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Marco António Oliveira: Erros passados não se emendam

Se tiver comprado um jarro decorativo e por descuido no meio daquela confusão doméstica o partir, nada do que faça amanhã corrige o lamentável erro cometido hoje.

Negócios 18 de Novembro de 2016 às 09:57
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Os erros passados não se corrigem, não se emendam. Suponham que tenho a casa em obras, enfim, móveis fora do sítio e um verdadeiro pandemónio. Se tiver comprado um jarro decorativo e por descuido no meio daquela confusão doméstica o partir, nada do que faça amanhã corrige o lamentável erro cometido hoje. Amanhã lá tomarei novas decisões, que não devem estar condicionadas pela véspera. Se o estiverem, que seja no sentido de utilizar o passado como processo de aprendizagem, pois claro. Não como um correctivo em retrospectiva. Tal coisa não existe, é pura ilusão. O que está partido, partido está...

Contudo, o que se verifica - no contexto da psicologia do investidor - é a tendência ser, com frequência, não a de utilizar o passado como ferramenta de aprendizagem mas como condicionante para decisões futuras, qual ferramenta instrumental no processo de decisão futuro. Sendo a condicionante querer corrigir o passado em lugar de enfrentar o futuro com visão fresca e lúcida, sem raciocínios toldados pela visão turva de quem fez asneira no passado.

Ilustrando, no dia seguinte, o investidor vai comprar um jarro exactamente igual e dirá para consigo que terá mais cuidado para não partir desta vez. Se é que não compra dois. Qual Martingale. Qual falácia do Jogador. Pois que o azar não dura sempre e tal. E se piramidar, o retorno vem a dobrar.

Ora, o facto de não partir o segundo jarro não corrige em nada o facto de ter partido o primeiro. E esta é a perspectiva optimista para o futuro de um jarro. Pois senão, é pior a emenda...

E se isto poderá parecer óbvio demais ou, eventualmente, inútil, desenganem-se porque não o é. Não no contexto da psicologia do investidor. Nem tão óbvio, nem inútil. Porque eu não tenho que comprar o mesmo jarro. Aliás, não tenho que comprar jarro nenhum e ponto. Antes, o investidor que parta um jarro, em lugar de procurar outro exactamente igual, com esperança de emendar a mão e recuperar ali, no mesmo sítio, o que perdeu, mais depressa deverá procurar jarros de melhor qualidade ou uma outra qualquer peça decorativa que não parta com a mesma facilidade. Ou então, enquanto dura o pandemónio, não comprar jarro algum.

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