Empresas Trabalhadores da Autoeuropa aprovam nova greve em Fevereiro

Trabalhadores da Autoeuropa aprovam nova greve em Fevereiro

"Durante os plenários, houve um trabalhador que apresentou uma proposta de greve. Em seis plenários houve um que votou contra e cinco votaram a favor", disse o coordenador da CT.
Trabalhadores da Autoeuropa aprovam nova greve em Fevereiro
Bruno Simão
Lusa 21 de dezembro de 2017 às 14:52

Os trabalhadores da Autoeuropa aprovaram na quarta-feira, nos plenários realizados, uma proposta para uma greve de dois dias, em 2 e 3 Fevereiro, disse o coordenador da Comissão de Trabalhadores (CT), Fernando Gonçalves, hoje à Lusa.

 

"Durante os plenários, houve um trabalhador que apresentou uma proposta de greve. Em seis plenários houve um que votou contra e cinco votaram a favor", disse o coordenador da CT.

Segundo Fernando Gonçalves, durante os plenários foi também apresentado um caderno reivindicativo da CT, que será, posteriormente, apresentado à administração da Autoeuropa, mas que "ainda não é um documento fechado" porque vai ser submetido a discussão durante o mês de Janeiro.

 

"É um documento de 24 pontos que incluiu várias matérias, como prémios por objectivos, progressão nas carreiras, seguro de saúde, apoio escolar, bem como uma proposta de aumentos salariais de 6,5% em 2018", disse.

 

No que respeita ao diferendo sobre o novo horário imposto pela administração para vigorar de Fevereiro a Julho de 2018, e que inclui a obrigatoriedade do trabalho ao sábado, para cumprir o objectivo de produzir 240 mil veículos T-Roc na fábrica de Palmela em 2018, Fernando Gonçalves disse tratar-se de uma situação que não se verifica noutras fábricas do grupo alemão.

 

"Nos contactos que tive com outras fábricas do grupo Volkswagen], na Alemanha, na Argentina, no México, no Brasil, vi outros horários, outras formas de trabalhar, de segunda a sexta-feira, em que se fazem acordos para o trabalho ao sábado e ao domingo. E as pessoas são remuneradas nesses dias", disse Fernando Gonçalves, relembrando que, além das divergências sobre questões pecuniárias, os trabalhadores da Autoeuropa também não concordam com a obrigatoriedade de trabalharem ao sábado.

 

"Nos acordos de outras fábricas da Volkswagen, o que está previsto é que, quando é preciso trabalhar aos sábados, paga-se. Parece que aqui pretendem implementar um horário que sirva de exemplo para o resto do grupo, parece que temos de ser a cobaia para algo diferente. E nós não queremos", reforçou Fernando Gonçalves.

 

O coordenador da CT da Autoeuropa adiantou que a próxima reunião sobre o novo horário com a administração da Autoeuropa está prevista para o dia 5 de Janeiro, mas lembrou que, na reunião da passada segunda-feira, a administração lhes transmitiu que não havia nada para negociar.

 

"Depois da reunião da passada sexta-feira com o ministro do Trabalho, Vieira da Silva, o que ficou combinado foi que retomaríamos as negociações na segunda-feira, o que aconteceu. Mas quando chegámos a essa reunião, o que nos foi comunicado pela administração foi que não havia nada para decidir, que iam impor o horário anunciado", disse.

 

"Eles [a administração da Autoeuropa] assistiram a todos os plenários, perceberam bem qual foi o `feedback dos trabalhadores. É bom que reflictam sobre aquilo que se está a passar e é bom que tomem uma posição diferente da que estão a tomar agora", acrescentou Fernando Gonçalves, convicto de que há um "sentimento de revolta" dos trabalhadores, "devido a um acumular de situações ao longo dos últimos anos".

 

Depois da rejeição de dois pré-acordos sobre os novos horários negociados previamente com os representantes dos trabalhadores, a administração da Autoeuropa anunciou a imposição de um novo horário transitório, para vigorar no primeiro semestre de 2018, e a intenção de dialogar com a CT no que respeita ao horário de laboração contínua, que deverá ser implementado em agosto, depois do período de férias.

 

O novo horário transitório, que entra em vigor nos últimos dias do mês de Janeiro, com 17 turnos semanais, prevê o pagamento dos sábados a 100%, equivalente ao pagamento como trabalho extraordinário, acrescidos de mais 25%, caso sejam cumpridos os objectivos de produção trimestrais.

 

No passado mês de Julho, 74% dos trabalhadores da Autoeuropa rejeitaram um primeiro pré-acordo sobre os novos horários e fizeram um dia de greve (30 de agosto), a primeira por razões laborais na fábrica de automóveis de Palmela. Um segundo pré-acordo negociado com a nova Comissão de Trabalhadores liderada por Fernando Gonçalves também foi rejeitado pela maioria dos trabalhadores.

 




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mais votado Pontodevista... 21.12.2017

Sem surpresas...Enquanto o PCP estiver a negociar não vai haver acordo, seja lá ele qual for. O objetivo da CGTP, do Arménio Carlos, é fechar a fábrica e dizer que a culpa é dos outros, já o fizeram noutras fábricas e vão continuar a fazer. Eles vivem da desgraça dos outros. Se não houvesse greves eles iam fazer o quê? Ficavam sem emprego? Eles querem é greves porque se estivesse tudo bem era o Arménio que ficava desempregado. Não há patrão ou empresa que sobreviva a este radicalismo da CGTP e do PCP, exigem cada vez mais e mais, exigem até não ser possível dar e depois a fábrica fecha e os trabalhadores ficam a lamber as feridas. É só uma questão de tempo até a Autoeuropa arrebentar. Aconteceu com a OPEL com a Setenave, etc. Muitas mais fecharam por causa deste sindicato, fecharam mas os trabalhadores foram defendidos, certo?Só não o vê quem é cego ou pouco inteligente (para não dizer burro)...

comentários mais recentes
Anónimo 22.12.2017

Foge Volkswagen!!!! os geringocos portugueses, estao cansados e querem praia!!

Mr.Tuga 22.12.2017

Por mim podem ir todos pro olho da rua, seus KAMIKAZES!

O problema é que depois tenho de pagar os subsídios de desemprego desta malta irresponsável.

Vagabundo 22.12.2017

Trabalhei na Alemanha 12 anos, conheço bem a mentalidade deles, uma das coisas que eles não admitem é ser mandados...
Por isso os trabalhadores dentro de pouco tempo vou pedir trabalho ao partido comunista...

Miguel 22.12.2017

A culpa é dos sindicatos/PCP? Se os trabalhadores não estivesse por detrás das decisões a adesão às greves seria simplesmente residual. Não é. Aqui devem ser todos patrões, pq o preconceito q existe contra trabalhadores e o seu direito a reivindicarem condições laborais justas é inqualificável.

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