Sebastião Lancastre
Sebastião Lancastre 04 de julho de 2017 às 21:48

Pagamentos em dinheiro nas transações superiores a 3 mil euros? A mim não me proíbem!

Parece que os deputados com assento na Assembleia da República acordaram pôr fim à possibilidade dos portugueses realizarem pagamentos em numerário em transações superiores a 3 mil euros, como forma de limitar o branqueamento de capitais.

Como seria de esperar, o Banco Central Europeu veio criticar esta decisão. E porquê? Afinal, que efeito pode ter uma medida destas na vida das empresas e dos consumidores? Podemos estar perante a proibição de transações acima deste valor em euros, mas podemos continuar a realizá-los em dólares, em libras, ou em qualquer outra moeda em dinheiro e num valor muito superior a 3 mil euros. Num mundo como o de hoje, globalizado e interconectado, que sentido faz uma proibição do género?

 

Em primeiro lugar, estas medidas parecem-me desajustadas da realidade atual e das necessidades da economia global, pois são limitativas a uma sociedade moderna que procura cada vez mais a simplicidade aliada à segurança em todos os atos. Perante esta sociedade, devem os deputados centrar as suas atenções na criação de medidas limitadoras e que pouco contribuem para a economia, ou estar orientados para criarem ecossistemas favoráveis à formação de condições que facilitem os pagamentos e, acima de tudo, eduquem as pessoas para as vantagens da não utilização do dinheiro físico.

 

Não podemos e não devemos limitar ou proibir, mas sim educar, porque os prevaricadores encontrarão sempre formas de o fazer. Este é um tipo de medida que apenas prejudica o cidadão comum e honesto que vive do seu salário e paga os seus impostos. Se em Portugal temos já tantos e bons exemplos de como o incentivo aos meios eletrónicos dão retorno positivo, porquê que vamos abandonar este caminho nesta fase?

 

Atualmente, 100% das declarações de IRS são entregues por via eletrónica. Não porque foi imposto, não porque foi proibido fazê-lo de outra forma, mas porque após anos de campanhas informativas e de inúmeras experiências, esta veio a provar-se a melhor e mais fácil solução para o cidadão contribuinte e para o Estado. Utilizando este bom exemplo, em que diferentes Governos apostaram na informação aos cidadãos, incentivando-os a entregar o IRS pela via eletrónica, sei que é possível expandir meios como este a diferentes frentes, nomeadamente através do poder local, a quem o cidadão efetua diversos pagamentos.

 

A estrutura política em Portugal está criada de uma forma em que o poder local é aquele que está mais próximo do cidadão e com o qual os mesmo sente maior afinidade, não apenas política, mas nos atos mais simples do dia-a-dia. Acima do poder local, o Governo, pode e deve incentivar a que este torne os seus mecanismos mais simples, para que o caminho da simplicidade possa prosseguir. Como? Através da definição de objetivos claros que devem ser atingidos em prazos específicos. Se o Governo estabelecer patamares objetivos para o poder local implementar técnicas de simplificação de processos de pagamentos, é possível chegarmos a um ponto satisfatório de forma mais rápida, não através da proibição, mas ao mostrar que há formas mais fáceis de efetuarem pagamentos e ao incentivar a sua utilização.

Neste contexto, o conceito Uber veio provar que os consumidores e as empresas estão ávidos por soluções simples e fiáveis. Ao privilegiarmos medidas atrativas para a sociedade, neste caso concreto na área dos pagamentos, estamos a incentivar o uso dos pagamentos eletrónicos em detrimento do dinheiro físico. Uma compra ou transação realizada com pagamentos eletrónicos fica registada, permite identificar a origem e o destino do dinheiro.

 

Sabemos, por experiência, que as pessoas mudam o comportamento quando lhes facilitamos e simplificamos a vida. Se assim não fosse, não utilizaríamos o email, as aplicações no telefone, o dinheiro plástico ou o dinheiro digital. A enorme adesão a soluções como o UBER ou ePark comprovam que a digitalização simples e eficiente contribui para uma economia saudável e segura, da qual os cidadãos vão querer fazer parte e tomar o seu papel ativo.

 

A estratégia tem de assentar na mudança do comportamento das pessoas e das organizações e não pode atuar pela via da obrigatoriedade ou da proibição. Não vamos agir porque nos obrigam, vamos agir porque é mais fácil e vantajoso para nós, ao mesmo tempo que se torna mais vantajoso para entidade públicas, como exemplo do Estado, do seu Governo e do poder local.

 

CEO da Easypay

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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comentários mais recentes
Anónimo 27.07.2017

mais um idiota que educou o Sócrates,o Ferreira torres,o isaltino morais,a fatima felgueras,o Valentim loureiro etc,e não me venha dizer quer era por desconhecerem,proibição sim, e só tenho pena que não seja para todas as moedas

Anónimo 27.07.2017

A ti não te proíbem? Pareces procupado...

À atenção da "Judite"

Viriato 27.07.2017

Bom texto mas para outro país. Na Suécia vai acabar pagamento com dinheiro, não porque vá ser proibido, mas porque vai ser tudo eletrónico. Aqui, há restaurantes sem multibanco para não pagarem a comissão ao banco. Ganhei um prémio na lotaria e não me pagam sem ser por transferencia para uma conta bancária. Não que eu os proíba mas fazem-no porque lhes apetece. Estamos sempre "comidos" pela escumalha do Estado, duma forma ou outra. Só piam baixinho com as doenças...

Anónimo 26.07.2017

E COMO PAGAM OS GIGANOS AS CONTAS DESTE MONTANTE?
EM DÓLARES?

AINDA AQUI HÁ TEMPOS VI UM A PAGAR UMA OPERAÇÃO NO HOSPITAL DA LUZ, TUDO EM NOTINHAS!

SR SEBASTIÃO, SIMPLICIDADE NÃO É PAGAR EM NOTAS!

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