Jorge Fonseca de Almeida
Jorge Fonseca de Almeida 10 de janeiro de 2018 às 23:12

A reforma que falta: aumentar a diversidade

A base saudável da espécie humana é a sua enorme diversidade cultural e social. Qualquer política de marketing bem-sucedida deve ter em conta essa diversidade.

As necessidades de cada grupo social são diferentes e todas, se legítimas, devem ser igualmente respeitadas e servidas.

 

Tentar impor padrões universais fora das áreas técnicas é contraproducente e leva à redução do mercado e à oposição de largas franjas de consumidores com perda de reputação.

 

As melhores práticas apontam para a necessidade de as empresas incorporarem nos seus trabalhadores, quadros e órgãos dirigentes a diversidade existente nos mercados que servem. Quando assim não é, torna-se difícil à empresa obter uma correta perceção da realidade, sendo o mercado visto apenas de uma perspetiva limitada.

 

As vantagens da diversidade são imensas sendo as mais citadas na literatura: o aumento da criatividade obtida pelas diferentes perspetivas de análise dos problemas, o exemplo que constitui para os empregados dos escalões mais baixos e o incentivo que advém da certeza de poderem ascender internamente, o aumento do enfoque em soluções mais inclusivas que alarguem o mercado da empresa e a melhoria da imagem pública da firma.

 

A diversidade de género e étnica permite alargar a base de talentos necessários a qualquer empreendimento moderno. Excluir determinados grupos significa limitar seriamente as escolhas da empresa em termos de capital humano.

 

Portugal é um país de grande diversidade demográfica, social e cultural, mas ao olharmos para os conselhos de administração das maiores empresas portuguesas não a encontramos representada.

 

Não admira então que vastos setores sociais do mercado nacional não sejam corretamente servidos pelas empresas portuguesas.

 

Vejamos dois exemplos: as mulheres e os afro-portugueses. As mulheres, maioritárias entre a população, estão em escassa minoria entre os responsáveis máximos das empresas, retirando às empresas sensibilidade para os seus problemas e necessidades.

 

Que forte incentivo negativo têm as mulheres empregadas nos escalões mais baixos da empresa sabendo que nunca poderão ascender na hierarquia? É desta forma que se pode motivar este grupo de trabalhadores?

 

Os afro-portugueses, por seu lado, estão completamente ausentes dos centros de decisão económica, impedidos por uma atitude insidiosa, que negada nas palavras é fácil de detetar nos factos, de discriminação racial. Constituindo uma relevante percentagem da sociedade portuguesa e do mercado interno continuam, fruto de uma política errada, afastados dos centros de decisão.

 

Esta é uma das grandes reformas que urge implementar no tecido empresarial português indispensável para incrementar a produtividade: aumentar a diversidade, especialmente ainda que não exclusivamente, nos escalões mais altos.

 

Para isso, o Estado deve negociar em sede de concertação social com os parceiros aí representados, associações patronais, sindicais, sociais, uma estratégia de quotas que permita atingir em poucos anos padrões de excelência na área da diversidade entre os trabalhadores, dirigentes e administradores das empresas portuguesas e a operar em Portugal.

 

Economista

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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