá a independência do serviço. Numa entrevista à BBC Radio 4 confessa ser "irrelevante" a origem do dinheiro.

A nova estratégia da BBC surge ainda num contexto em que o serviço público britânico de rádio e televisão tem vindo a passar por pressões financeiras no Reino Unido. O governo acordou com a BBC um corte no financiamento e a emissora comprometeu-se a poupar 800 milhões de libras por ano para cobrir as taxas de licenciamento de cidadãos a partir dos 75 anos.

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