Economia César das Neves e Louçã admitem risco de uma nova crise  

César das Neves e Louçã admitem risco de uma nova crise  

Os economistas João César das Neves e Francisco Louçã admitiram hoje que existem riscos que podem levar a uma nova crise económica, embora discordando sobre quais são os principais perigos e da necessidade de fazer previsões sobre o assunto.
César das Neves e Louçã admitem risco de uma nova crise   
Marisa Cardoso / Sábado
Lusa 30 de janeiro de 2018 às 21:03

"As coisas estão tão mal que até concordo consigo", gracejou João César das Neves, professor da Universidade Católica de Lisboa, dirigindo-se a Francisco Louçã. Os dois economistas participaram num debate sobre a economia portuguesa, promovido pela Caixa Geral de Depósitos (CGD), que decorreu hoje em Lisboa.

 

João César das Neves, que em 2016 publicou o livro 'As 10 questões do Colapso -- Portugal: a provável derrocada financeira de 2016-2017", reconheceu que não houve nenhum colapso quando previa, mas afirmou que "ainda existe esse risco".

 

Para o professor da Universidade Católica, os principais riscos para a nova crise em Portugal é a "recuperação hesitante" da economia, as "finanças frágeis" e questões estruturais, como o envelhecimento da população, a desigualdade e a educação da força do trabalho.

 

Sobre o Produto Interno Bruto (PIB), César das Neves afirmou que a recuperação é "bastante boa" quando comparada com a "desgraça anterior, verificada nos anos da troika (2010-2014), mas que deixa a desejar face a períodos anteriores.

 

Por outro lado, o economista criticou a redução do défice via o aumento de receitas e não a redução da despesa, considerando que Portugal tem um "problema de fundo social" ao estar "capturado por uma parte da sociedade que vive do Estado", como os pensionistas e funcionários públicos.

 

Por sua vez, Francisco Louçã, referindo-se ao livro de César das Neves, criticou o "fantasma das previsões" que acompanha a economia portuguesa, lembrando que, mesmo com a crise financeira à porta, em 2008, as previsões "estiveram sempre erradas".

 

Ainda assim, o professor do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) admitiu que existem "todos os riscos para uma crise", apontando entre eles a possibilidade de uma bolha financeira internacional, o euro e (outras) questões estruturais.

 

"O aumento das dívidas públicas, aumento dos balanços dos bancos centrais, a redução dos preços, em função da longa recessão que nos deixou muito próximos do perigo da deflação", bem como "a não correspondência entre a disponibilização de liquidez e a disponibilidade para a concessão de crédito" foram riscos enumerados pelo antigo dirigente partidário.

 

Nesse sentido, Louçã alertou questionou como é que Portugal deve negociar o fim do 'Quantitative Easing', programa de compra de activos do Banco Central Europeu (BCE), de modo a evitar opções que teriam efeitos recessivos -- como a venda de activos.

 

Problemas estruturais, Louçã concordou com César das Neves no fraco investimento, apontando também o elevado desemprego jovem.

 

Por fim, o professor ISEG considerou que o turismo não é modelo de desenvolvimento da economia, porque não traz valor acrescentado e assenta, maioritariamente, em empregos de baixa formação.

 

"Haverá sempre tensões, mas atrevamo-nos a procurar soluções", disse.

 




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mais votado RE: Fogo com todas as peças… Há 3 semanas

Falando sem “papas na língua”:
se se trata de “fazer fogo”, então o alvo deverá ser:
servir os Clientes estimulando-os a pouparem mais
por receberem maior estímulo para o fazerem
através de produtos da Gestão de Ativos que lhes deem rendibilidades
cabalmente demonstrativas que vale a pena prescindirem do consumo hoje,
para o fruírem mais amanhã.
É rumo a tal objetivo que a CGD deve “fazer fogo”,
protegendo os seus Clientes e os Portugueses em geral,
da tentação de irem procurar lá fora,
e a bancos que não conhecem enfrentando muitos riscos,
produtos com uma variedade e qualidade que a “prata da casa”,
(que bem conhecem e que os conhece de há muito)
está em condições de lhes dar se para isso se orientar.
A prioridade será assim “fazer fogo” para a consecução de tal objetivo,
e não para justificar “tachos”
no interesse de quem os ocupa e dos seus padrinhos,
mais do que no de quem a Lei e as tradições de uma histórica CGD,
mandam servir:
os Clientes, o Povo Português, o País.

comentários mais recentes
azevedos Há 3 semanas

Já agora, espero que o ordenado que o césar das neves recebe ao fim do mês o entregue a uma instituição de caridade, Claro que penso que ele faz isso. Mas, numa hipótese remotíssima de tal não acontecer, então esse senhor é um verdadeiro chulo do estado.

azevedos Há 3 semanas

Se o césar das neves pensa efetivamente o que diz, só posso concluir que é dos indivíduos mais básicos que a Natureza ou Deus criou. É inacreditável existir à face deste planeta um indivíduo com apenas meio neurónio e avariado.

João Altamira Há 3 semanas

O César das Neves para economista é muito fraco...por isso inventa o futuro.
É um modo de mostrar que existe.

anonimo Há 3 semanas

Que eu saiba senhor César da Neves, a universidade católica recebe subsídios do Estado, como tal o seu ordenado também tem parte estatal.

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