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Promove – O Futuro do Interior: quando a inovação acontece longe do centro

Há uma ideia feita de caminhos repetidos: a de que a inovação acontece “no centro”, nas grandes cidades, nos grandes polos, nos grandes investimentos. Mas a verdade é outra, e Portugal sabe-o bem. Porque, no interior, há desafios mais exigentes, necessidades mais urgentes e recursos que continuam por descobrir. E é precisamente aí que a inovação pode ser mais transformadora.

10:19
Getty Images

Foi o ponto de partida da 7.ª edição do Programa Promove – O Futuro do Interior, uma iniciativa da Fundação “la Caixa”, em parceria com a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e com a colaboração do BPI, que em 2025 voltou a reforçar a aposta no desenvolvimento sustentável dos territórios do interior.

Nesta edição, o Promove concedeu 6,4 milhões de euros em apoios a fundo perdido a um total de 33 projetos e 20 ideias inovadoras, selecionados entre 125 candidaturas. No conjunto dos vencedores, encontram-se 19 projetos-piloto inovadores, 14 projetos de I&D mobilizadores e 20 ideias com potencial para evoluírem para projetos-piloto, distribuídos sobretudo pelas regiões centro e Alentejo, mas também pelo norte e Algarve.

A ambição é clara: apoiar soluções com impacto real, desde a adaptação às alterações climáticas à valorização do património natural e cultural, passando pela criação de novas oportunidades económicas, mais qualificadas e mais resilientes.

E quando olhamos para os projetos vencedores, percebe-se rapidamente que este não é apenas um programa de atribuição de apoios. É um mapa vivo do futuro: um conjunto de respostas com base em ciência, tecnologia, recursos locais e visão de longo prazo.

Em seguida, destacamos nove exemplos inspiradores, três por cada categoria.

Projetos-piloto Inovadores 2025: soluções prontas para ganhar terreno


Os projetos-piloto apoiados pelo Promove procuram responder a desafios muito concretos do interior – e testá-los em condições reais. Alguns são tecnológicos, outros profundamente territoriais. Mas todos partem do mesmo princípio: inovar é resolver.

1. Olive4Cereal: transformar desperdício em resiliência agrícola

O Olive4Cereal, liderado pela Universidade do Porto, propõe-se valorizar um subproduto muitas vezes desperdiçado – o concentrado de águas ruças – para criar um bioestimulante sustentável que aumente a resiliência climática de culturas cerealíferas, no Alentejo (Ferreira do Alentejo).

A relevância do projeto é dupla: por um lado, reduz a dependência de agroquímicos associados à degradação dos solos; por outro, cria uma via de economia circular a partir de uma indústria com forte expressão no interior do país.

2. DOURORISK: prevenção de riscos naturais com ferramentas inteligentes

O DOURORISK, liderado pela Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Sanfins do Douro, é uma iniciativa-piloto com foco na criação de uma ferramenta digital inteligente e interativa de georreferenciação para apoiar a gestão de risco associado a eventos meteorológicos e climáticos compostos (“multi-hazard”), no norte (Alijó).

Num contexto em que o território enfrenta fenómenos extremos cada vez mais frequentes, este projeto sublinha um aspeto crítico: a adaptação às alterações climáticas não passa apenas por reagir melhor – passa por conhecer, antecipar e prevenir.

3. ROTA – Mértola, o último porto: património como motor económico

A sustentabilidade também se faz de memória, de identidade e de turismo sustentável. É essa a lógica do projeto ROTA – Mértola, o último porto, liderado pela ERA – Arqueologia S.A., que pretende ativar o património cultural do Guadiana entre o Pulo do Lobo e o Pomarão e a sua zona de influência, valorizando as rotas fluviais históricas e as relações transfronteiriças como recurso económico das comunidades locais, no Alentejo (Mértola).

Aqui, a inovação passa por saber fazer algo essencial: transformar património em oportunidade, sem o desvirtuar – e pondo o território no centro da narrativa.

Projetos I&D Mobilizadores 2025: ciência aplicada ao território (e às pessoas)


A categoria de I&D mobilizadores aproxima a investigação de problemas reais do interior, com soluções que exigem tempo, validação, colaboração e transferência de conhecimento. Nesta edição, a FCT contribuiu mais uma vez com 1,3 milhões de euros, para esta linha de projetos, que vieram reforçar os apoios de perto de 2,2 milhões de euros atribuídos pela Fundação "la Caixa". 

Entre os vencedores, destacam-se projetos que ligam ecossistemas, agricultura, biodiversidade e economia local.

