Sintra, uma empresa cultural com palácios e florestas

A Parques de Sintra-Monte da Lua nasceu em 2000 para gerir a paisagem cultural de Sintra, a primeira na Europa a ser considerada como Património da Humanidade.
Sintra, uma empresa cultural com palácios e florestas
Manuel Carrasqueira Baptista, presidente dos Parques de Sintra-Monte da Lua.
Inês Lourenço
Filipe S. Fernandes 01 de junho de 2017 às 11:49
Os palácios, museus e parques de Sintra tiveram 2,65 milhões de visitantes em 2016 e, nos primeiros quatro meses de 2017, o número de visitantes cresceu 33%. Com uma particularidade, o número de visitantes portugueses ultrapassou o de espanhóis e franceses, revelou Manuel Carrasqueira Baptista, presidente dos Parques de Sintra-Monte da Lua. Esta "é uma empresa cultural" e sublinha que "não é por ter muitos visitantes que deixa de ser uma empresa cultural. O turismo surge como forma de sustentar a recuperação patrimonial, tanto natural como construído".

Esta empresa foi criada em 2000, no seguimento da classificação pela UNESCO da Paisagem Cultural de Sintra como Património da Humanidade, a primeira na Europa. Nasceu gerir os valores naturais e culturais, como o Parque, o Palácio da Pena, os Jardins e o Palácio de Monserrate, o Castelo dos Mouros, o Convento dos Capuchos, o Jardim e o Chalet da Condessa d'Edla, os Palácios Nacionais de Sintra e de Queluz e a Escola Portuguesa de Arte Equestre e ainda 700 hectares de floresta. "Apesar de Sintra ser um espaço pequeno, havia dezenas de instituições representativas dos diversos patrimónios, tanto natural como construído. Inicialmente não correu muito bem porque não tinha receitas nem visitantes e portanto não tinha sustentabilidade" lembra Manuel Carrasqueira Baptista.

As mudanças para ser sustentável

Refere que a mudança começou com a colaboração de diversas entidades, nomeadamente da Direcção-Geral do Património Cultural que permitiu a constituição numa única unidade do Palácio da Pena e do Parque da Pena, porque o palácio está dentro do parque. "Parece uma coisa simples mas foi uma mudança estrutural porque duas entidades a gerir o mesmo espaço é uma coisa complicada" refere Manuel Carrasqueira Baptista.

O segundo passo foi os palácios e jardins passarem a estar abertos todos os dias das 9H30 às 20H com as excepções dos dias de Natal e de Ano Novo. "Actualmente qualquer hora do dia é uma época alta em termos de horários" diz Manuel Carrasqueira Baptista.

Há dificuldades nas acessibilidades sobretudo no centro histórico, desde o trânsito aos transportes públicos que têm de ser resolvidas e ultrapassadas. Do património natural e cultural faz parte a floresta, com as suas condições específicas. Manter uma floresta no topo de serra como a de Sintra é muito diferente do que numa região plana ou numa floresta de exploração. Além disso mais de 40% do território desta paisagem natural é privado, com muitas ineficiências na exploração. "Uma das missões é o reordenamento do território juntamento com a Câmara Municipal, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas para que tudo possa funcionar na melhor ordem" diz Manuel Carrasqueira Baptista.





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