Fevereiro: Crise em Angola agrava-se e portugueses aceleram êxodo

Os problemas provocados pela crise económica em Angola acentuaram-se no arranque deste ano, afectando os pagamentos e a circulação de capitais internamente. Com as contas congeladas e os salários em atraso, os emigrantes portugueses começaram a fugir.
Pedro Ferreira Esteves 12 de Dezembro de 2016 às 10:20
O diagnóstico não deixou margem para dúvidas: "sérias dificuldades de recebimento"; "mais de um semestre de atraso, chegando por vezes a 12 meses"; "regresso ao incumprimento"; "alteração dos projectos de internacionalização". As empresas portuguesas não pouparam no retrato que fizeram ao Negócios, já perto do final de Fevereiro, dos problemas que viviam em Angola.

A forte descida dos preços do petróleo provocou uma situação dramática entre a generalidade das empresas portuguesas que procuraram em Angola uma saída para a crise que enfrentaram, vários anos antes, em Portugal.

Resultado: "deslocalização das suas operações"; "a mudança para outros países ou o retorno a Portugal", vaticinavam as empresas, sem margem para dúvidas.
No dia 9 de Fevereiro, a Europa acordou em sobressalto. Os mercados bolsistas estavam a "derreter" e a fuga de capitais para os refúgios - ouro e dívida alemã - dava sinais de que o caso era sério. No final do dia, os piores cenários confirmaram. O índice bolsista de banca perdeu quase 30%, as quedas da bolsa oscilavam entre os 18,5% de Frankfurt e os  quase 40% de Atenas, com os índices a regressarem à década de 90. O receio em torno da fragilidade financeira da Europa, com o Deutsche Bank à cabeça, assustou muita gente. Dois dias depois, a tempestade desapareceu do mapa.
No dia 9 de Fevereiro, a Europa acordou em sobressalto. Os mercados bolsistas estavam a "derreter" e a fuga de capitais para os refúgios - ouro e dívida alemã - dava sinais de que o caso era sério. No final do dia, os piores cenários confirmaram. O índice bolsista de banca perdeu quase 30%, as quedas da bolsa oscilavam entre os 18,5% de Frankfurt e os quase 40% de Atenas, com os índices a regressarem à década de 90. O receio em torno da fragilidade financeira da Europa, com o Deutsche Bank à cabeça, assustou muita gente. Dois dias depois, a tempestade desapareceu do mapa.
Bloomberg

Uma crise em Angola com ondas de choque a todos os níveis. Politicamente, o regime assistiu ao acumular de suspeitas em Portugal sobre elementos-chave da cúpula de Luanda, com Manuel Vicente à cabeça, depois da detenção do ex-procurador português Orlando Figueira. Vicente foi durante muito tempo dado como sucessor de José Eduardo dos Santos, mas entretanto perdeu esse estatuto.

Financeiramente, os baixos preços do petróleo levaram a uma descida de 30% do kwanza em 12 meses, a cortes de "rating" e a uma escassez de moeda estrangeira na banca angolana - cenário que culminou, meses mais tarde, com um pedido de assistência financeira ao FMI.

Entretanto, na China - com cada vez mais peso na economia e nos negócios de Angola - surgiu o fantasma de um abrandamento da economia (uma das razões que também mudou o sentimento económico em Luanda). Mas rapidamente o governo de Pequim actuou, valorizando a moeda yuan contra todas as expectativas, e sossegando os mercados globais.

Tudo começou numa noite de Inverno no estado norte-americano do Iowa. Mais precisamente, a 1 de Fevereiro, quando foi dado o pontapé de saída na corrida à presidência dos Estados Unidos. Debaixo dos holofotes estavam dois candidatos improváveis: do lado democrata, Bernie Sanders, associado a políticas de esquerda pouco comuns nos EUA; e Donald Trump, um milionário, estrela de televisão, do lado republicano. Trump perderia no Iowa, mas estavam criadas as bases do maior choque político de 2016.
Tudo começou numa noite de Inverno no estado norte-americano do Iowa. Mais precisamente, a 1 de Fevereiro, quando foi dado o pontapé de saída na corrida à presidência dos Estados Unidos. Debaixo dos holofotes estavam dois candidatos improváveis: do lado democrata, Bernie Sanders, associado a políticas de esquerda pouco comuns nos EUA; e Donald Trump, um milionário, estrela de televisão, do lado republicano. Trump perderia no Iowa, mas estavam criadas as bases do maior choque político de 2016.
Reuters





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