Ulisses Pereira
Ulisses Pereira 11 de setembro de 2017 às 09:15

Kim move os mercados?

Kim Jong-un provocou algum efeito de curto prazo em alguns gráficos de acções portuguesas.
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Kim Jong-un. Este é o nome que, apesar de ser difícil de decorar, os mercados sabem de cor. As constantes provocações do líder da Coreia do Norte, com testes nucleares incluídos, seguidos das respostas de Donald Trump, fazem pairar no ar a ameaça de uma guerra de dimensões incalculáveis.

Dirão os mais racionais que as probabilidades que essa guerra aconteça são muito reduzidas. Concordo. Este braço de ferro entre Kim e Trump tem tanto de espectáculo e "show-off"como a luta entre Mcgregor e Mayweather mas, se algo correr mal no meio deste folclore mediático e exposição de capacidade bélica, as consequências serão de uma dimensão assustadora.

Julho e Agosto foram claramente marcados por esta escalada de tensão. Isto conseguiu quebrar a subida dos mercados mas não os derrubou. O ritmo habitual neste Verão tem sido de quedas quando surgem notícias nefastas sobre o que está a acontecer na Coreia do Norte e recuperação nos dias em que as notícias passam ao lado de Kim e Trump.

Se observarmos com algum detalhe a evolução da Bolsa portuguesa, podemos concluir que o PSI está agora apenas 2% abaixo do que estava no final de Junho. E a pergunta que queria deixar é qual teria sido o comportamento do nosso mercado se os ursos estivessem no comando da situação? Se ainda vivêssemos num "Bear Market" e num mercado sem força, este teria sido um pretexto perfeito para quedas fortes da praça portuguesa e estaríamos agora seguramente uns 15 ou 20% abaixo dos valores de há 2 meses atrás.

Durante estes 2 meses, recebi vários e-mails de leitores questionando-me se mantinha o meu optimismo em relação à Bolsa portuguesa. Tal como referi no parágrafo anterior, o facto do PSI estar a sofrer pouco com uma ameaça global não é um sinal de fraqueza e, por isso, não vejo qualquer motivo para mudar a minha posição. No entanto, se esta crise se agudizar e se as probabilidades de uma guerra aumentarem, os mercados irão sofrer e não há poder dos touros que valha. Mas, por agora, a reacção da Bolsa portuguesa a esta crise não tem sido tão má quanto isso.

No entanto, Kim Jong-un provocou algum efeito de curto prazo em alguns gráficos de acções portuguesas que mantêm a sua tendência ascendente de médio e longo prazo mas descendente no curto prazo, colocando esses títulos numa espécie de "alerta laranja", aproveitando a linguagem militar deste artigo. O sinal de perigo está lá e há que ir vigiando de perto esta tentativa de tomada de assalto por parte dos ursos.

Analisando de um ponto de vista mais técnico, o que é que me faria despir o fato de touro que vesti há cerca de meio ano atrás na Bolsa portuguesa? Uma quebra, por parte do PSI, da zona de suporte entre os 4750 e os 4850 pontos. Esse seria um inequívoco sinal de fraqueza e, mantendo-me fiel à minha disciplina, despiria este fato de touro.

E que cenário me faria ficar mais entusiasmado em relação à Bolsa portuguesa? Uma ruptura da zona de resistência nos 5350 abriria espaço para novas subidas e para o renascer do fôlego dos ursos, entrando numa nova fase do "Bull Market", aquela em que aqueles que estão afastados da Bolsa começariam a perceber que há um mercado a subir e quereriam juntar-se à festa.

Kim trouxe nervos aos mercados e mais um teste à força dos touros. O tempo nos dirá se, aos bons velhos tempos da batalha naval, foi um tiro certeiro no porta-aviões ou apenas um tiro na água. Um dia iremos saber, mas antes que isso aconteça vamos vigiando as nossas referências técnicas e caso o suporte seja quebrado não temos que ter vergonha de mudar a nossa posição. Mas, por agora, os verdadeiros estragos ainda não foram feitos. Nem nos mercados nem no mundo. Mas o perigo está à vista.

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