Ricardo Cabral
Ricardo Cabral 10 de setembro de 2017 às 22:20

Austeridade: muito melhor, mas ainda na versão "light"

A palavra austeridade entrou nas nossas vidas mas é um conceito de difícil caracterização. A austeridade é como as tonalidades de cinzento … não há apenas uma.
Houve uma fase, no passado recente, em que os salários e pensões foram cortados em termos nominais e os impostos aumentados. O desemprego disparou e quem perdeu o emprego ou não encontrava novo emprego, ou se tinha a sorte de o encontrar, era por um salário muito inferior ao do passado. Essa fase da austeridade parece definitivamente para trás. Se o país voltar a enfrentar uma crise - que é possível e provável - devido ao fardo de dívida que carrega, a resposta será outra.

Mas não se pode considerar que saímos plenamente da austeridade. Vivemos uma austeridade - cinzento mais claro - em que a vida melhora muito pouco, mas melhora. Os jovens vão encontrando emprego. O salário mínimo e as pensões sobem um pouco. As famílias compram novos carros e novas casas. Os negócios e as empresas exportadoras vão prosperando. As contas públicas têm um desempenho sem precedente na história recente.

Porém, os jovens que ingressam hoje no mercado de trabalho têm salários e condições de trabalho que se afiguram piores dos que quem entrou no mercado de trabalho há 20 anos. Por conseguinte, afigura-se que o verdadeiro teste à austeridade é o de saber se o nível de vida da maior parte dos portugueses - dos 90% dos portugueses com rendimentos mais baixos - está de facto a melhorar, ano após ano, significativamente acima da taxa de inflação.

Se as novas gerações têm níveis de rendimento mais elevados que a geração que a precede. E se o nível de rendimentos dos portugueses converge, no sentido da subida, em termos nominais e reais, para os níveis dos países mais ricos do mundo.

Ora, ainda não chegámos lá: o País parece parado no tempo e tudo leva muito, muito tempo, a acontecer. Não obstante há vários sinais positivos.

A austeridade só acabará definitivamente quando ocorrerem duas condições. A primeira, e mais importante, é que a potência regional que "manda" na Zona Euro, deixe de exportar deflação para a Zona Euro. A vida também é difícil para demasiados alemães, que vivem à espera que Schäuble seja substituído por outro ministro das finanças.

Ou seja, a primeira condição é que os salários, pensões e os preços comecem a subir na Alemanha e nos restantes países da Zona Euro. A segunda condição é que Portugal deixe de estar com a corda da dívida pública e externa enrolada várias vezes à volta do pescoço. Uma corda tão apertada que parece não dar qualquer esperança de alívio e de crescimento durante décadas. Quaisquer das condições parecem miragens.

Mas a vida, "é aquilo que nos acontece enquanto fazemos outros planos" e, por isso, é que parece importante que a "geringonça" seja ambiciosa nos seus desígnios, que não se contente com pouco, que estique a corda, sem quebrar, que puxe pelo país o mais que puder no curto prazo, em benefício dos portugueses que vivem no presente. Porque - como sugere a citação acima de Allen Saunders popularizada por John Lennon - não só vamos viver antes dos supostos benefícios dos planos da austeridade algum dia se materializarem, como esses planos de austeridade "sabem" demasiado a religião: a uma promessa de vida no céu infinitamente melhor que a vida nesta terra…
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mais votado Anónimo Há 1 semana

"We have to find new ways of employing people and maybe people need to find new ways of spending their time... The truthful answer is we won’t need as many people." - John Cryan www.businessinsider.com/deutsche-bank-ceo-cryan-robots-and-banking-jobs-2017-9

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Anónimo Há 1 semana

É preciso alertar a sociedade e educar os políticos portugueses mais distraídos para os perigos e falácias subjacentes ao pensamento único eleitoralista que não se apercebe que distribuir salários e benefícios a privados que não passem pelo crivo regulador e orientador das forças de mercado é tão mau para a sustentabilidade do Estado, incluindo o Estado de Bem-Estar Social, a competitividade da economia e o nível de equidade na sociedade, como distribuir subsídios e adjudicações a privados obedecendo à mesma lógica discricionária, e vice-versa. Sindicalismo selvagem de compadrio e capitalismo selvagem de compadrio são uma e a mesma coisa e encerram em si as sementes do mesmo mal cujos frutos são pobreza, subdesenvolvimento, injustiças e insustentabilidade que transformam aquilo que poderia ser um luxuriante e frondoso pomar numa tenebrosa mata de dependência e crise.

Anónimo Há 1 semana

"We will gradually enter a time where having a lifetime employment based on tasks that are not justified will be less and less sustainable - we're actually already there." - Emmanuel Macron www.msn.com/en-gb/video/other/french-civil-servants-no-more-jobs-for-life/vi-AAeGlDD

Anónimo Há 1 semana

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Anónimo Há 1 semana

Artigo panfletário que tem apenas o objetivo de dar mais uma ajuda à narrativa criada por este governo. Nem merece comentário.

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