António Ramalho
António Ramalho 23 de novembro de 2017 às 08:25

Accountability pública per capita

"A Accountability" não tem uma tradução inequívoca em Português, porque em Portugal não nos damos bem com o seu significado.
País de grandes coragens, de grandes poetas e grandes sonhos, falta-nos paciência para a prestação de contas, para a confrontação dos números, para a certeza dos resultados. E para quem acredita que só o que se mede existe, isso vai minando a nossa existência e o nosso debate coletivo.

Ora a evolução da formação, a democracia da informática e a progressiva transparência informativa, abrem portas para que cada um a cada momento possa estar mais próximo das decisões, possa ser cidadão mais informado, possa medir o efeito das suas opiniões.

A "accountability" pode tornar individual o que é público e colectivo, mas sobretudo pode reduzir o valor das promessas e aumentar o valor das opções.

Quanto pagamos de impostos directos e indirectos e quanto nos custam os serviços públicos que usufruímos - por exemplo medindo o deve e haver das nossas exigências quotidianas. Quanto teríamos de reforma face aos montantes que descontámos - por exemplo permitindo a plurianualidade da avaliação dos direitos e deveres. Quanto beneficiaremos no futuro, de um investimento feito no presente, - por exemplo responsabilizando decisões de investimento presente com utilidades comprovadamente verificáveis ainda que no longo prazo.

"Accountability" teria a vantagem de não alterar em nada o modelo de decisão que nós temos. Nem reduziria as capacidades reivindicativas de nenhum grupo. Nem imporia nenhuma alteração de preçário nos serviços públicos. Apenas tornaria tudo transparente e comparável.

E também teria a vantagem de tornar a discussão coletiva mais sensata, de tornar a decisão mais racional e de permitir fazer do Estado a soma das vontades individuais mais informadas. E teria um efeito de real prestação de contas. Pelo que foi feito e pelo que deixou de o ser.

Em ultima instância permitiria dizer a cada cidadão português cuja sua parte na divida publica é já de 23,372m€ per capita, que a quota-parte do Estado que lhe pertence vale tanto ou mais que a dívida no que respeita ao seu Futuro.


Artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico


No âmbito do 20º aniversário do Negócios, pedimos um artigo a várias personalidades sobre ideias para o futuro de Portugal.  
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comentários mais recentes
tudo ás claras . . . por baixo da mesa Há 2 semanas

O segredo sempre foi a alma do negócio e as "contrapartidas" nunca existiram

Venda do BICV foi cá de uma "accountability" Há 2 semanas

Vejam só esta ""accountability" Bem prega Frei Tomás . . . .
http://www.jornaldenegocios.pt/empresas/banca---financas/detalhe/novo-banco-vende-banco-de-cabo-verde-apos-falhanco-do-negocio-com-jose-veiga

Diz o nú ao roto Há 2 semanas

é à pala dessa "accountability" que o Novo Banco quando vende um ativo antes do novo dono tomar posse, não informa publicamente do valor e dos contornos do negócio . . .