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Tecnologia reduz impactos na exploração da Pedreira do Bom Jesus

A Cimpor introduziu na Pedreira do Bom Jesus um minerador de superfície da Vermeer que substitui o recurso a explosivos por um processo de corte mecânico automatizado. O investimento permite explorar novas áreas com menor ruído, sem vibrações significativas e com menor impacto sobre as populações vizinhas.

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 João Mendonça, diretor-geral da Vermeer Portugal, e Carlos Barbosa, Geólogo Sénior da Cimpor.
João Mendonça, diretor-geral da Vermeer Portugal, e Carlos Barbosa, Geólogo Sénior da Cimpor. DR
João Mendonça, diretor-geral da Vermeer Portugal, e Carlos Barbosa, geólogo sénior da Cimpor.

A Cimpor avançou com uma nova solução tecnológica na Pedreira do Bom Jesus, a maior área licenciada de recursos não metálicos em Portugal e uma exploração com mais de 130 anos de atividade, desde 1894. O projeto assenta na utilização de um minerador de superfície T1255 da Vermeer, equipamento que permite extrair matéria-prima sem recurso ao método tradicional de perfuração e utilização de explosivos.

O investimento, realizado em parceria com a Vermeer Portugal, responde a uma necessidade operacional e ambiental muito concreta. A pedreira tem zonas de exploração próximas de populações, o que obrigava a encontrar uma alternativa capaz de reduzir os impactos associados ao desmonte convencional, nomeadamente vibrações e ruído. Para a Cimpor, multinacional com presença em toda a cadeia de valor do cimento, desde a extração de matéria-prima até à produção industrial, a decisão enquadra-se nos pilares estratégicos de sustentabilidade ambiental, eficiência operacional e responsabilidade perante as comunidades envolventes.

O T1255 permite à empresa avançar para novas áreas da pedreira de forma mais controlada e com menor perturbação exterior. Ao substituir explosivos por corte mecânico, a operação torna-se mais previsível, mais contínua e menos dependente de processos logísticos complexos, como preparação de frentes, furação, transporte e manuseamento de explosivos. A matéria-prima fica disponível de forma mais imediata, criando uma nova zona de produção que, sem esta tecnologia, estaria mais limitada.

O projeto representa também um passo na digitalização global da Cimpor. O equipamento é altamente automatizado e guiado por GPS com precisão centimétrica. A informação do plano de exploração é transferida para a máquina, que executa o corte de acordo com a cota e a área definidas previamente. O operador mantém o controlo da operação, mas a máquina decide, com base nos dados introduzidos, a profundidade e a geometria do corte. Na prática, o equipamento esculpe a pedreira de acordo com o plano definido pela empresa.

A solução é única na indústria cimenteira em Portugal e na Península Ibérica. Antes da entrada em operação, a Cimpor desenvolveu um processo de validação técnica exigente, em conjunto com a Vermeer, para confirmar a adequação da tecnologia às características da pedreira e aos objetivos de produção. Depois dessa fase de estudo e adaptação, o projeto entrou já numa etapa autónoma, com operadores da Cimpor a trabalhar diretamente com o equipamento.

Os primeiros resultados apontam para ganhos relevantes. A empresa consegue explorar uma área adicional, aumentar a disponibilidade de matéria-prima e reduzir impactos sobre as populações vizinhas. A operação passa a decorrer de forma mais sustentável e socialmente mais aceitável, preservando a capacidade produtiva da pedreira sem agravar a relação com a envolvente.

Mais do que a aquisição de uma máquina, o projeto marca uma mudança no modelo de exploração de uma das pedreiras mais relevantes do país. Ao introduzir tecnologia de corte de elevada precisão numa atividade historicamente associada a métodos convencionais, a Cimpor reforça a aposta na inovação aplicada à indústria pesada. É uma decisão com impacto operacional, ambiental e social, que combina produtividade, redução de risco e maior compatibilidade entre atividade industrial e comunidades locais.

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