Baptista Bastos
Baptista Bastos 23 de Dezembro de 2016 às 09:50

Um importante livro de Pedro Foyos

No turbilhão dos anos de Abril, o velho jornal, que a tanta malandrice resistira, foi tomado de assalto por um grupo de "revolucionários" de última hora e cometeram malfeitorias morais e profissionais, que obtiveram eco por toda a Europa.
Li, com o prazer de quem regressa a um passado distante e tão próximo, o excepcional livro de Pedro Foyos, "O Caso do Jornal Assaltado", que repõe os factos de um assunto que muitos desejariam esquecido. No turbilhão dos anos de Abril, o velho jornal, que a tanta malandrice resistira, foi tomado de assalto por um grupo de "revolucionários" de última hora (tenho o nome de todos, e alguns bem pulhastros) e cometeram malfeitorias morais e profissionais, que obtiveram eco por toda a Europa. Vale a pena ler este importantíssimo documento, escrito por um jornalista de invulgar decência e talento, com quem trabalhei, no República, em anos de extrema dificuldade económica. Tudo o que ocorreu nesses anos terríveis é ali relatado com a decência e a honestidade moral de um homem raro, como Pedro Foyos.

Os factos, por mais pequenos que aparentem ser, as repercussões nacionais e internacionais de um assunto que mobilizou o país e o estrangeiro, as grandezas e as misérias de quem esteve envolvido no assunto que se tornou sórdido, são narrados, com exemplar dignidade, por Pedro Foyos, que lembra o tempo (com fotografia e depoimento) em que, muito jovens, ainda acreditávamos no céu e no inferno.

Este belo e honrado texto, escrito com a emoção de quem esteve por dentro de um assunto com repercussões morais e políticas por toda a Europa, relata não só o que se passou no exterior como que ocorreu no coração daqueles homens e o ruído que alcançou na rua e no estrangeiro, moldando uma geração e os destinos revolucionários de um tempo terrível e sem oclusão.

Li, com a atenção emocionada de quem esteve por dentro, este relatório sem omissões, que repõe a história no seu devido lugar e recupera para a verdade, tantas vezes distorcida e omitida, a realidade dos factos. Factos que muitos desejam omitir, e que possuem relações factuais com outros factos depois ocorridos, e com a "reconversão" de muitos trastes, reconvertidos aos fascínios do dinheiro e da tranquilidade social.

"O Caso do Jornal Assaltado" não pretende fazer ajustes de contas nem retaliar os momentos que ilustraram aquele assunto e ilustraram aquela época. Pedro Foyos limita-se a relatar os casos do caso e a deixar a outros os ajustes da justiça. Não omite por estratégia: relata o que, no seu entender, constitui factos da história. Um excelente trabalho de um excelente jornalista, que deixa aos outros a tarefa sempre insana de julgar.

Pedro Foyos é um nobre e honrado profissional de Imprensa, cuja natureza exprime a grandeza de um homem que jamais retaliou, e sempre dirigiu o seu destino sob os avisos da sua consciência. E este livro, impressionante e importante documento da nossa história, é um nobre documento a fixar.

Memória de Eugénio

Um outro grande jornalista, Fernando Paulouro, que, no Jornal do Fundão, elevou o texto português a níveis excepcionais, acaba de editar "A Materna Casa da Poesia". Memória e evocação de Eugénio de Andrade, outro dos maiores da nossa terra. Uma excursão memorável pela vida e pela obra do grande poeta, escrita com a amizade e a qualidade de um homem que sempre honrou e nobilitou o jornalismo, sem perder a atenção na futilidade e na desconversa. Um belo livro de relação e atenção a um homem e à sua obra, das maiores da nossa poesia.


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mais votado Anónimo Há 4 semanas


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comentários mais recentes
Falta o resto Há 4 semanas

Foram impulsionados por uma força politica já organizada e com a doutrinada da ditadura do proletariado já enraizada e era preciso silenciar adversários à moda Estalinista e até a tipografia de recurso no Barreiro foi impedida de imprimir. Não li o livro mas se disser o contrário mente

surpreso Há 4 semanas

Porreiro,BB !Como é Natal , hoje, não ofendeste o Passos Coelho

Anónimo Há 4 semanas

Blá, Blá, Blá. Como os nossos pseudoescrivas relatam factos (IMPORTANTISSIMOS), da nossa História recente. Que no fundo não passam de um chorrilho de Estórias que nada acrescentam à primeira (História recente). Como alguém diria (Eu sei o que tu sabes, que eu sei, que ele sabe que nós sabemos...).

Anónimo Há 4 semanas


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