Fernando  Sobral
Fernando Sobral 14 de maio de 2017 às 18:51

40 estações para o metropolitano?

Os últimos dias tornaram-se anedóticos. O Ministério do Ambiente iniciou as hostilidades hilariantes prometendo duas estações novas apenas uma hora depois de afirmar que iriam ser quatro.

Quando o metropolitano de Lisboa abriu ao público, às 6 horas da manhã de 30 de Dezembro de 1959, entraram na composição que partiu dos Restauradores várias artistas espanholas que actuavam numa "boîte" lisboeta, acompanhados dos músicos, e que tornaram a viagem uma festa. Desde então o metro tornou-se o Speedy Gonzalez dos lisboetas: permitiu-lhes chegar mais rápido a vários locais. Com o tempo perdeu as pilhas. Cresceu, mas tornou-se menos dinâmico. As linhas do metropolitano são as veias de Lisboa. Sem elas seria impossível circular numa cidade onde há mais trânsito do que a capital pode comportar. Mas, depois dos sonhos de grandiosidade (e que levaram a um erro trágico: querer transformar o metro num transporte suburbano), concretizadas pelas grandes obras da Expo'98, a decadência foi-se intensificando. Quando mais cresceu a rede mais ela se foi degradando. Muitas estações ficaram obsoletas, as escadas rolantes funcionam quando lhes apetece, os funcionários desapareceram dos átrios, as composições envelheceram. A linha verde tornou-se o símbolo da degradação de serviços: com metade das carruagens necessárias, parece uma carroça apinhada.

 

Os últimos dias tornaram-se anedóticos. O Ministério do Ambiente iniciou as hostilidades hilariantes prometendo duas estações novas apenas uma hora depois de afirmar que iriam ser quatro. Para mostrar que tem muitas ideias para Lisboa, Assunção Cristas surfou a onda e pediu 20 novas estações de metro. Porque não 40 ou 60? O direito ao dislate é constitucional mas custa vê-lo exercido por uma líder que costuma ser regrada no menu de promessas. Até porque Cristas não pode esquecer que foi quando esteve no Governo que o metro de Lisboa passou a ter de circular em velocidade reduzida, com menos carruagens e denotando "falhas de operação" que exasperavam qualquer utilizador. Tudo em nome do dinheiro. Agora, como por magia, passamos da fome à fartura. Pelo meio, o metro continua a arrastar-se. Sem dinheiro para funcionar com o mínimo de decência.

 

Grande repórter

A sua opinião3
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
comentários mais recentes
Pois 15.05.2017

Aquela fascista da Cristas ( a que assina legislação de cruz) faz estações com o dinheiro dos outros, ela e a merda da direita acham que isto é deles. Uma sova até à fronteira

Mr.Tuga 15.05.2017

Isto do DESPESISMO RUINOSO (de guita que não existe) dos xuxas e geringonços parece contagioso....

Francisco António 15.05.2017

E agora digam-me lá se a dona Cristas não tem sentido de humor ?