Obrigações Portugal oferece spread de 360 pontos base para emitir dívida a 10 anos

Portugal oferece spread de 360 pontos base para emitir dívida a 10 anos

A emissão de 3 divida sindicada a 10 anos já está no mercado, com o Tesouro português a oferecer um spread que vai colocar o custo da operação acima dos 4%.
Portugal oferece spread de 360 pontos base para emitir dívida a 10 anos
Pedro Elias

O IGCP está esta quarta-feira no mercado com uma emissão sindicada de dívida, com a qual pretende arrecadar 3 mil milhões de euros, estando a oferecer aos investidores um "spread" de 360 pontos base acima da taxa "mid-swap" do euro, noticia a Bloomberg.

 

Tendo em conta que este "benchmark" está hoje nos 0,6985% na maturidade a 10 anos, o custo da emissão vai ficar acima dos 4%. Somando o spread à taxa "mid-swap" a taxa é de 4,3%, mas a maturidade dos títulos que o IGCP está a emitir é superior a 10 anos (o prazo é de Abril de 2027).

 

E o "spread" de 360 pontos base é ainda indicativo, uma vez que só agora abriram os livros de ordens e este pode variar conforme evoluir o interesse dos investidores. Só no final do dia será apurado o custo que o Estado vai ter com esta emissão.

 

Mas já é possível adiantar que será superior a 4% e acima da taxa de juro que está a ser praticada no mercado secundário (4,05%), o que é habitual neste tipo de emissões de títulos de dívida soberana através de um sindicato bancário. Este tipo de operações permite, regra geral, angariar valores mais elevados que nos leilões regulares. 

 

A taxa vai também comparar de forma desfavorável com a última emissão do género, já que no início do ano passado o Tesouro tinha garantido quatro mil milhões de euros em títulos a dez anos com uma taxa de 2,973%.   

 

O Negócios noticiou ontem que o Estado quer angariar 3 mil milhões de euros com esta emissão, um valor que permite garantir 20% do montante pretendido para o total do ano. O montante a colocar  poderá, no entanto, sofrer ajustamentos, dependendo do apetite dos investidores.

 

A notícia da contratação de um sindicato bancário (BBVA, HSBC, JPMorgan, Morgan Stanley, Novo Banco e Société Générale) para colocar nova dívida a dez anos foi anunciada pela Bloomberg. Mas era já antecipada nos últimos dias pelos analistas e Mário Centeno tinha referido numa entrevista à Reuters esta segunda-feira que uma operação desse tipo estava em preparação.

Antes do arranque da emissão sindicada foi divulgado o programa de financiamento para 2017. O IGCP estima necessidades líquidas de financiamento de 12,4 mil milhões de euros. E conta emitir entre 14 mil milhões e 16 mil milhões em OT. No entanto, numa apresentação a investidores apontou para 15 mil milhões. Caso cumpra o objectivo para a emissão desta semana garante 20% do financiamento do ano.

 




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