1. SiARA: inteligência artificial e robótica na estepe alentejana

O SiARA – Sustentabilidade, iA e Robótica na Estepe Alentejana, liderado pelo Laboratório Associado de Energia, Transportes e Aeronáutica, mobiliza IA e robótica móvel autónoma para apoiar a gestão sustentável da estepe alentejana, no Alentejo (Castro Verde).

Ao conectar agricultura, preservação ambiental e academia, o projeto aponta para uma ideia cada vez mais urgente: tomar decisões melhores exige dados melhores, e os territórios mais frágeis precisam de soluções que protejam os recursos e apoiem quem vive deles.

2. AQUArestore: restauro fluvial com investigação-ação

O projeto AQUArestore, liderado pelo Centro de Estudos Florestais, foca-se no restauro dinâmico de ecossistemas fluviais do interior, promovendo uma abordagem pluridisciplinar de investigação-ação que inclui indicadores de sucesso do restauro ecológico, locais de experimentação e capacitação de técnicos e cidadãos, no centro (Fundão).

Trata-se de uma resposta com impacto de longo prazo: proteger linhas de água e ecossistemas não é apenas uma causa ambiental, é uma condição para a segurança do território e para a sustentabilidade de atividades económicas que dependem da água.

3. MAMEDE: tecnologia para proteger a biodiversidade aquática

O MAMEDE – Monitoring Aquatic Mountain Ecosystems: new DEtection tools for rare animal species, liderado pelo MARE – Centro de Ciências do Mar e do Ambiente, pretende desenvolver técnicas inovadoras de monitorização da fauna aquática no Parque Natural da Serra de São Mamede, numa perspetiva holística que abrange peixes, crustáceos, bivalves, répteis e anfíbios, no Alentejo (Évora).

Ao melhorar a deteção de espécies raras e reforçar o conhecimento sobre estes ecossistemas, o projeto contribui para a conservação e resiliência da biodiversidade face a ameaças como espécies invasoras e alterações climáticas, ao mesmo tempo que promove o uso sustentável de recursos endógenos e uma relação mais informada entre o território e as comunidades que dele dependem.

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Ideias Inovadoras 2025: o futuro ainda em protótipo – mas já com propósito


As Ideias Inovadoras funcionam como uma antecâmara de projetos-piloto: são propostas com potencial, ainda em fase inicial, mas com mérito e capacidade de crescimento. São, muitas vezes, o primeiro passo para soluções que podem ganhar escala, depois de testadas.

1. Eco-Pack: embalagens biodegradáveis com identidade regional

A ideia Eco-Pack, liderada pela Universidade da Beira Interior, propõe a criação de embalagens biodegradáveis para cosméticos, utilizando fibra de cana comum e subprodutos vegetais regionais da Beira Interior, no centro (Covilhã).

Neste projeto, a inovação combina sustentabilidade e indústria, com uma lógica muito própria: valorizar o que já existe no território e transformá-lo em resposta para mercados que exigem cada vez mais responsabilidade ambiental.

2. GrapeChips: snacks funcionais a partir de subprodutos da uva

A ideia GrapeChips, liderada pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, propõe técnicas inovadoras para extrair e purificar compostos de alto valor das grainhas e películas da uva, com o objetivo de desenvolver novos ingredientes para alimentos funcionais e produtos nutracêuticos, no norte (Vila Real).

É um exemplo claro de bioeconomia aplicada: criar valor a partir do que antes era descartado, reforçando a cadeia produtiva e abrindo novas portas comerciais.

3. Scan4.0Li: agricultura de precisão para olivicultura sustentável

A ideia Scan4.0Li, liderada pelo Instituto Politécnico de Bragança, propõe implementar uma solução de agricultura de precisão para acompanhamento e gestão de olivais tradicionais de sequeiro em Trás-os-Montes, no norte (Bragança).

Em territórios onde a agricultura é sobrevivência e identidade, estas soluções podem significar mais do que eficiência: podem ser o caminho para proteger culturas tradicionais e, ao mesmo tempo, torná-las mais competitivas.

A força desta edição do Promove está na diversidade de respostas: projetos que usam IA, projetos que recuperam património, iniciativas de restauro ecológico, soluções de economia circular, propostas ligadas à agricultura regenerativa e à monitorização ambiental.

Mas o impacto real mede-se noutra escala: a de conseguir criar condições para que o interior não seja visto como território de ausência, mas como território de oportunidade.

Ao longo de sete edições, o Programa Promove já mobilizou mais de 23,4 milhões de euros de investimento total, apoiando desde 2019 132 projetos e 47 ideias inovadoras, num esforço continuado de valorização do interior com base no conhecimento, nas competências locais e na ambição de criar desenvolvimento sustentável onde ele é mais necessário.

Porque, no fim, o futuro não se constrói apenas onde há mais gente. Constrói-se onde há mais vontade de ficar e melhores razões para o fazer.

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