Matérias-Primas Pesquisa de ouro em Boticas arranca em Agosto  

Pesquisa de ouro em Boticas arranca em Agosto  

Foram os romanos que começaram a exploração de ouro no território que agora corresponde às freguesias de Ardãos e Bobadela, em Boticas, distrito de Vila Real. Agora vai ser a Medgold Resources.
Pesquisa de ouro em Boticas arranca em Agosto  
Reuters
Lusa 09 de agosto de 2016 às 12:35

A empresa Medgold Resources disse que inicia este mês uma campanha de sondagens de ouro em Boticas, com 12 furos e um investimento de um milhão de euros, cumprindo medidas de minimização devido à localização num parque arqueológico classificado.

 

O projecto teve que obter um parecer favorável da tutela do património, está a ser criticado pelos arqueólogos e a ser tratado "com pinças" pela Câmara de Boticas, que quer conciliar a criação de emprego com a preservação do Parque Arqueológico do Vale do Terva, classificado como sítio de interesse público.

 

Foram os romanos que começaram a exploração de ouro no território que agora corresponde às freguesias de Ardãos e Bobadela, em Boticas, distrito de Vila Real.

 

Foi há cerca de dois mil anos e foram os vestígios deixados pela actividade mineira que levaram à criação do parque arqueológico e à sua classificação em 2013.

 

A canadiana Medgold Resources ganhou em agosto de 2013 os direitos de pesquisa de ouro num campo de 106 quilómetros quadrados, atribuídos pela Direcção-Geral de Energia e Geologia.

 

Este projecto obteve o estatuto PIN (Potencial Interesse Nacional) e, depois de uma fase de suspensão, a empresa cotada da bolsa de Toronto reactivou os trabalhos e inicia em agosto uma campanha de sondagens.

 

John Morris, um dos representantes da empresa, disse à agência Lusa que foram precisos "18 meses" para se encontrar uma solução que se adaptasse à exigência da tutela, a Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC), integrada no Ministério da Cultura.

 

Segundo o responsável, durante este mês de agosto dá-se início a uma campanha de sondagens, que inclui a realização de 12 furos e implica um investimento de cerca de um milhão de euros.

 

Fonte do ministério da Cultura disse à Lusa que terá que ser feito um "acompanhamento arqueológico, presencial e permanente de todas as operações que impliquem movimentação de máquinas e montagem de plataformas para a realização das 12 sondagens".

 

"De igual modo, a intervenção verificará o afastamento das zonas de pesquisa geológica e mineira em relação aos diferentes vestígios identificados, seja as frentes de exploração mineira romana, as galerias, os canais ou poços, de forma a impedir qualquer afectação negativa", acrescentou a fonte ministerial.

 

John Morris explicou que, por causa destas condicionantes, os custos de operação "vão aumentar 30%", bem "como os riscos para os trabalhadores, porque as máquinas terão que ser transportadas às costas e montadas nos locais".

 

O objectivo é evitar eventuais impactos negativos inerentes às movimentações da maquinaria.

 

No entanto, para se avançar com este trabalho foi preciso fazer uma inventariação arqueológica, que envolveu quatro arqueólogos independentes e registou mais de uma centena de novas ocorrências, como, por exemplo, parte do sistema hidráulico que foi usado na época romana para fazer o desmonte dos maciços rochosas onde estava o ouro, canais e cisternas, galerias de exploração directa e zona de lavagens.

 

Para o arqueólogo Luis Fontes, da Universidade do Minho, estes novos vestígios "confirmam o carácter excepcional da zona de mineração antiga" o que leva a ponderar a "possibilidade de solicitar a elevação do parque para monumento nacional".

 

"A exploração de ouro e a protecção deste património são projectos absolutamente incompatíveis e espero que a tutela tenha a coragem de tomar uma decisão, uma posição", afirmou o especialista que há vários anos faz escavações e estudos arqueológicos em Boticas.

 

O presidente da autarquia local, Fernando Queiroga, frisou que "este assunto está a ser tratado com pinças" e sublinhou a oportunidade de "criar emprego sem destruir o património".

 

"E isso está salvaguardado. Não prejudica o outro projecto a questão da exploração mineira e sempre fica alguma riqueza no concelho", salientou.

 

Os resultados das sondagens serão depois avaliados pela empresa mas, segundo John Morris, ainda há um longo caminho a percorrer até à possibilidade de vir a haver mina em Boticas. Para já, assumiu, "os resultados são animadores" e "justificam o investimento".




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