Emprego Os salários vão subir em 2018?

Os salários vão subir em 2018?

Aumento do salário mínimo, regresso das progressões na Função Pública e descida do IRS vão ajudar a subir salários líquidos. Estudo da Mercer a 333 empresas, a maioria multinacionais, antecipa aumentos de 2% em 2018.
Os salários vão subir em 2018?
Bruno Simão/Negócios
Catarina Almeida Pereira 29 de dezembro de 2017 às 11:00

Com o aumento do salário mínimo a chegar a 800 mil trabalhadores, as progressões a abranger mais de  metade dos funcionários públicos, o desemprego a baixar e o IRS a descer é razoável prever que, se não trouxer grandes surpresas, 2018 seja um ano de aumento de salários.
As carreiras do Estado vão voltar a evoluir no próximo ano, depois de sete anos de congelamento. Como as regras dependem de caso para caso, nem todos irão ter uma subida de vencimento. O descongelamento abrange 400 mil funcionários em 2018, segundo o Governo, mais de metade do total. A reposição do valor das horas extraordinárias e das convenções colectivas também liberta rendimentos.

Depois de dois anos consecutivos a subir 5%, o salário mínimo vai aumentar 4,1% em Janeiro, para os 580 euros brutos, o que o Executivo espera que beneficie 800 mil pessoas.

Globalmente, o rendimento líquido dos trabalhadores por conta de outrem deverá melhorar com as novas tabelas de retenção na fonte, que deverão reflectir a descida do IRS em praticamente todos os escalões. A carga fiscal baixa para quem está entre o segundo e parte do sexto escalão e é alargado o universo de trabalhadores isentos. A sobretaxa desaparece, beneficiando rendimentos médios e altos.

Os duodécimos deixam de se aplicar a funcionários e trabalhadores do privado que não tenham acordos individuais ou sectoriais que determinem o contrário, o que pode reduzir rendimento em Janeiro, mas não altera o valor anual.

Difícil é antecipar o grau de contágio de medidas como o aumento do salário mínimo aos restantes salários do privado. Se é certo que a dinâmica da contratação colectiva provoca geralmente um efeito de arrastamento, ainda não é certo que essa dinâmica tenha recuperado o seu comportamento tradicional.

De acordo com um estudo da consultora Mercer, os aumentos salariais rondaram os 2% em 2017, "o valor mais elevado registado nos últimos anos". E a avaliar pelas conclusões de uma análise a 333 empresas com 155 mil trabalhadores no mercado português – a maioria multinacionais – os incrementos salariais projectados para 2018 também rondam os 2%, sendo "ligeiramente mais para funções de topo e menos para as funções de menor responsabilidade". A inflação deverá rondar 1,5%.

"Com a descida acentuada do desemprego, os salários terão uma pressão a subirem" até para reter recursos, explica Tiago Borges, responsável da área de "Rewards" da Mercer. "Essa subida será, ainda assim, limitada para não comprometer a competitividade" e "estará sempre condicionada à manutenção da actual conjuntura económica positiva", acrescenta.
    
O estudo aponta para uma quebra no número de empresas que congelam salários. Mas "apesar dos incrementos salariais, a entrada de novos profissionais no mercado a aceitarem níveis de remuneração inferiores continua a pressionar os salários reais em praticamente todos os níveis de responsabilidade", lê-se nas conclusões.

Como sobem os salários

As decisões do Governo pressionam os salários em alta: aumento do salário mínimo, descongelamento de progressões no Estado e alívio do IRS.

Salário mínimo sobe 4,1%
O salário mínimo vai chegar aos 580 euros brutos em Janeiro, num aumento de 4,1% que se segue a dois aumentos consecutivos de 5%. De acordo com as estimativas apresentadas pelo ministro do Trabalho, Vieira da Silva, na semana passada, a decisão deverá abranger 800 mil trabalhadores.

Funcionários voltam a ter progressões
O Governo não deu aumentos generalizados à Função Pública, mas desbloqueou as progressões. Há quem progrida e quem fique na mesma. De acordo com as estimativas do Governo, são cerca de 400 mil os abrangidos, mais de metade do total. Horas extraordinárias e convenções colectivas também são repostas.

Descida do iRS aumenta salários líquidos
A carga fiscal vai descer para quem está entre o segundo e parte do sexto escalão. As isenções são alargadas e a sobretaxa desaparece de vez para rendimentos altos. Os trabalhadores por conta de outrem deverão sentir parte destes efeitos ao longo de 2018. Os independentes só em 2019.




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mais votado Anónimo Há 3 semanas

Os salários ou o custo do trabalho em Portugal são mais reduzidos do que noutras economias mais ricas e desenvolvidas do que a portuguesa, mas o que se passa é que aí as empresas gozam de economias de escala que as empresas portuguesas só atingiriam se se internacionalizassem. E o que é facto é que muito raramente isso acontece porque sindicatos e esquerda não deixam que se reúnam as condições para que tal aconteça. Por outro lado, e não menos importante, há que salientar que o sector empresarial dessas economias mais ricas e desenvolvidas tem uma muito maior alocação de capital com grande incorporação de tecnologia de ponta, económica e eficiente, que poupa enormemente em factor trabalho. Uma coisa é ter 200 assalariados a ganhar 1000 outra é ter 50 a ganhar 2000 para produzir o dobro do que se consegue produzir empregando os primeiros. Agora, sem fazer nada disto e sem obedecer a estas regras económicas, também se pode decretar salário de 2000 para os 200. Enquanto der.

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Anónimo Há 3 semanas

Os salários ou o custo do trabalho em Portugal são mais reduzidos do que noutras economias mais ricas e desenvolvidas do que a portuguesa, mas o que se passa é que aí as empresas gozam de economias de escala que as empresas portuguesas só atingiriam se se internacionalizassem. E o que é facto é que muito raramente isso acontece porque sindicatos e esquerda não deixam que se reúnam as condições para que tal aconteça. Por outro lado, e não menos importante, há que salientar que o sector empresarial dessas economias mais ricas e desenvolvidas tem uma muito maior alocação de capital com grande incorporação de tecnologia de ponta, económica e eficiente, que poupa enormemente em factor trabalho. Uma coisa é ter 200 assalariados a ganhar 1000 outra é ter 50 a ganhar 2000 para produzir o dobro do que se consegue produzir empregando os primeiros. Agora, sem fazer nada disto e sem obedecer a estas regras económicas, também se pode decretar salário de 2000 para os 200. Enquanto der.

policia,gnr,militar velhinhos 60 anosSEM CORTES Há 3 semanas

ó general ciresp !
a tua obrigação é trabalhar ate aos 66 anos e 4 meses

Em portugal ja temos 300 generais a ma..marem 5.000€ mes SEM GUERRA
portanto, muda de nick

Amilcar Há 3 semanas

esta terra não tem ponta por onde se lhe pegue. Há militares em casa a ganharem 100% do salário, à espera da reforma. Quantos têm de produzir para pagar a um parasita destes? Algum governo resolve a questão? Os políticos são todos uma m*rda. Todos! (digo eu)

General Ciresp Há 3 semanas

Espero q se Rui Rio vier a ser eleito lider do psd e mais tarde primeiro ministro tome como medida prioritaria abolir a celebre"PROGRESSAO DE CARREIRA: fantochada de nos envergonhar.Dizia o selfie tal como os antecessores:sou presidente de todos os portugueses.Sera q sao mesmo,ou sao so dos publicos

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