Economia E ao sexto dia, o verniz estalou

E ao sexto dia, o verniz estalou

A actuação do Governo no incêndio de Pedrógão Grande é questionada de forma cada vez mais aberta. António Costa aceitou ontem a criação de uma comissão técnica independente para apurar os factos.
E ao sexto dia, o verniz estalou
Miguel Baltazar/Negócios
Manuel Esteves 22 de junho de 2017 às 22:49
Estalou o verniz. Depois de cinco dias durante os quais os partidos procuraram conter-se e evitar o confronto político aberto em torno das responsabilidades pela tragédia de Pedrógão Grande, ontem já era possível ver as manobras a céu aberto. E no primeiro dia de combate político, que coincidiu com a redução de intensidade do combate às chamas, o que se viu foi um Governo à defensiva, enquanto PSD e CDS desferiam os primeiros ataques mais certeiros.

"Colaboraremos com total abertura e disponibilidade" na comissão técnica independente proposta pelo PSD, afirmou António Costa após o Conselho de Ministros desta quinta-feira. O pedido do PSD, feito na terça-feira, foi reforçado ontem pelo presidente do partido: "primeiro é preciso responder às questões e não podem ser os próprios meios e as próprias autoridades envolvidas a avaliar o que se passou. Tem que haver uma instância independente que o possa fazer", reforçou Passos Coelho, citado pela Lusa.

Depois, admitiu, "haverá um tempo, ulterior a esse, com certeza, em que do ponto de vista político se tirarão as conclusões que são necessárias", numa alusão às responsabilidade que deverão ser assumidas e a eventuais demissões no Governo.

Ontem também, o líder da bancada parlamentar do PSD anunciou, no final de uma reunião com os deputados social-democratas marcadas por intervenções mais acaloradas sobre a tragédia de Pedrógão Grande, o agendamento de um debate político para quinta-feira, sobre as questões "que apoquentam, inquietam e intrigam" os portugueses.

A resposta do PS foi célere. "Não estamos aqui para brigas entre partidos, mas para saber o que se passou e, sobretudo, para que de futuro isto não volte a ocorrer e para que a reparação daquilo que aconteceu seja exemplar", contrapôs Carlos César, mostrando estranheza com a marcação de um debate político prévio ao esclarecimento dos factos.

Também o CDS-PP veio ontem a terreiro pedir satisfações pela tragédia de Pedrógão num tom mais assertivo, tendo enviado 25 perguntas a António Costa. "De um primeiro-ministro esperam-se respostas, não se esperam perguntas", afirmou Assunção Cristas numa conferência no Parlamento. "Cumprido o luto nacional" é dever do partido "contribuir para que todas as perguntas sobre esta tragédia sejam respondidas", disse a líder dos centristas.

O CDS-PP questiona, por exemplo, de onde partiu o primeiro alerta para o incêndio que deflagrou no sábado em Pedrógão Grande, qual a causa ou causas do incêndio ou se o sistema de comunicações SIRESP falhou ou não. A presidente dos centristas, citada pela Lusa, questiona ainda António Costa se concorda com a ministra da Administração Interna de que "não há prova de ter havido qualquer falha na resposta do Estado", se mantém a confiança em Constança Urbano de Sousa e se "assume que houve descoordenação política".



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