Economia Vítor Bento: “Qualquer dia somos uma economia completamente dependente, com estatuto quase colonial”

Vítor Bento: “Qualquer dia somos uma economia completamente dependente, com estatuto quase colonial”

Portugal tem um problema crónico de falta de poupança e sem poupança não há acumulação de capital. Esta é uma questão cultural, mas que tem consequências graves: é que sem capital a soberania nacional fica em causa, avisa.
A carregar o vídeo ...
Rui Peres Jorge Rosário Lira 06 de janeiro de 2018 às 21:00
Vítor Bento avisa para a ameaça à soberania nacional que decorre do país não ter capital para garantir a autonomia no desenvolvimento da sua estrutura económica. Sem isso, é a própria soberania nacional que está em causa, avisa, na entrevista concedida ao Negócios e à Antena 1, e que será transmitida na rádio pública às 12:00 de domingo, e publicada no Negócios na segunda-feira, 8 de Janeiro.

A baixa poupança nacional é uma questão cultural que se poderá pagar cara: "A consequência desta falta de cuidado na nossa acumulação de capital é que qualquer dia somos uma economia completamente dependente, com estatuto quase colonial", defende o economista e presidente não executivo da SIBS.

"Se não tivermos capacidade de desenvolver a nossa economia por nós próprios, ela vai ser desenvolvida por outros. Mas vai ser desenvolvida tornando-nos no canal de distribuição dos produtos dos outros, e não  numa fonte de criação de riqueza, e sobretudo de riqueza de conteúdo elevado", avisa.




A sua opinião41
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
mais votado Anónimo Há 1 semana

Todas as grandes crises económico-financeiras em tempo de paz, acelerado progresso tecnológico e relativa prosperidade desde a queda do muro de Berlim e a dissolução da União Soviética, a começar precisamente por estas duas situações de crise e a acabar na fome na Coreia do Norte de 1994-1998, na grande recessão de 2007-2012, no carnaval à chuva brasileiro e no descalabro chavista venezuelano, foram causadas pelo excedentarismo e sobrepagamento acima do real preço de mercado com a consequente má alocação dos factores produtivos trabalho e capital. A China, desde 1989, povoada por um povo imbuído numa cultura que lhe confere uma mentalidade tão paciente quanto sábia, fez precisamente um caminho inverso, sob a forma de uma longa maratona, ao daqueles que temporariamente e com grande arrependimento se aventuraram velozes por atalhos e maus caminhos tendo submergido nas crises referidas, que, em alguns casos, senão em todos, eram a única forma de caírem na realidade. Alguns ainda deliram.

comentários mais recentes
POUPAR? COMO! Há 1 semana

Com ordenados d miseria pra MAIORIA DE NOS,q como Pais civilizado sao UMA VERGONHA na Europa de hoje.
Com"patroes"(como oposto a empresarios/gente de negocios seria) se negam a aumentar o ordenado miminimo um euro por dia como e' q e' possivel fazer poupancas? E isto com a economia a crescer


mr Há 1 semana

Pode um País assim sair da crise? Obviamente NÃO!!!

mr Há 1 semana

Para além da sobrecarga de impostos que as empresas estão sujeitas, temos também uma enorme quantidade de pessoas que vive à sombra das IPSS, das fundações e de outros organismos para o efeito. Para além disso ainda há os BOIS a ganhar brutos ordenados instalados nas principais empresas do País.

Anónimo Há 1 semana

Os salários ou o custo do trabalho em Portugal são mais reduzidos do que noutras economias mais ricas e desenvolvidas do que a portuguesa, mas o que se passa é que aí as empresas gozam de economias de escala que as empresas portuguesas só atingiriam se se internacionalizassem. E o que é facto é que muito raramente isso acontece porque sindicatos e esquerda não deixam que se reúnam as condições para que tal aconteça. Por outro lado, e não menos importante, há que salientar que o sector empresarial dessas economias mais ricas e desenvolvidas tem uma muito maior alocação de capital com grande incorporação de tecnologia de ponta, económica e eficiente, que poupa enormemente em factor trabalho. Uma coisa é ter 200 assalariados a ganhar 1000 outra é ter 50 a ganhar 2000 para produzir o dobro do que se consegue produzir empregando os primeiros. Agora, sem fazer nada disto e sem obedecer a estas regras económicas, também se pode decretar salário de 2000 para os 200. Enquanto der.

ver mais comentários
pub