Mercados BlackRock aposta no lítio com olhos postos nos carros eléctricos

BlackRock aposta no lítio com olhos postos nos carros eléctricos

O lítio é das commodities com maiores valorizações este ano. A maior gestora de activos do mundo tornou-se no maior accionista de uma série de pequenas empresas mineiras.
BlackRock aposta no lítio com olhos postos nos carros eléctricos
Mariana Adam 18 de setembro de 2017 às 16:41

A BlackRock passou a ser a grande financiadora das start-ups de lítio. O maior gestor de activos do mundo está assim a apostar no "boom" dos veículos eléctricos, para cuja construção de baterias aquele mineral é essencial.

O BlackRock World Mining Trust, que tem mais de 800 milhões de euros em activos, tornou-se o maior accionista de uma série de pequenas empresas mineiras com o objectivo de produzir lítio para a construção de baterias eléctricas, escreve o Financial Times.


As produtoras desta matéria-prima têm tido dificuldades em acompanhar a procura, já que os carros eléctricos passaram das vendas residuais de há uma década para mais de meio milhão de veículos no ano passado. A crescente procura por estes veículos eléctricos fez com que os preços do carbonato de lítio, a base química produzida pela indústria, tenham subido cerca de 26% este ano, tornando-se uma das "commodities" com melhor desempenho.


"Hoje, o mundo está a evoluir nesta direcção, os motores de combustão vão ser substituídos por uma alternativa", afirmou ao FT Evy Hambro, um dos gestores da BlackRock World Mining Trust". Acrescentando: "Queremos estar por dentro das empresas que vão produzir as matérias-primas que serão necessárias para atingir esse crescimento". O jornal britânico refere que Evy Hambro é um dos investidores mineiros mais influentes do mundo.


O movimento da Blackrock é paralelo ao crescente interesse dos investidores no lítio, numa altura em que os governos e reguladores impulsionam a transição para carros eléctricos e os custos da bateria continuam a diminuir. Por exemplo, a receita do fundo negociado em bolsa da Global X Lithium & Battery Tech quadruplicaram este ano de 114 para 484 milhões de dólares, enquanto o Índice de Lítio Global Solactive, composto por 26 mineiras e fabricantes de baterias, apresentou um retorno total de 51% este ano.


A Austrália é a maior produtora de lítio, embora Chile e Argentina representem 67% das reservas globais, segundo a U.S. Geological Survey. A produção de lítio actualmente é dominada por quatro grandes players: SQM, FMC , Albemarle e Tianqi Lithium do Chile. Mas uma série de pequenas empresas estão a tentar posicionar-se. "Quem conseguir posicionar-se vai obter margens fortes", defende Evey Hambro.


Mas este optimismo não é partilhado por todos. Neil Gregson, que gere 2 mil milhões de dólares em acções de recursos naturais da JPMorgan Asset Management, avisa que muitos projectos novos têm dificuldade em começar a em produção, e os produtores já estabelecidos vão aumentar a oferta tendo em conta os preços mais altos. "É obviamente um tema que vai estar em alta por algum tempo, mas, como o urânio e as terras raras, nove dos 10 projectos nunca vêem a luz do dia", acrescentou Neil Gregson, assegurando que a experiência mostra que a entrada de novos 'players' demora tempo e o investimento é muito elevado.

O futuro pode não passar só pelo lítio, mas a data da morte do carro de motor a gasóleo e a gasolina está anunciada para 2040: o Governo britânico anunciou que nesse ano deixam de poder ser vendidos automóveis que usem estes combustíveis, com o objectivo de os fazer desaparecer completamente das estradas britânicas nos dez anos seguintes.

Londres segue desta forma Paris, que no início de Julho anunciou um plano para acabar com os automóveis a gasóleo e gasolina até essa data. Entretanto, várias marcas já anunciaram que a partir de 2019 vão produzir apenas veículos eléctricos ou híbridos.


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