Europa As cinco propostas "particularmente importantes" de Juncker para o próximo ano

As cinco propostas "particularmente importantes" de Juncker para o próximo ano

Acordos de comércio com Japão, México, Austrália e Nova Zelândia, desenvolvimento industrial, segurança cibernética, alterações climáticas e migração são as cinco áreas prioritárias para Juncker no que resta do mandato até 2019.
As cinco propostas "particularmente importantes" de Juncker para o próximo ano
Reuters
Rui Peres Jorge 13 de setembro de 2017 às 11:34
No discurso do Estado da União de 2017, o seu penúltimo, Jean-Claude Juncker quantificou que 80% das propostas legislativas previstas para o seu mandato já foram apresentadas, com impactos em áreas como a união bancária, a união do mercado de capitais, ou o mercado único, e entre as quais destacou as regras de trabalho para trabalhadores destacados noutros países. Das restantes 20%, que deverão avançar até 2019, o líder do executivo europeu destacou cinco áreas como "particularmente importantes": acordos de comércio, política industrial, segurança cibernética, alterações climáticas e migração.

1. Reforçar os acordos de comércio e controlar o IDE

Num momento em que "os parceiros em todo o mundo estão a bater à nossa porta para fazer acordos de comércio", Juncker defende que estes "têm de ter reciprocidade" e avisa que a Europa "não pode ser ingénua" em relação ao investimento directo estrangeiro (IDE) e ao comércio livre.

Elogiando o recente acordo comercial com o Canadá, e o acordo político já conseguido com o Japão, e de prováveis acordos com México e países da América do Sul até final do ano, o presidente da Comissão quer iniciar negociações comerciais com Austrália e Nova Zelândia.

No que diz respeito ao IDE, defende que sempre que em causa estejam infra-estruturas ou áreas centrais à soberania da Europa (portos, energia, defesa ou outros) é "necessária uma análise aprofundada" e para isso apresentará um novo enquadramento de análise a ser aplicado a nível europeu.

2. Aposta na indústria, bicada às construtoras de automóveis

Juncker anunciou que irá apresentar em breve uma "nova estratégia europeia para a inovação, digitalização e descarbonização" da indústria, um sector que emprega 32 milhões de pessoas e tem produtos de primeira classe, disse.
 
Nesta aposta, a indústria automóvel foi destacada pela negativa, devido à forma como tem tentado enganar os consumidores adulterando registos de emissões de gases nocivos. "Fico chocado quando os consumidores são intencionalmente enganados. Convido a indústria automóvel a corrigir isso: em vez de enganarem as pessoas, deveriam era estar a apostar na construção de carros limpos".

3. Alterações climáticas

Com os Estados Unidos a recuarem, a Europa tem um papel reforçado na liderança do combate às alterações climáticas e da redução das emissão de gases com efeito de estufa, na sequência dos definido no Acordo de Paris. "Em breve apresentaremos uma proposta para reduzir o carbono sector dos transportes," assegurou.

4. Segurança cibernética

A Comissão vai propor a criação de uma nova agência europeia de segurança cibernética: "Os ataques cibernéticos são por vezes mais perigosos para a estabilidade das democracias e economia do que armas e tanques. Estes ataques não conhecem fronteiras. Por isso propomos a criação de uma agência de segurança para nos defender destes ataques" anunciou Juncker.

Ainda na frent de segurança, Juncker defende ainda a criação de uma agência europeia de informação que permita a partilha eficiente de dados sobre terrorismo: "Apelo à criação de uma unidade europeia de informação que assegure que os dados relativos aos terroristas e combatentes estrangeiros sejam automaticamente partilhados entre os serviços de informação e a polícia", defendeu. 

5. Migração

O quinto e último ponto dos destacados pelo presidente da Comissão enquanto prioridade para o resto do seu mandato foi o da gestão dos fluxos migratórios e de refugiados. Elogiando o papel de Itália – que "está a salvar a honra da Europa no Mediterrâneo" –e lembrando que a Europa recebeu 720 mil refugiados no ano passado – "três vezes mais que a Austrália, os EUA e o Canadá juntos" – Juncker defende que é preciso fazer mais, nomeadamente na Líbia e na Síria.

A Comissão defende, por isso, o fundo de solidariedade com África e a promoção de rotas legais de migração que possam combater as actuais rotas ilegais.

"Devemos também demonstrar solidariedade para com a África. Além de ser o berço da humanidade, a África é um continente nobre e jovem. Os 2,7 mil milhões de euros do Fundo Fiduciário para África têm criado oportunidades de emprego em todo o continente", afirmou.



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