Em busca do pavimento modular ideal

No plano teórico o pavimento modular de pneu usado tem vantagens competitivas em relação aos produtos existentes. Falta ainda o teste do real prototipagem e validação do projecto, enquanto produto e negócio
Em busca do pavimento modular ideal
Inesa Melnyk, liecnciada pela IADE - Universidade Europeia, desenvolveu um projecto de pavimento modular.
Correio da Manhã
Filipe S. Fernandes 31 de janeiro de 2018 às 14:12
O pneu surgiu à Inesa Melnyk como base para o seu projecto de pavimento modular porque os "materiais resultantes do pneu usado eram pouco explorados na perspectiva do design industrial". A designer, licenciada pelo IADE-Universidade Europeia, fez "uma pesquisa bastante aprofundada sobre o material e as suas características que resultaram em ideia de criação de pavimento que substituísse pavimentos semi-permanentes (como alcatrão, betão, etc). O facto de pavimento ser modular foi apenas uma consequência natural resultante de requisitos de produção e implementação".

O projecto tem passado pela recolha de informações académicas, pesquisa do mercado, projectos semelhantes, análise de dados existentes, elaboração dum plano de negócio, definição do público-alvo etc. Tudo isto porque será objecto de um artigo científico pois Inesa Melnyk está no último ano do mestrado de Design Industrial e do Produto da Universidade do Porto.

Como diz Inesa Melnyk "uma vez que o projecto é no âmbito do design industrial, foram adaptadas igualmente a metodologia de desenvolvimento do projecto e de empreendedorismo". Acrescenta que "esta forma de gerir o projecto tem sido também a maior dificuldade já que requer muito mais dedicação e precisão para obtenção de soluções igualmente boas do ponto de vista criativo, produtivo e empreendedor".

As vantagens do pavimento

O projecto do pavimento modular encontra-se na fase de definição itens como custos, produção, transporte, parceiros, distribuição, marketing, etc. "Idealmente a fase seguinte seria já a de prototipagem e validação do projecto, enquanto produto e negócio" diz Inesa Melnyk.

No plano teórico, o pavimento modular de pneu usado tem vantagens competitivas em relação aos produtos existentes em termos de durabilidade, absorção do choque, resistência, flexibilidade, anti-derrapagem, mobilidade e possibilidade de voltar a reciclar. Além disso, "como é um produto modular, de colocação e manutenção fácil, permite que seja adaptado conforme os espaços, e sem intervir de forma definitiva" remata Inesa Melnyk. Mas ainda não se chegou a uma projecção da dimensão do mercado potencial tanto nacional como internacional.

No desenvolvimento teórico do projecto tem contado com o apoio da Valorpneu e da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. No entanto "o projecto requer também o apoio financeiro para possibilitar a sua prototipagem funcional e eventualmente a sua validação. Certamente seria o factor vital para impulsionar a produção e venda do produto".

A sua experiência profissional tem sido em trabalhos de design gráfico. "No futuro próximo pretendo abrir uma empresa própria que englobe ambos, Design e Empreendedorismo, uma vez que, nos últimos dois anos, os projectos que realizei já englobavam essas duas dimensões" refere a designer.

Pneus com música

No Fundão um projecto junta o pneu à música num projecto de inclusão de social de crianças e jovens

"Temos um grupo de jovens com o qual temos trabalhado a música enquanto instrumento de inclusão, mas, depois do primeiro espectáculo surgiu a necessidade e a ideia de criamos instrumentos musicais, dando resposta ao sonho dos nossos jovens de terem uma banda" explica Virgínia Batista, animadora sócio-cultural, coordenadora do projecto Matriz E6G, promovido pelo Centro Assistencial Cultural e Formativo do Fundão. É um projecto de inclusão social de crianças e jovens oriundos de contextos mais vulneráveis da cidade do Fundão, que existe desde 2010.

Virgínia Batista refere que é comum "nas actividades do projecto "recorrer ao lixo" como forma de criarmos sustentabilidade, quer para a sociedade como um todo quer para o projecto Matriz". Nasceu assim o projecto Pneucurssão em que recorrem ao pneu para criar instrumentos musicais, bancos para os espectadores assistirem aos concertos, oficinas artísticas e acções sensibilização da comunidade escolar para a sustentabilidade ambiental.

Apoio de um maestro

O facto de existir o Prémio Inovação Valorpneu foi um acicate. Segundo Virgínia Batista este seria "o impulso necessário para ultrapassarmos alguns constrangimentos financeiros". O projecto Pneucurssão tem também a ambição de criar "um recurso de boas práticas que permita a outras instituições aplicarem as actividades práticas aos seus contextos". O projecto conta com o apoio de João Tiago dos Santos Roxo, director artístico da Orquestra Municipal do Fundão (OMF) e compositor, arranjador e maestro da Banda Filarmónica de Famalicão da Serra, Guarda.

Virgínia Batista já foi mentora de vários projectos de empreendedorismo social como a Mercearia Comunitas, um espaço onde as pessoas podem trocar entre si produtos ou serviços sem recurso directo a dinheiro, o Fornosso, dinamização de um forno público ou o Matbag, a criação de lancheiras através de tarjas de publicidade com o objectivo de criar em emprego a mães desempregadas de longa duração ou a Didlidu dos abraços bonecas feitas por mães desempregadas e jovens. 






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