João Vasconcelos
João Vasconcelos 23 de novembro de 2017 às 12:10

Desafio mais relevante para o futuro é o da educação

Ao fim de mais de 40 anos de democratização do ensino em Portugal e de nove sobre o ensino obrigatório até ao 12.º ano (ou 18 anos) o desafio que considero mais relevante para o futuro é o da educação.
Segundo dados de 2016 da Pordata, Portugal tem 46,9% de população entre os 26 e os 64 anos com ensino secundário ou superior. O penúltimo na lista dos 26 da União Europeia, apenas superado por Malta. Esta realidade contrasta efetivamente com as notícias e os relatórios que vemos publicados sobre a qualidade do nosso ensino, com os resultados das aprendizagens dos nossos alunos dos diversos graus e com o impacto que os nossos recém-licenciados têm no mercado de trabalho, sobretudo internacional ou ainda o que nos relatam os recentes investidores no nosso país.

Entre os 26 e os 64 anos encontra-se toda a nossa população ativa. Importa que dentro de poucos anos Portugal inverta estes números e capitalize a informação que tem sido veiculada e supere estes vetores: aumento desta percentagem e contenção do abandono escolar; o incentivo à formação (de diversos tipos) de indivíduos em idade ativa e, por fim, contenção de fuga de licenciados para o estrangeiro.

Sem isto, Portugal não consegue ambicionar um crescimento económico baseado na inovação, não pode ver uma revolução industrial para o digital, não pode ver mais empreendedorismo nem implementar mais programas para atrair start-ups.

Sem mais educação falta-nos o sentido crítico, a incapacidade de ver a diferença entre montar um restaurante e uma Feedzai. Sem uma inversão daquela percentagem, que nos aproxime da média europeia (77%) - sendo que 21 dos países da UE estão acima desta percentagem -, não temos como competir, como crescer. O crescimento desta percentagem condiciona a cidadania, a relação com o mundo, a capacidade de gerar riqueza de forma inovadora e única e é, portanto, a chave do desenvolvimento do país para os próximos 20 anos.

Não poderá ser um problema a resolver apenas pelos governos dos que virão. Trata-se de uma missão que tem de envolver toda a sociedade, entidades patronais, famílias e instituições de formação e de ensino. Iniciativas como a Ciência na Escola, promovida pela Fundação Ilídio Pinho ou projetos de robótica que começam com crianças de 8 anos como vi em Torres Vedras contaminam gerações - as que irão, esperemos, substituir a população ativa de hoje e inverter o penúltimo lugar no "ranking" de população com ensino secundário e superior da UE. 


Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico


No âmbito do 20º aniversário do Negócios, pedimos um artigo a várias personalidades sobre ideias para o futuro de Portugal.  
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