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Lei laboral: PS vai travar medidas que constam do Programa do Governo

O PS "não vai acompanhar" as propostas de Bloco de Esquerda e do PCP sobre legislação laboral que constam do Programa do Governo. A viabilização das medidas que incluem restrições aos contratos mais precários é remetida para depois de um acordo de concertação social.

debate desempregados parlamento tiago barbosa ribeiro ps
debate desempregados parlamento tiago barbosa ribeiro ps Bruno Simão
07 de Junho de 2017 às 15:29

O PS "não vai acompanhar" as propostas de alteração à legislação laboral que são discutidas esta quarta-feira, 7 de Junho, no Parlamento. Em causa estão iniciativas do Bloco de Esquerda e do PCP que incluem restrições à contratação a prazo e que constam do Programa do Governo.

"Não acompanharemos as propostas" até "ao final do trabalho em concertação social", afirmou ao Negócios o deputado do PS Tiago Barbosa Ribeiro, quando questionado sobre qual o sentido de voto do partido que suporta o Governo.

"Queremos e vamos fazer alterações aos contratos a prazo, ao banco de horas individual e ao trabalho temporário, e vamos fazê-lo quando houver um acordo em concertação social, que não ficará fechado antes do final do ano", acrescentou.

O Parlamento discute esta quarta-feira uma série de propostas que incluem restrições à contratação a prazo ou a eliminação do banco de horas individual.

A esta iniciativa do BE, que escolheu medidas que o Governo subscreve, somam-se as propostas do PCP para eliminar totalmente regimes como a adaptabilidade e o banco de horas (discutidas esta quarta-feira) ou para travar a precariedade e limitar o trabalho temporário (discutidas na segunda-feira).

Estas propostas deverão ser votadas em diversos momentos das próximas semanas, a não ser que PCP e BE decidam retirá-las de votação. As do PCP já passaram por apreciação pública, podendo ser votadas na sexta-feira, mas as do BE ainda terão de esperar por esses vinte ou trinta dias exigidos por lei.

Ao responder que "não acompanhará" as propostas, o PS admite abster-se ou votar contra, em função da votação da oposição, mas sempre de forma a inviabilizar a aprovação das propostas. O PSD manifestou na discussão desta quinta-feira a convicção de que as alterações feitas à legislação laboral nos últimos anos fomentam a criação de emprego.

Ao remeter a discussão para concertação social, o PS vai ao encontro das expectativas dos patrões, que diziam esta terça-feira que não esperam que haja qualquer alteração à lei laboral este ano. Já a UGT, que também subscreveu o acordo tripartido, tinha desafiado o PS a aprovar já as propostas.

Notícia actualizada por volta das 21:30 com correcções à redacção do texto e informação adicional.

As medidas que estão a ser discutidas

Limitações aos contratos a prazo

O Bloco de Esquerda quer limitar os contratos a prazo por várias vias: impedindo que estejam justificados para jovens à procura de primeiro emprego e desempregados de longa duração (como prevê o Programa do Governo); acabando com a possibilidade das novas empresas poderem contratar a termo durante dois anos quando abrem estabelecimentos, a não ser que tenham até 10 trabalhadores (em vez de 750); e alargando a margem de restrições da contratação colectiva a nível da duração. Além disso, garante compensações aos trabalhadores dispensados mesmo quando o contrato não é renovável. O PCP também tem uma série de propostas destinadas a limitar as justificações para o uso dos contratos a prazo, que serão discutidas na segunda-feira.

Banco de horas e adaptabilidade

Uma outra proposta do Bloco de Esquerda também prevê o fim do banco de horas e da adaptabilidade por negociação individual, ou seja, dos mecanismos que flexibilizam horários por negociação directa. Já o PCP propõe a revogação total destas figuras mesmo quando são acordadas por contratação colectiva, incluindo no Estado. O Programa do Governo prevê o fim do banco de horas por negociação individual.

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