Weekend Um ano de mínimos nos CTT

Um ano de mínimos nos CTT

A acção do ano é os CTT, que viveu um 2017 “horribilis”.
Um ano de mínimos nos CTT
Miguel Baltazar
Patrícia Abreu 22 de dezembro de 2017 às 14:03
2017 foi um ano "horribilis" para os CTT. A confirmação de que a companhia não será capaz de manter a sua política de dividendos, nem tão pouco cumprir as suas metas de resultados atirou as acções da empresa de correios para mínimos históricos. Em 12 meses, a empresa de correios perdeu 44% do seu valor de mercado.

O ano que está prestes a terminar foi o melhor da bolsa nacional desde 2015, mas, para os CTT, 2017 coincidiu com o pior período da cotada em bolsa. As acções da companhia liderada por Francisco Lacerda desvalorizam mais de 44% desde o início de Janeiro, tendo atingido mínimos nos 3,012 euros. Para quem comprou acções na Oferta Pública Inicial (IPO, na sigla em inglês), a 5,52 euros, o investimento apresenta um retorno negativo e já nem os dividendos são suficientes para compensar as quedas das acções em bolsa.

Depois de um primeiro alerta, no Verão de 2016, quando a gestão adiantou que não conseguiria atingir as suas metas para o ano, a divulgação de resultados do primeiro semestre trouxe a confirmação das dificuldades da companhia. A revisão em baixa do dividendo em 10 cêntimos e a descida das estimativas de resultados por parte da gestão da companhia, após a apresentação dos resultados, aceleraram uma onda de cortes de avaliação por parte dos analistas e traduziram-se em quedas expressivas em bolsa, com a companhia a tornar-se o mais recente alvo dos especuladores.

Há actualmente seis "hedge funds" com posições a descoberto na empresa de correios, representativas de 6,57% do capital dos CTT. Ainda assim, estas apostas negativas têm sido contrariadas por reforços nas acções da cotada liderada por Francisco Lacerda. Norges Bank, Kairos Partners e Credit Suisse reforçaram ou entraram no capital da empresa, após a forte queda das acções em bolsa, num investimento global superior a 6% do capital.

Perante um ambiente dominado pela quebra de receitas dos correios, maior concorrência da banca na venda de produtos do Estado, nomeadamente as OTRV, e o negócio bancário, a companhia apresentou esta semana um plano de redução de custos. Além do corte de pessoal, descida da remuneração da administração, os CTT confirmaram os receios dos analistas em relação à possibilidade da companhia ter que voltar a mexer no valor a distribuir aos accionistas. Isto porque, duranteo período de aplicação do plano de redução de custos (2018-2019), os CTT querem ter uma política de dividendos alinhada com o resultado líquido.

Este plano foi bem recebido pelos investidores, levando a companhia a recuperar 4,6% após a divulgação do plano e os analistas a revererem em alta a sua recomendação para as acções. Ainda que reconheçam os riscos do plano e os custos operacionais exigidos, os especialistas argumentam que o valor deprimido a que os títulos negoceiam pode representar um bom ponto de entrada.





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mais votado Anónimo 23.12.2017

O problema central da economia de Portugal é a adulação feita ao factor trabalho mesmo quando aquele se deixa de justificar e o ódio ao factor capital mesmo que não haja justificação alguma para esse ódio. Onde não se pode despedir, onde não deixam desalocar e realocar convenientemente capital e factor trabalho de modo rápido, inteligente e descomplicado, nunca é possível obter boas e funcionais organizações dignas da realidade contemporânea do Primeiro Mundo em que, apesar de tudo, vivemos.

comentários mais recentes
Anónimo 23.12.2017

Os CTT são a empresa que na bolsa portuguesa tem mais margem para subir no curto-prazo. Serão os shorts a fazer os CTT subir muito pois têm muitas posições para fechar. É trigo limpo.

Anónimo 23.12.2017

O despedimento de excedentários é normal em qualquer economia desenvolvida do mundo livre. Acontece quase todos os dias em alguma organização do sector público ou privado. A boa gestão de recursos humanos é o maior antídoto para a extracção de valor que luta pelo seu espaço fazendo frente à criação de valor, e que, invariavelmente, leva ao empobrecimento e à mendicante dependência externa.

Anónimo 23.12.2017

O problema central da economia de Portugal é a adulação feita ao factor trabalho mesmo quando aquele se deixa de justificar e o ódio ao factor capital mesmo que não haja justificação alguma para esse ódio. Onde não se pode despedir, onde não deixam desalocar e realocar convenientemente capital e factor trabalho de modo rápido, inteligente e descomplicado, nunca é possível obter boas e funcionais organizações dignas da realidade contemporânea do Primeiro Mundo em que, apesar de tudo, vivemos.

Anónimo 23.12.2017

Quem não tem dinheiro anda sempre a dizer mal e não percebe nada de negócios. Negócios é para quem percebe as oportunidades.

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