Carlos Récio
Carlos Récio 20 de dezembro de 2017 às 19:50

O Futuro do Retalho em 2030

Nunca se falou tanto no futuro como agora e a entrada de conceitos no nosso dia a dia como inteligência artificial ou criptomoedas permitem concluir que a tecnologia ditará as mais profundas mudanças na forma como as pessoas se relacionam com o mundo e de como adquirem os seus bens. 

Acompanhando com muita atenção esta previsão, nomeadamente no setor do retalho que hoje já vive a mudança de paradigma, a equipa de Research da CBRE debruçou-se sobre o "Futuro do Retalho | 2030", uma análise que faz 40 projeções sobre as tendências que se vão viver daqui a 13 anos e que permitem incentivar reflexões acerca dos diferentes cenários que os retalhistas terão de enfrentar e perceber como é que se podem preparar para o futuro.

 

Os primeiros oito "insights" foram divulgados no MAPIC na semana passada, a maior feira internacional de retalho imobiliário, e estes já permitem antever o que segue: automatização, customização, inovação tecnológica e "big data" serão premissas para impulsionar o crescimento no setor do retalho. Facto é que, nesta estrada de dois sentidos, de retalhistas e consumidores, ambos saem beneficiados: a integração avançada de triliões de sensores conectados irá providenciar um poderoso conhecimento relativamente aos padrões de consumo e hábitos das pessoas permitindo aos retalhistas antecipar as exigências dos seus clientes - antes que eles próprios se apercebam - tornando a cadeia de distribuição mais apurada e eficiente. Por outro lado, irá permitir que os consumidores saibam o que estão a comprar, de uma forma totalmente transparente e enquadrada com os seus objetivos – eles comprarão, literalmente, o que veem e o que querem, em qualquer sítio e a qualquer hora, em tempo real, sem qualquer tipo de barreiras.

 

Nesta mesma estrada rumo a 2030, todavia, há um sinal de alerta para a indústria: estas tendências irão conduzir à redução do número de postos de trabalho disponíveis no setor e substituição por robots. Mais ainda, o estudo da CBRE aponta que, por exemplo, a viatura própria é algo que vai reduzir drasticamente. Contudo, há algo que o consumidor nunca irá prescindir e trespassará todas as mudanças de paradigma: a experiência. Hoje a palavra "experiência" é léxico recorrente dos "marketeers" mas em 2030 entrará, como nunca, no glossário dos empresários do retalho.

 

E porquê? Porque as experiências dos consumidores serão mais específicas e menos genéricas. Ter acesso aos hábitos de consumo de um cliente, os seus interesses no tempo livre, o seu estilo e preferências de cores por exemplo, significa que os retalhistas podem apresentar experiências únicas e personalizadas, um elemento chave de diferenciação no futuro mundo do retalho. Ou seja, os imóveis imobiliários vão manter-se importantes canais de vendas e de forma gradual vão tornar-se um espaço de comunicação de marca e montra de experiências. As lojas vão tornar-se autênticos showrooms e embaixadoras de marcas, ao passo que o ato de comprar irá tornar-se uma experiência imersiva, sensorial, de "engagement" de marca porque, apesar da velocidade e facilidade no acesso a produtos, o consumidor de 2030 ainda terá o desejo de visitar um ponto de venda. Mais ainda, os retalhistas a operar em exclusivo no online já vão reconhecendo o papel fundamental e crítico que uma loja física pode desempenhar e a CBRE prevê ainda que, em 2030, os grandes "players" de retalho online vão ser donos de lojas físicas.

 

Sim, este futuro é desafiante e não está tão longe quanto parece. Mas se o futuro é os retalhistas tornarem a experiência de consumo mais focada nas pessoas, transparente, apelativa e educacional, só podemos falar de um futuro melhor.

 

Director de Agência de Retail da CBRE

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