pixel

Negócios: Cotações, Mercados, Economia, Empresas

Notícias em Destaque

PSD quer todos os países europeus a registar transferências para offshores

Os social-democratas querem a Assembleia da República a liderar iniciativas de combate à evasão fiscal e aumento das transacções à escala internacional. O projecto de resolução que apresentam esta terça-feira propõe-se a fazer uso do "cartão verde" nível europeu, um mecanismo que nunca foi usado por cá.

debate orçamento 2016 parlamento luís montenegro psd
debate orçamento 2016 parlamento luís montenegro psd Bruno Simão
02 de Maio de 2016 às 21:30

Com o escândalo dos Panama Papers ainda fresco e a fazer verter tinta, o PSD avança esta terça-feira com um projecto de resolução que defende o aumento da transparência nas transacções financeiras à escala internacional. Tratando-se de matérias que extravasam a soberania nacional e precisam de ser reguladas pelo menos a nível europeu, o partido quer fazer uso do "cartão verde", um mecanismo onde a Comissão Europeia é convidada a legislar, mas por iniciativa de uma maioria de parlamentos nacionais.

No projecto de resolução que chega à Assembleia da República, os social-democratas sublinham que o combate à fraude e evasão fiscal tem de fazer-se a uma escala alargada, com medidas de alcance geral. Por isso, todas as propostas que elencam têm precisamente como destinatários a União Europeia.

Na lista de medidas está por exemplo a obrigatoriedade de se obrigar ao registo de todas as transacções financeiras que ocorram entre os 28 e Estados com um regime fiscal claramente mais favorável (conceito que teria de ser consensualizado a nível europeu), uma medida que já é obrigatória em Portugal mas que, segundo Duarte Marques, ainda não acontece em muitos países. O deputado do PSD dá o exemplo recente da comissão de inquérito do BES onde se perdeu o rasto ao dinheiro precisamente por não haver obrigatoriedade deste registo. Segundo o projecto de resolução, a responsabilidade pela centralização desta informação ficaria a cargo de "uma entidade europeia na esfera dos bancos centrais".

Outra medida proposta passa por obrigar os Estados europeus a divulgarem publicamente os chamados "tax rulings", os acordos fiscais feitos entre grandes multinacionais e alguns países, e que há alguns meses deram origem ao escândalo que ficou baptizado como LuxLeaks. A proposta europeia em cima da mesa já prevê que as administrações fiscais passem a trocar entre si este tipo de informações, numa base periódica, mas, por pressão de alguns Estados, optou-se por não tornar esses acordos públicos alegadamente por razões de sigilo fiscal - embora os Panama Papers pareçam ter feito reconsiderar a posição. O PSD junta-se assim às vozes que reclamam partilha total de informação com os cidadãos.

cotacao

No inquérito ao BES perdemos o rasto ao dinheiro por não haver um registo de transferências internacional.

Duarte Marques, deputado do PSD 

As restantes propostas vão no sentido de imprimir um ritmo maior a iniciativas que já estão em curso, como é o caso da transposição da directiva sobre a troca automática de informações (o chamado Common Reporting Standards) que o Governo aprovou na semana passada em Conselho de Ministros, ou a transposição para a Europa do BEPS, um mega-projecto que vem sendo coordenado no seio da OCDE para evitar a erosão das bases tributáveis dos países por causa da facilidade com que as multinacionais transferem as suas operações e lucros. Este projecto assenta em múltiplas dimensões, desde a alteração das regras dos preços de transferência até à definição de estabelecimento estável.

Como forçar os países europeus a seguirem as pretensões de um pequeno país como Portugal é uma questão chave para aferir da eficácia desta iniciativa. Duarte Marques explica que é por isso que o partido quer que tudo seja feito com recurso ao mecanismo do "cartão verde" europeu, promovendo um reforço do diálogo político entre os Estados-Membros.

A ideia é que o parlamento português aprove esta proposta de resolução e, depois disso, convide os congéneres a fazerem o mesmo. Caso haja pelo menos 18 parlamentos nacionais de acordo com a iniciativa, então, é estendido o convite à Comissão Europeia para que lance mãos à obra.

Se for aprovado, será a primeira vez que será a primeira vez que o Parlamento nacional apresenta um cartão verde, enfatiza Duarte Marques. 

Ver comentários
Publicidade

C-Studio é a marca que representa a área de Conteúdos Patrocinados do universo Medialivre.
Aqui as marcas podem contar as suas histórias e experiências.

Publicidade

C-Studio é a marca que representa a área de Conteúdos Patrocinados do universo Medialivre.
Aqui as marcas podem contar as suas histórias e experiências.

Publicidade

C-Studio é a marca que representa a área de Conteúdos Patrocinados do universo Medialivre.
Aqui as marcas podem contar as suas histórias e experiências.