Economia 2017: O optimismo nacional e o furacão Trump

2017: O optimismo nacional e o furacão Trump

Em Portugal, os primeiro cinco meses do ano foram de um optimismo irritante. Lá fora, Donald Trump, continua na crista da onda, embora nem sempre pelas melhores razões. 2017 promete.
2017: O optimismo nacional e o furacão Trump
Celso Filipe 31 de maio de 2017 às 15:00
Portugal saiu do Procedimento por Défices Excessivos (PDE) a22 de Maio. Pierre Moscovici, comissário europeu dos Assuntos Económicos, qualificou a decisão como "uma muito boa notícia, uma notícia muito importante para Portugal, para a economia portuguesa e para o povo português" e também um "belo reconhecimento" pelos esforços do país.

O Presidente da República tirou a saída do PDE da esfera política e distribuiu o mérito. "Hoje é o dia de felicitar os portugueses. Esta decisão só foi possível devido aos seus sacrifícios de muitos anos. Amanhã é o dia de todos começarmos a trabalhar para converter a decisão de hoje naquilo que importa: mais confiança, mais investimento, mais crescimento e mais emprego", declarou Marcelo Rebelo de Sousa.

No plano mundano, Salvador Sobral deu uma vitória histórica a Portugal na Eurovisão e, no futebol, o Benfica conquistou um inédito tetracampeonato.

Pelo mundo, o terrorismo continua a espalhar o medo e a fazer prevalecer a insegurança. À porta da Manchester Arena, a 22 de Maio, um terrorista suicida, Salman Abed, fez-se explodir durante um concerto da estrela pop Ariana Grande, provocando 22 vítimas. O ataque foi reivindicado pelo Daesh.

No campo político, o Presidente dos EUA, Donald Trump, continua a ocupar o espaço mediático, com um discurso de combate que tem alvos tão diferentes como a Coreia do Norte e a Alemanha. E França elegeu um novo Presidente, Emmanuel Macron de sua graça.


O adeus aos défices excessivos

A 22 de Maio, a Comissão Europeia propôs a saída de Portugal do Procedimento por Défices Excessivos (PDE), situação em que se encontrava desde 2009, depois de ter garantido um défice de 2% do ano passado. A saída do PDE permite ao Governo usar os instrumentos de flexibilidade previstos nas regras europeias, os quais facilitam a realização de investimentos públicos. Por outro lado, aumenta a confiança dos investidores internacionais em relação à evolução das contas públicas. Outra boa notícia para o Governo e para o país foi o crescimento de 2,8% do PIB registado no primeiro trimestre deste ano.


Oliveira costa condenado pela "maior burla da história"

O ex-líder do BPN, José de Oliveira Costa, foi condenado a 14 anos de prisão pelos crimes de falsificação de documentos, fraude fiscal qualificada, burla qualificada e branqueamento de capitais, no âmbito do processo principal em que era arguido, relacionado com o uso do Banco Insular para levar a cabo uma megaburla. A leitura da sentença foi proferida a 24 de Maio pelo juiz, Luís Ribeiro, que a classificou como "a maior burla da História portuguesa". Outros três condenados foram Luís Caprichoso (oito anos e meio), José Vaz de Mascarenhas (sete anos e três meses) e Francisco Sanches (seis anos e nove meses).


Uma vitória que massajou o ego nacional

Após 49 participações, Portugal venceu finalmente um festival da Eurovisão. O protagonista da façanha, uma massagem no ego nacional, foi Salvador Sobral que interpretou a música "Amar pelos dois", escrita pela irmã Luísa Sobral. A final teve lugar a 13 de Maio em Kiev, capital da Ucrânia, e Salvador Sobral obteve a pontuação mais alta de sempre do festival, 759 pontos. À chegada, o cantor teve uma recepção apoteótica a que reagiu com o seguinte desabafo: "Não sou o novo herói nacional. Esse papel é do Ronaldo e espero que assim continue."


Trump não deixa ninguém indiferente

Donald Trump tem marcado o ano por razões questionáveis. Acabou com o programa de saúde Obamacare, ordenou o lançamento da "mãe de todas as bombas" não nucleares sobre o Afeganistão para atacar posições do Daesh, estabeleceu limites à entrada de cidadãos de sete países muçulmanos e de refugiados nos EUA, entrou em confronto com a NATO, atacou a Alemanha, saiu às cotoveladas do G7 e viu o seu genro, Jared Kushner, e o seu ex-conselheiro de Segurança Nacional, Michael Flynn, investigados por alegadas ligações à Rússia. Trump não pára.


A terceira via chega ao poder em França

Emmanuel Macron conquistou a presidência francesa, batendo na segunda volta, disputada a 5 de Maio, a candidata da Frente Nacional, Marine Le Pen. Para chegar ao Eliseu, criou o movimento Em Marcha, que qualificou como não sendo de esquerda nem de direita. Macron, com 39 anos, é o mais jovem Presidente de França de sempre e prometeu, após a vitória, participar no reforço do projecto de construção europeia e fortalecer o eixo franco-alemão. As legislativas de 11 de Junho serão decisivas para balizar o seu efectivo poder.



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