Helena Paínhas
Helena Paínhas 23 de novembro de 2017 às 12:30

Focar mais no Homem do Futuro e suas competências

Muito se tem debatido sobre o futuro do trabalho, dando grande importância ao papel da tecnologia, abordando a problemática social e a necessidade de ser mais verde e sustentável.
Sem tirar importância destas três vertentes, penso que nos deveríamos focar um pouco mais no Homem do Futuro e nas suas competências.

O nosso grupo, de mão de obra intensiva, que atua nas redes de energia (Projeto, Construção e Manutenção das mesmas) tem-se deparado com grandes dificuldades em recrutar novos profissionais. Não existem no mercado recursos humanos disponíveis e capazes de desenvolver atividades de montadores de linhas, de técnicos de redes de baixa tensão, eletricistas de trabalhos em tensão, etc. Simplesmente, não há! E os poucos que se apresentam nos processos de recrutamento não têm nenhuma formação ou se a têm, está completamente ultrapassada e/ou inadequada às competências atualmente exigidas, tendo de ser nós, as empresas, a investir na sua formação, e sem podermos recorrer a qualquer tipo de apoio.

O que fazer então? Sugeria que se atuasse em dois pontos que poderão fazer a diferença. O primeiro seria no ajuste dos percursos formativos criando alternativas técnicas e especializadas, onde os alunos seriam ensinados para saber fazer. Cursos estes com grande proximidade às empresas do respetivo sector, de forma a que os conteúdos sejam reajustados continuamente às necessidades das mesmas e permitindo aos alunos um contacto com o real ambiente de trabalho. No fim, para além de aprenderem todas as valências informáticas e tecnológicas que a nova era digital impõe, os alunos sairiam das escolas como eletricistas, serralheiros, carpinteiros, picheleiros, entre outros, preparados para serem peritos nas artes dos nossos dias, que num futuro próximo dificilmente serão substituídos por máquinas ou robots, mas terão de os usar e conhecer na perfeição .Por outro lado, e não menos importante seria fundamental a divulgação e dignificação destas profissões nas redes sociais, nos media e na sociedade em geral, mostrando a sua importância e a procura das mesmas não só no mercado interno como no além-fronteiras.

Com esta nova geração de homens e mulheres fazedores e super qualificados ao serviço das nossas empresas, tornar-nos-íamos mais competitivos e preparados para conquistar melhores resultados e estar à altura de atrair para o nosso país mais investimento estrangeiro, fazendo assim Portugal crescer!


Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico


No âmbito do 20º aniversário do Negócios, pedimos um artigo a várias personalidades sobre ideias para o futuro de Portugal.  


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Anónimo Há 2 semanas

Recrutem de fora. Arranjarão muitos candidatos com qualificação e experiência. E ainda pouparão muito dinheiro em formação e salários. Em vez só de vistos gold para ricos, o governo devia conceder vistos gold para técnicos especializados em áreas carenciadas com elevada procura de mercado.

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